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Pesadelo ético: Stalin tentou criar um exército de homens-macacos

"Eu quero um novo ser humano invencível, insensível à dor, resistente e indiferente à qualidade da comida que ingere", afirmou o ditador a um biólogo soviético

Redação Publicado em 25/12/2019, às 08h00

Cena do filme Planeta dos Macacos (2017)
Cena do filme Planeta dos Macacos (2017) - Divulgação

Ninguém podia dizer que lhe faltava autoridade: com seus experimentos na década de 1910, Ilya Ivanovich Ivanov basicamente inventou a inseminação artificial. E, já então, ele havia ousado revelar seu sonho: criar um híbrido de chimpanzé (ou outro grande primata) e humano.

A ideia é cientificamente plausível: a distância genética entre humano e chimpanzé é similar à de um cavalo para um jumento, e esses se reproduzem facilmente.

Obviamente, possibilidade não significa dever. O híbrido seria um pesadelo ético. E é aí que entra alguém não exatamente conhecido pela ética: Josef Stalin. Documentos descobertos em 2005 revelaram que ele acreditava ser possível criar um superexército de homens-macacos. Eles seriam armas vivas.

"Eu quero um novo ser humano invencível, insensível à dor, resistente e indiferente à qualidade da comida que ingere", relatou o ditador ao cientista. E existia mais um motivo: a União Soviética estava em guerra aberta contra a religião, e um híbrido entre nós e o chimpanzé provaria que somos parentes, descendentes de um mesmo ancestral.

Por que Stalin achava que um chimapanzomem seria tão poderoso, só perguntando ao seu fantasma. O que sabemos é que Ivanov recebeu uma bolsa equivalente a U$ 200 mil para testar suas ideias em Guiné, na África Ocidental. Ele tentou inseminar três fêmeas com sêmen humano, mas falhou. Então procurou inseminar humanas em um hospital, sem seu consentimento, e foi gentilmente convidado a voltar para a União Soviética.

Stalin em uma imagem colorizada / Crédito: Klimbim 

 

O cientista não voltou de mãos abanando. Ele levou chimpanzés vivos ao seu laboratório e por incrível que pareça conseguiu cinco voluntárias para serem inseminadas, mas os macacos morreram antes de o experimento prosseguir.

Em 1930, o cientista caiu em desgraça com o regime soviético. Stalin havia se encantado com as teorias do jovem agrônomo Trofim Lysenko, que rejeitava a genética e seleção natural, defendendo um novo tipo de lamarckismo - isto é, a possibilidade de se passar à geração seguinte características adquiridas por esforço. 

As divergências científicas receberam o mesmo tratamento que a diferença de opinião política. Em dezembro de 1930, o velho cientista foi preso e exilado para o Cazaquistão. Morreria de derrame um ano depois.


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