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Yoshiko Kawashima, a Mata Hari do Oriente

Perdendo o posto de princesa, Kawashima teve um fim trágico

Victória Gearini Publicado em 30/09/2019, às 18h19

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Reprodução

Conhecida pelo seu apelido de Eastern Mata Hari (Mata Hari do Ocidente), Yoshiko Kawashima nasceu no clã imperial Aisin Gioro, da dinastia Qing, liderada por Manchu, em Pequim. Em 1912, durante a Revolução Xinhai, a dinastia Qing perdeu seu poder e a princesa, que até então se chamava Aisin Gioro Xianyu, foi colocada à adoção aos oito anos de idade.

Em 1915, a garota foi adotada por um agente de espionagem japonês que mudou seu nome e a levou para morar no Japão. Entre abusos sexuais e psicológicos, por parte de seu pai adotivo, a jovem foi obrigada a se casar com um pretendente arranjado pela sua nova família.    

A espiã / Crédito: Reprodução

 

Aos 20 anos, casou-se com Ganjuurjab, mas a relação durou apenas três anos. Kawashima mudou-se da Mongólia — onde vivia, até então, com o seu ex-marido — e viajou pela China e Tóquio. Durante esse período, ela teve alguns amantes, entre eles homens e mulheres.

Depois de visitar diversos lugares e aproveitar sua breve vida boemia, Kawashima mudou-se para Xangai, onde conheceu o militar e oficial de inteligência japonesa. Ryukichi Tanaka. O homem aproveitou os contatos da princesa com a nobreza de manchu (sua origem) e mongol (herança de seu ex-marido) para expandir sua rede.

Ela morava com Tanaka quando o Incidente de Xangai, ocorrido em 1932 eclodiu. O conflito armado aconteceu entre o Exército da República da China e o Exército Imperial Japonês, que mais tarde originou a Segunda Guerra Sino-Japonesa, em 1937. Nesse período, Kawashima atuou como espiã do Exército Kwantung japonês.

Após servir para Tanaka, ela trabalhou para o general Kenji Doihara. Próxima do imperador Puyi, o último da dinastia Qing, a agente secreta aproveitou sua influência para convencê-lo a se tornar um governante de um Estado fantoche, criado pelos japoneses na Manchúria. Além disso, por um bom tempo, foi amante de Hayao Tada, braço direito e conselheiro militar do imperador.

A espiã chegou a liderar uma cavalaria com aproximadamente cinco mil soldados e ex-bandidos, com o objetivo de caçar guerrilhas anti-japonesas, durante a invasão da Manchúria.

Kawashima virou notícia em diversos jornais da época e uma figura de grande notoriedade. No entanto, sua popularidade gerou problemas para o Exército de Kwantung — o qual a espiã trabalhava — pois cada vez mais comprometia as operações políticas na Manchúria.

Após a Segunda Guerra Sino-Japonesa, em 1945, ela foi capturada e julgada.  No tribunal, a espiã se identificou pelo seu nome chinês Jin Bihui. O júri recusou todas suas tentativas de defesa e foi acusada de traição pelo governo nacionalista da República da China. Em 1948, foi executada por uma bala na nuca e teve seu corpo exposto em praça pública. Seus restos mortais foram devolvidos à sua família adotiva e enterrados no Japão.