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A triste verdade por trás da excessiva maquiagem de Elizabeth I

A pele extremamente branca, a peruca vermelha e as vestes coloridas são marcas da rainha até os dias de hoje

Isabela Barreiros Publicado em 18/06/2020, às 07h00

Retrato de Elizabeth I e a atriz Margot Robbie como a rainha
Retrato de Elizabeth I e a atriz Margot Robbie como a rainha - Divulgação

Elizabeth I, uma das mais importantes monarcas da Inglaterra, tinha uma preocupação extrema com sua aparência e com a imagem que passaria aos seus súditos. Ela era conhecida por sempre vestir roupas coloridas, usar uma peruca vermelha e obrigar as outras funcionárias do palácio a apenas usar vestes de cores brancas ou pretas.

Uma marca da rainha nunca a abandonou: sua maquiagem totalmente branca. O motivo que a levou a criar um dos mais icônicos estilos de caracterização, que se tornou quase permanente no rosto de diversas nobres, na verdade, foi surpreendentemente triste. Não foi uma “escolha” artística da monarca: ela, de fato, queria esconder sua verdadeira face.

A causa

Elizabeth I  / Crédito: Wikimedia Commons

 

Em 1562, aos 29 anos, Elizabeth foi acometida pelo que se pensava ser uma febre muito forte. Com o tempo, porém, ela começou a ficar cada vez pior, até que um médico finalmente deu o diagnóstico: se tratava da terrível varíola.

Ela foi recomentada, então, a permanecer em descanso no Hampton Court Palace, em uma tentativa de recuperação. Sem cura nem ao menos tratamento, a doença era mortal e temida por todos, não menos pela realeza.

A enfermidade não parecia querer deixar seu corpo e a rainha ficou à beira da morte. Começou-se até mesmo a pensar na questão da sucessão real, para definir quem assumiria o trono caso ela morresse. No entanto, isso foi deixado de lado, visto que Elizabeth felizmente começou a se recuperar.

Ela sobreviveu à varíola, mas seu rosto deixava claro a situação terrível a qual tinha sido sujeita. As erupções cutâneas em sua face, que formavam pequenas bolhas e deixavam cicatrizes, se tornaram um constante lembrete da doença à monarca. Isso não a desconfigurou, mas deixou marcas permanentes.

A solução

Elizabeth I / Crédito: Wikimedia Commons

 

A rainha chegou perto da morte naquele ano, mas sobreviveu e teve de aprender a lidar com as cicatrizes — literais — que a enfermidade havia deixado em seu corpo. Para Josie Rourke, diretora do filme Duas Rainhas (2018), que conta as histórias de Maria da Escócia e Elizabeth I, "quando sua pele não está no seu melhor, quando você tem uma crise, você tenta encobrir isso".

“Você se sente confiante o suficiente para ir a uma reunião se tiver uma mancha gigantesca no rosto? Você pode realmente sentir a coragem dela de realmente se recompor e encontrar a coragem de entrar naquelas salas”, disse Rourke.

A monarca decidiu, então, cobrir seu rosto para que os outros não pudessem ver as marcas da varíola. Como era obcecada por sua aparência frente aos seus súditos, desenvolveu uma maquiagem de aparência muito antinatural, que era obtida por meio de uma pesada mistura feita de chumbo branco e vinagre.

A combinação era conhecida como “ceruse veneziano”, mas não era uma pintura comum. Na verdade, aquilo tinha o potencial de matar qualquer um que o usasse e acabou envenenando a rainha aos poucos, devido ao constante uso.

Segundo a autora Lisa Eldridge, em seu livro Face Paint: The Story of Makeup (2015), esse tipo de maquiagem já era utilizado na antiguidade. Ela lembra que arqueólogos encontraram vestígios de chumbo branco em muitos locais de enterro de mulheres de classes altas da Grécia Antiga. Além disso, acredita-se que a mistura também tenha sido utilizada na China, principalmente durante a antiga dinastia Shang, entre 1.600 e 1046 a.C.

Mas fora o estrago a longo prazo, as moças que utilizavam da técnica podiam ver as consequências do uso assim que tirassem a cobertura branca do rosto. Elas deixavam a maquiagem no rosto durante muito tempo sem retirá-la: por pelo menos uma semana, elas não lavavam a face. Quando finalmente limpavam, encontravam a pele cinza e enrugada.

A verdade é que quase todos os utensílios de maquiagem daquela época tinham o potencial de envenenar quem os utilizasse. O limpador facial, por exemplo, era feito de água de rosas, mercúrio, mel e até cascas de ovos. Os pigmentos vermelhos usados por Elizabeth em seus lábios também continham metais pesados.

A perseguição dessas mulheres por uma aparência ideal era levada ao extremo, sem levar em conta a possibilidade de morte apenas pela superficialidade. Embora o rosto branco expirasse à juventude e fertilidade, na prática, ele dava exatamente o contrário às moças.


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