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A controversa morte do imperador romano Cláudio, um enigma de quase 2 mil anos

Muitas especulações foram levadas em decorrência de sua morte, mas ganância de uma pessoa muita próxima de Cláudio teria ocasionado seu óbito

Gabriel Fagundes Publicado em 03/07/2020, às 12h00

Rosto do Imperador Tibério Cláudio César Augusto Germânico
Rosto do Imperador Tibério Cláudio César Augusto Germânico - Divulgação

Tibério Cláudio César Augusto Germânico foi quarto imperador romano da dinastia júlio-claudiana, no entanto, não teve grande prestígio no ínicio de sua trajetória: até chegar ao posto de soberano de Roma, teve de enfrentar o desprezo e o desdenho de sua família. Isso porque o consideravam rude e pouco atraente, além de gago, foi registrado que tinha o nariz escorrendo permanentemente e a cabeça trêmula — que gerou uma teoria de uma possível paralisia cerebral.

Por conta desses fatores, Cláudio ficou o mais distante possível do poder, até que assassinaram seu sobrinho Calígula em 41 d.C, e a Guarda Pretoriana o escolheu como imperador. O Senado, na época, teve que concordar com a medida. Entretanto, como se os seus problemas fossem raros, ele teve que enfrentar mais um: no ano de 48 d.C., sua terceira esposa, Valeria Messalina, tentou realizar um golpe contra o seu governo em companhia de seu último amante, Gaius Silius — não deu certo. Messalina se suicidou e Silius foi executado.

Cláudio sendo coroado a Imperador, quadro de Lawrence Alma-Tadema, 1871 / Créditos: Wikimedia Commons

 

Mas mal sabia Cláudio o que estava por vir. O imperador decidiu em primeiro momento que não iria se relacionar mais e, se o fizesse, que a Guarda Pretoriana batesse em sua cabeça; isso era a sua idealização, na prática, ocorreu o contrário. Poucos meses depois ele acabou se casando com uma moça mais fatal do que a anterior, e também mais jovem que ele: sua sobrinha Agripina, irmã de Calígula. Ela tinha 33 anos; ele 58. A história não terminaria bem.

Incesto e morte

Em decorrência de ambos serem primos, o Senado teve que intervir criando um decreto especial para autorizar o que seria a consumação de uma união incestuosa, portanto ilegal. A relação começou de uma maneira atribulada. Não demorou para que Agripina ficasse grávida de Cláudio. Tiveram o menino Nero. Assim, ela determinou que seu filho fosse o sucessor do marido, e não o filho Britânico que o imperador tivera com Messalina.

Contudo, em 12 de outubro de 54 d.C., o soberano promoveu um banquete no Capitólio, onde dispunha da ajuda de seu provador, o eunuco Halotus. Todavia, desconhecia que a ocasião representaria a sua última refeição. E  é nela que mora o “x” da questão desta matéria. Os rumores referentes a morte de Cláudio foram vários, desde a que foi atingido enquanto assistia a uma performance de atores, até o envenenamento causado por Agripina. Essa última hipótese seria a mais consumada pela opinião romana.

Busto de Agripina. Mãe do Imperador Nero / Créditos: Wikimedia Commons

 

Em razão de a esposa ter a ganância maior do que os afetos, dado que não desejava esperar o crescimento de seu filho Nero para que ele fosse coroado a Imperador, também temia a possibilidade de Cláudio colocar o outro filho, o Britânico, como seu herdeiro.

Segundo Tácito (historiador romano), Agripina mandou o provador Halotus alimentar Cláudio com um cogumelo estragado e, quando isso não teve efeito, um médico colocou uma pena envenenada em sua garganta. Outra probabilidade para o óbito foi a relatada por Suetônio, que atribuiu a Agripina a tentativa de dar um mingau azedo para o marido.

A esposa, para não levantar suspeitas depois desse ocorrido, optou por esperar a ocasião certa para informar a todos sobre a morte. Quando o momento foi favorável, notificou a Guarda Pretoriana, e essa escoltou Nero para ser aclamado como Imperador. Entrentanto, a esposa de Cláudio também seria vítima de um episódio fatal. Em 59 d.C., Nero enviou um oficial de confiança para matar a mãe. Ela, ao que tudo indica, teria pedido para o subordinado enfiar uma lança em seu útero, o útero que carregara Nero.


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