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Traição, morte e esquartejamento: O crime brutal de Elize Matsunaga

Em 2012, o Brasil se chocou com o assassinato de Marcos Matsunaga, diretor-executivo da Yoki

Alana Sousa Publicado em 07/02/2020, às 12h00

Elize e Marcos Matsunaga do dia do casamento
Elize e Marcos Matsunaga do dia do casamento - Divulgação

Na madrugada do dia 20 de maio de 2012, Marcos Matsunaga (42 anos), então diretor-executivo da Yoki, renomada empresa brasileira do ramo alimentício, desce de seu apartamento para buscar uma pizza. Ao entrar pela porta de casa é surpreendido com um tiro na cabeça, efetuado pela sua esposa, Elize Matsunaga (38 anos).

O caso foi um dos mais chocantes do Brasil, recebendo ampla cobertura dos maiores veículos de comunicação do país. Todos tentavam entender o que motivara Elize a cometer um crime tão brutal.

O crime

Na noite de 19 de maio, Elize e Marcos voltaram para o apartamento, localizado na cidade de São Paulo — a mulher estava fazendo uma viagem para sua terra natal, no Paraná — juntamente com a filha de um ano e a babá. Minutos depois, a assistente é dispensada e o casal engata uma intensa discussão.

Elize e Marcos Matsunaga / Crédito: Divulgação

 

O relacionamento havia sido iniciado em 2004, enquanto Marcos ainda era casado e, Elize, trabalhava como prostituta. Ela passou a viver como amante do empresário por três anos, até que Matsunaga decidiu pedir o divórcio para assumir a relação extraconjugal. Eles se casaram oficialmente em 2009.

O fato de Marcos ter tirado Elize das ruas sempre fora motivo de briga entre os dois. Ele ameaçava deixa-la sem nada, inclusive sem a guarda da filha; ela, por sua vez, não confiava no marido.

Semanas antes do crime, Elize começou a desconfiar de que o parceiro estava vivendo uma vida dupla e resolveu contratar um detetive particular. Enquanto visitava a mãe, no interior do Paraná, a futura assassina recebeu as provas de que precisava para confirmar a traição do marido. Decidida a acabar com tudo, Elize retornou para casa.

Na volta do aeroporto o clima era pesado. Após a babá ir embora, Elize pegou uma pistola 380 — presente do companheiro — e atirou em Marcos à queima roupa. Em seguida esquartejou o corpo em seis partes, sendo elas cabeça, braços, tórax e pernas.

Na manhã seguinte, por volta das 11h30, a homicida é flagrada pelas câmeras de vigilância do elevador do prédio deixando o local com três malas, nas quais as partes do cadáver estavam guardadas em sacolas plásticas.

Julgamento

Elize Matsunaga / Crédito: Divulgação

 

Elize depositou o corpo da vítima na beira de uma rodovia em Cotia, São Paulo. Após três dias, as malas foram descobertas, mas apenas em 4 de junho os restos foram identificados como sendo de Marcos. Ao analisar as imagens do prédio, as autoridades colocaram a viúva Matsunaga como principal suspeita. Ela assumiu a autoria do crime dias depois.

Em depoimento, Elize alegou ter agido sozinha, disse que foi motivada pelas infidelidades do marido, e pelas ameaças que sofria. A criminosa afirmou ter esperado cerca de dez horas antes de começar as esquartejar o corpo, hipótese que foi contestada pelo legista responsável por analisar o caso, Jorge Pereira de Oliveira.

O médico explicou que devido o estado dos membros decepados, foi possível concluir que a cabeça e o braço de Marcos foram arrancados enquanto ele ainda estava respirando. “De todas as partes achadas, apenas o braço esquerdo apresentava estado avançado de putrefação. Todas as outras estavam em bom estado de conservação e não foi possível explicar o motivo”, falou Oliveira em entrevista para a Folha de S. Paulo, em 2012.

Durante o julgamento, um dos mais longos da história da capital paulistana, alguns pontos foram destacados para condenar Elize. A babá, presente no dia do crime, afirmou que a assassina havia comprado uma serra elétrica no mesmo dia. Algo que a promotoria utilizou para alegar que o crime tinha sido premeditado.

Elize chorando em julgamento / Crédito: Divulgação

 

A hipótese de outra pessoa envolvida no assassinato também foi levantada. Na época, análises de DNA de sangue, apontou a presença de vestígios de um indivíduo masculino na cena do crime. Entretanto, o relatório final, de 2018, feito pela Polícia Civil de São Paulo, assinado pelo delegado Frederico Starosta, confirmou que a mulher agiu sozinha.

Apesar de Elize desde o começo insistir na versão de que o crime fora algo passional, a Promotoria acreditava que ela havia premeditado a morte para conseguir a herança do marido. Após sete dias de julgamento, o júri a considerou culpada, sua sentença foi de 19 anos e 11 meses. Sendo reduzida, em 2019, para 16 anos e 3 meses.

A filha do casal está sob a guarda de uma tia de Elize, e ambas as famílias concordaram que essa era a melhor escolha para a criança. Hoje, a assassina cumpre pena no presídio de Tremembé, localizado a 140 km de São Paulo.


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