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Histórias esquecidas: 3 heróis do Holocausto que você deveria conhecer

Responsáveis por salvar inúmeras vidas durante a Segunda Guerra, eles se tornaram parte importante da História, porém, suas memórias acabaram se perdendo com o passar dos anos

Fabio Previdelli Publicado em 02/01/2021, às 10h00

Em ordem: Irena Sendler, Frank Foley e Raoul Wallenberg
Em ordem: Irena Sendler, Frank Foley e Raoul Wallenberg - Montagem/ Wikimedia Commons

O próximo dia 25 de janeiro marca os 76 anos em que o Exército Vermelho libertou os prisioneiros do campo de concentração de Auschwitz. Além do mais, a data também homenageia todos os milhões de pessoas que foram brutalmente assassinadas pelos  nazistas durante a Segunda Guerra.  

O que foi descoberto naquela manhã de inverno abalou o mundo, afinal, até então, pouco se sabia sobre o funcionamento sistemático de execução em massa implementado pela Solução Final de Adolf Hitler.  

Lutando contra a agressão totalitária do Terceiro Reich na Europa Ocidental desde 1931, as forças Aliadas tinham pouco conhecimento do que se passava por trás dos portões de Auschwitz-Bierkenau, Bergen-Belsen, Buchenwald, Dachau e de todos os outros campos de concentração. 

Prisioneiros do campo de concentração de Auschwitz / Crédito: Getty Images

 

A verdade do Holocausto estava além da compreensão humana e sua realidade só passou a ser compreendida melhor após testemunhos de sobreviventes, dados sobre os prisioneiros e histórias vividas e relatadas por todos que sofreram ali.  

Hoje, porém, é possível ter uma noção muito mais abrangente de tudo o que ocorreu por lá, tendo, inclusive, um museu em Auschwitz que retrata os horrores realizados por trás de seus portões. 

Isso sem contar as histórias bem conhecidas de pessoas que fizeram de tudo para salvar prisioneiros, como foram os casos de Oskar Schindler e Sir Nicholas Winton.

Entretanto, ainda assim, há muitas memórias que se perderam no tempo, mas que não deixam de ter uma parte importante na história.

Pensando nisso, o site Aventuras na História decidiu separar às trajetórias de três desconhecidos da Segunda Guerra.

1. Irena Sendler 

Enfermeira polonesa, Irena Sendler, também conhecida como “Jolanta”, serviu como chefe do departamento infantil de Zegota, o Conselho Polonês de Ajuda aos Judeus. Em seu posto, ajudou a ‘contrabandear’ 2.500 crianças judias para fora dos guetos de Varsóvia.  

Irena Sendler / Crédito: Wikimedia Commons

 

Usando todo seu status de oficial médica, ela aproveitava suas inspeções sanitárias para recolher crianças em carrinhos de bebê, ambulâncias e até mesmo malas. Em seguida, ela enviava essas crianças até a casa de famílias católicas polonesas, onde cada uma delas recebia um pseudônimo cristão, além de identidades falsas. 

Em solidariedade às vítimas da tirania nazista, Sendler usava uma estrela de Davi amarela em todas suas atividades. Ela também mantinha registros meticulosos do paradeiro das crianças. Porém, esses documentos tiveram que ser destruídos rapidamente quando a Gestapo a prendeu.  

Torturada e condenada a morte por um pelotão de fuzilamento, Irena consegui escapar da execução quando outros membros da Zegota subornaram guardas nazistas. Sobrevivente não só da guerra como da ocupação da Polônia pela URSS, a enfermeira morreu em 2008, aos 98 anos.  

“Cada criança salva com a minha ajuda é a justificativa de minha existência nesta terra e não um título de glória”, disse em uma ocasião sobre o papel que desempenhou na Segunda Guerra.


2. Frank Foley 

Oficial britânico de inteligência secreta, Frank Foley tinha uma reputação de “quebrar as regras” enquanto trabalhava disfarçado em um escritório de controle de passaporte em Berlim, com isso, ajudou judeus a escapar da Alemanha.  

Frank Foley / Crédito: Wikimedia Commons

 

Responsável por organizar e dirigir pequenas unidades de agentes secretos na França, Bélgica e Holanda, Foley foi, posteriormente, enviado até a Alemanha para recrutar e gerenciar agentes de campo, tarefa que realizou com extrema habilidade e discrição. 

Por lá, carimbou passaportes e emitiu vários vistos que permitia que judeus fugissem para a Grã-Bretanha e a Palestina, desafiando as autoridades durante a Noite dos Cristais Quebrados.  

Encarregado de elaborar um extenso e completo relatório sobre Rudolf Hess, vice-líder do Partido Nazista, foi homenageado como as medalhas de Companheiro da Ordem de São Miguel e São João em 1941.  

Durante o julgamento de Adolf Eichmann, em 1961, foi revelado que Foley havia morrido três anos antes, em 1958, sendo responsável por salvar “dezenas de milhares” de vidas durante o conflito todo.


3. Raoul Wallenberg 

O diplomata sueco Raoul Wallenberg desempenhou um papel igualmente central no resgate de judeus da Hungria. Por lá, emitiu passaportes de proteção reconhecendo-os como cidadãos suecos. 

Raoul Wallenberg / Crédito: Wikimedia Commons

 

Wallenberg também abrigou as vítimas das Leis de Nuremburg (impostas pela Alemanha em 1935) em 32 prédios do governo em Budapeste. Porém, acabou sendo preso pela URSS, em 17 de janeiro de 1945, após o Cerco de Budapeste, sendo acusado de espionagem.  

Posteriormente, o diplomata desapareceu e a data de sua morte permanece desconhecida até hoje, embora se pense que ele pode ter morrido enquanto estava preso pelo KGB em Lubyanka, em 1947. 

A Agência Fiscal Sueca só reconheceu oficialmente a morte de Wallenberg em outubro de 2016. Postumamente, Raoul foi nomeado cidadão honorário de vários países em homenagem a seu heroísmo, incluindo Hungria, Israel, Canadá e Austrália.


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