Matérias » Segunda Guerra

Vítima da própria crueldade: a incomum morte do nazista Johann Niemann em um campo de concentração

Em Sobibor, prisioneiros de guerra organizaram a única revolta bem sucedida dentro dos campos de extermínio, que resultou no óbito do combatente da SS

Isabela Barreiros Publicado em 08/02/2020, às 10h00

Johann Niemann
Johann Niemann - Wikimedia Commons

Muito além de Hitler, foram principalmente seus subordinados os responsáveis pelos maiores horrores já vistos mundialmente. Cerca de seis milhões de judeus foram mortos durante a Segunda Guerra, entretanto, estima-se que o número seja muito maior — a realidade nos campos de concentração é quase inenarrável.

Ainda assim, pouco é narrado sobre as tentativas de resistências pelos judeus dentro desses locais. Muitos deles, ao longo da história do genocídio praticado pelos nazistas, tentaram sobreviver e impedir que os atos de crueldade cessassem.

Sobibor foi um campo de concentração em que isso aconteceu. O local era conhecido por ter guardas nazistas descansando enquanto consomiam bebidas alcóolicas e se divertiam há apenas alguns metros onde os judeus estavam sendo dizimados. Lá, vítimas com deficiência eram assassinadas, como parte do programa de “eutanásia” T4.

Guardas nazistas descansando enquanto consomem bebidas alcóolicas e se divertem em Sobibor / Crédito: United States Holocaust Memorial Museum

 

O vice-comandante do campo de extermínio, Johann Niemann, desconfiava que as pessoas presas sob sua vigia estavam organizando uma revolta. E isso fez com que ele tomasse atitudes drásticas no local.

O sobrevivente de Sobibor, Thomas Blatt, em seu livro, Das Cinzas de Sobibor, além de narrar sua experiência dentro do local, ainda entrevistou, posteriormente, um dos nazistas que estavam no comando do campo.

Segundo o comandante de Sobibor, Karl Frenzel: “Um Kapo polonês me disse que alguns judeus holandeses estavam organizando uma fuga, então eu a retransmiti ao vice-comandante Niemann. Ele ordenou que os setenta e dois judeus fossem executados”.

E era verdade: o campo de extermínio foi o único caso conhecido de revolta bem sucedida de prisioneiros judeus durante a Segunda Guerra. Pouco tempo depois de Niemann desconfiar da organização dos presos, eles deflagraram a revolta.

No dia 14 de outubro de 1943, os integrantes da movimentação assassinaram — secretamente — 11 nazistas. O plano deles era matar todos os guardas da SS do local e, assim, sair discretamente pela porta de entrada, mas é possível imaginar que isso não aconteceu dessa maneira. Descobertos, tiveram que correr por suas vidas.

Johann Niemann (centro) do lado de fora de um campo de extermínio T4, em 1940 / Crédito: United States Holocaust Memorial Museum

 

Mas o mais interessante nesse contexto é a morte do próprio Niemann, que foi assassinado pelos prisioneiros que estavam sob seus olhos. O ex-vice-comandante nazista acabou sendo morto por um machado que havia sido empunhado por um prisioneiro judeu durante a revolta.

Depois disso, cerca de 300 dos 600 que faziam parte da rebelião conseguiram fugir do local. O restante, porém, foi executado pelos guardas que restavam em Sobibor. Tempos depois, os hitleristas demoliram o campo e plantaram pinheiros no local — como uma tentativa de apagar todas as evidências dos assassinatos em massa que fizeram no local.


+ Saiba mais sobre o Holocausto por meio das obras a seguir:

Uma Estrela na Escuridão, André Bernardino e Gabriel Davi Pierin (2017) - https://amzn.to/2RAUVza

Eu sobrevivi ao Holocausto, Nanette Blitz Konig (2015) - https://amzn.to/3avn9Uy

Última parada: Auschwitz - Meu diário de sobrevivência, Eddy de Wind (2020) - https://amzn.to/37gUKzB

Sem lugar no mundo: Relato de uma livreira judia em fuga na Segunda Guerra Mundial, Françoise Frenkel (2018) - https://amzn.to/2RBwFNg

O Pianista, Wladyslaw Szpilman (2007) - https://amzn.to/38pTfPC

Vale lembrar que os preços e a quantidade disponível dos produtos condizem com os da data da publicação deste post. Além disso, assinantes Amazon Prime recebem os produtos com mais rapidez e frete grátis, e a revista Aventuras na História pode ganhar uma parcela das vendas ou outro tipo de compensação pelos links nesta página.