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Holocausto Canibal: o filme que passou de todos os limites

Com cenas explícitas de canibalismo, genocídio e tortura, a produção de 1980 foi considerada a mais polêmica já lançada

Alana Sousa Publicado em 14/02/2021, às 17h00

Cienasta Ruggero Deodato no set de filmagem do Holocausto Canibal
Cienasta Ruggero Deodato no set de filmagem do Holocausto Canibal - Divulgação

Sexo, tortura, morte, estupro, genocídio, assassinato de animais e, principalmente, canibalismo. O filme Holocausto Canibal, do diretor Ruggero Deodato, causou polêmica quando foi lançado em 1980. A obra recebeu duras críticas pelo fato de apresentar um enredo macabro com imagens um tanto quanto explícitas.

O cineasta (hoje com 81 anos) enfrentou até mesmo a Justiça da Itália sob a acusação de ter realmente assassinado os atores de sua produção; tamanha era a veracidade das cenas. O longa acabou por ser censurado durante três anos em 40 países, já no Reino Unido, a proibição durou duas décadas.

Holocausto Canibal

Por quase duas horas, o telespectador é submetido a uma história que faz pouco sentido. Uma equipe de diretores americanos num cenário natural, filmado na fronteira entre a Colômbia e o Brasil, tem como missão encontrar a expedição anterior ao mesmo local, mas não obtêm sucesso.

A partir daí, tudo o que o público vê são, supostamente, gravações perdidas do que acontece com o grupo após eles adentrarem um território repleto de indígenas canibais.

As imagens, fortes demais para serem incluídas nesta matéria, podem, facilmente, ser encontradas na internet, apesar de oferecerem atuações perturbadoras e uma visão distorcida sobre aldeias amazônicas.

Bastidores de Holocausto Canibal / Crédito: Divulgação

 

Os cineastas de Holocausto Canibal sofrem os mais diversos tipos de tortura até terminarem mortos nos atos de canibalismo. Claro, as cenas são fictícias, entretanto, algo em particular chamou atenção por ter ocorrido de maneira brutal na obra.

Entre todas as escolhas ousadas de Deodato, a mais infame é o massacre de animais selvagens. “A morte dos animais, embora insuportável - principalmente na mentalidade urbana atual - sempre aconteceu para alimentar os personagens ou a equipe do filme, tanto na história quanto na realidade”, lamentou Ruggero em entrevista ao The Guardian, em 2011.

Ainda que alegue ser um defensor da causa indígena, o diretor abusa do estereótipo selvagem, retratando de forma leviana como seria a vida e costume nas aldeias.

Deodato reiterou que os figurantes sabiam que estavam sendo representados daquela maneira, acrescentando que “faz parte da tradição deles. É uma coisa ancestral. Quando eles travavam uma batalha, o líder da tribo perdida era morto e comido pelos vencedores. Faz parte do passado deles. Eles não negam isso”.

Considerado o filme mais polêmico já feito, o longa consegue levar a brutalidade para níveis nunca mais reproduzidos da mesma forma no cinema. Sobre as inspirações violentas que resultaram na produção insólita, o italiano buscou lembranças de quando era assistente de direção no Django de Sergio Corbucci.

Ruggero Deodato com idade mais avançada / Crédito: Divulgação

 

“Era a época das Brigadas Vermelhas. Todas as noites na TV havia imagens muito fortes de pessoas sendo mortas ou mutiladas. Não apenas assassinatos, mas também algumas invenções. Eles estavam aumentando o sensacionalismo das notícias apenas para chocar as pessoas.”

Paralelamente a gravação da obra, um produtor de Ruggero entregava jornais com imagens supostamente verídicas para pessoas, que ficavam horrorizadas e enfeitiçadas pela crueldade — o cineasta acreditava que isso traria ainda mais lucro para seu trabalho. “Meu produtor na Itália estava exibindo jornais diários nos mercados de cinema e obtendo uma resposta incrível”.

Embora tenha recebido uma quantia significativa com a estreia de Holocausto Canibal, o diretor jamais teve tanta visibilidade novamente. Com sua reputação manchada, a última cartada para relembrar sua carreira foi em 2011, quando o filme foi relançado apenas para a versão DVD.


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