Matérias » Crimes

Woodstock dos milennials: O pesadelo do Fyre Festival

Em 2017, um evento em uma ilha paradisíaca nas Bahamas repleta de luxo e boa música foi prometido para quem comprassem caros ingressos, mas a realidade foi completamente diferente

Paola Churchill Publicado em 11/05/2020, às 18h00

Modelos eram pagas para divulgar o evento que parecia ser maravilhosos
Modelos eram pagas para divulgar o evento que parecia ser maravilhosos - Divulgação

Uma ilha paradisíaca nas Bahamas lotada das mais lindas modelos e com a promessa do melhor setlist que qualquer pessoa poderia pedir. Essa era a proposta do Fyre Festival que encantou o mundo em 2017.

O evento era voltado para a mais alta elite, com pacotes que chegavam a custar até US$100 mil dólares, prometendo cabanas luxuosas, as melhores comidas, passeios de lancha e um lugar que parecia cenário da imaginação para curtir com os amigos.

Assim que foram liberados os ingressos, não levou nem dois dias para tudo estar esgotado, na tela do celular parecia o paraíso, mas assim que os convidados chegavam ao evento, viam que tudo era uma verdadeira zona.

Os idealizadores do evento: Ja Rule e Billy McFarland/Crédito: Divulgação/Netflix 

 

Festival dos horrores

A ideia de criar um festival tão inovador partiu do rapper Ja Rule e do milionário Billy McFarland. O propósito da festa era que fosse um meio de divulgar o aplicativo Fyre, uma plataforma para facilitar a contratação de celebridades do alto escalão.

O evento era vendido como o Woodstock para os Milennials, uma experiência única quase impossível. O marketing era implacável: modelos faziam campanhas no Instagram, vídeos eram liberados com as águas cristalinas do lugar que já teve como proprietário, o notório traficante Pablo Escobar.

Promessas foram feitas, mesmo que os idealizadores soubessem que nada daquilo iria acontecer. No documentário da Netflix, Fyre: o evento que nunca aconteceu (2019), Seth Crossno explica o perrengue que passou com seus três amigos.

O grupo gastou mais de 45 mil dólares pela experiência, mas, até chegarem ao aeroporto, tudo ainda parecia um sonho. Foi prometido que todos iriam chegar a remota ilha em um jatinho particular, mas, já no aeroporto, a trupe descobriu que o avião que os levariam era do pior tipo possível.

Apesar do empecilho, Crossno disse que continuava animado pois sabia que seria um evento único para entrar para a história, o que realmente aconteceu, mas, não da maneira esperada. Chegando ao local, descobriram que não era uma ilha paradisíaca isolada, mas sim a cidade de Exumas, nas Bahamas.

O local do evento ainda estava em construção, as barracas luxuosas eram na verdade tendas usadas em campos de refugiados e estavam molhadas devido a forte chuva da noite anterior. A comida apetitosa não passava de pão com queijo e os artistas que foram divulgados afirmaram com todas as letras que não foram pagos e a infraestrutura do evento impedia deles de tocarem.

Os jovens esperavam um lugar paradísiaco e se depararam com uma obra em construção/Crédito: Divulgação

 

O problema local

Assim como garantiram para milhares de jovens uma experiência única, McFarland e Ja Rule prometeram a população de Exumas ótimas oportunidades de emprego se eles ajudassem na construção do festival.

Um evento dessas proporções geralmente leva um ano para ficar pronto, contudo, foram três semanas de trabalho árduo do povo de Exumas e, mesmo com todos os esforços, todos sabiam que não conseguiram entregar um evento daquela proporção a tempo. 

Nas redes sociais, a catastrófe viralizou/Crédito: Divulgação/Twitter 

 

Não foram só os participantes do Fyre Festival que sofreram com as mentiras dos vigaristas, os trabalhadores não foram pagos e os comerciantes tiveram que tirar de seus próprios bolsos para atenderem o público revoltado com tanta desgraça.

Os jovens também encontraram problemas ao tentarem voltar para casa. As malas se perderam no caminho e ao entardecer, o público começou a brigar para ver quem ficava com as barracas.

O festival foi cancelado horas depois e todos foram mandados de volta para o aeroporto. Mais um problema surgiu nesse meio tempo, a multidão foi trancada no aeroporto local e tiveram que passar um dia lá, sem água ou alimentos, até que os aviões fossem liberados.

O fim da fraude

Os jovens frustados não demoraram e entraram com uma ação contra McFaland e sua equipe, alegando negligência. O valor de indenização chegou ao valor de 100 milhões de dólares.

Em 2018, o mentiroso Billy foi condenado a seis anos de cárcere por fraude, apesar de muitos acharem pouco tempo para o estrago que ele e sua catástrofe milionária causou para Exumas e para os participantes do evento.

Billy McFaland tentando acalmar os jovens revoltados com o fiasco/Crédito: Divulgação/Netflix 

 

Enquanto isso, Ja Rule, que se autodeclarava o co-idealizador do evento, não foi preso ou acusado por fraude. Seus advogados afirmaram que Billy usava o nome do rapper para promover a cerimônia e que ele não tinha nada a ver com isso.

Pouco tempo depois do evento horrível, foi feita uma pesquisa com os jovens que participaram da experiência perguntando se eles iriam de novo para o festival: 80% deles disseram que sim.


+ Saiba mais sobre festivais que deram certo por meio das obras disponíveis na Amazon: 

Rock In Rio, Luiz Felipe Carneiro (2011) - https://amzn.to/37SpNRX

Rock in Rio, A arte de sonhar e fazer acontecer: Entenda o modelo de cultura que transformou um sonho ambicioso em uma marca magnética e em um negócio bem-sucedido, Allan Costa e Arthur Igreja (2019) - https://amzn.to/307SKa5

Rock in Rio 30 Anos, Vários Autores (2015) - https://amzn.to/3096bGy

Vale lembrar que os preços e a quantidade disponível dos produtos condizem com os da data da publicação deste post. Além disso, a Aventuras na História pode ganhar uma parcela das vendas ou outro tipo de compensação pelos links nesta página.

Aproveite Frete GRÁTIS, rápido e ilimitado com Amazon Prime: https://amzn.to/2w5nJJp 

Amazon Music Unlimited – Experimente 30 dias grátis: https://amzn.to/3b6Kk7du