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Homem de Cheddar, o britânico de 10 mil anos que era negro e tinha olhos azuis

Esqueleto humano mais antigo da Inglaterra apresentou características diferentes do que se supunha

Isabela Barreiros Publicado em 20/11/2021, às 08h00

Reconstrução facial do homem de Cheddar
Reconstrução facial do homem de Cheddar - Tom Barnes/Channel 4, serviço público

Na Caverna de Gough, próximo ao vilarejo de Cheddar, na Inglaterra, onde o queijo homônimo foi criado, foi encontrado um esqueleto humano em 1903. Mais tarde, pesquisadores chegaram à conclusão de que a descoberta tinha cerca de 10 mil anos.

Trata-se do fóssil humano mais antigo achado na Inglaterra, que remonta ao período Mesolítico. O indivíduo, que ficou conhecido como “homem de Cheddar” em homenagem ao local onde foi encontrado, provavelmente teve uma morte violenta.

De grande importância para a comunidade científica, o esqueleto foi objeto de estudo de inúmeras investigações, que tentaram realizar análises genéticas no mais idoso dos britânicos.

Crânio do homem de Cheddar / Crédito: Channel 4, serviço público

 

Sem as tecnologias qualificadas que temos hoje, as primeiras imagens desenvolvidas por cientistas eram a de um homem de pele clara, cabelos lisos e olhos escuros. Eles não tinham dados genéticos, apenas uma concepção evolutiva sobre a cor de pele.

Uma análise de 2018 colocou essa afirmação em cheque. Pesquisadores do Museu de História Natural de Londres e da universidade londrina UCL (University College London) foram capazes de extraíram o DNA do fóssil e chegaram a novas conclusões.

Na verdade, o fóssil do homem de Cheddar pertenceu a um homem negro que tinha olhos azuis e cabelo castanho escuro crespo.

Pesquisadores com a reconstrução facial do fóssil mais antigo da Inglaterra / Crédito: Channel 4, serviço público

 

O material genético, retirado do osso petroso do crânio do esqueleto, uma parte próxima ao ouvido, possibilitou que os especialistas identificassem o novo fenótipo para as pessoas que habitaram a Grã-Bretanha há 10 mil anos, como ressaltou a BBC na época.

Além disso, também permitiu que uma reconstrução facial do indivíduo do Mesolítico fosse produzida, que mostrou em primeira mão aos cientistas como esse homem provavelmente era em vida. O trabalho foi feito pelos artistas forenses Alfons e Adrie Kennis.

Cor de pele

“Pouco tempo atrás, os cientistas sempre consideraram que o ser humano se adaptou rapidamente para ter pele mais clara quando chegou à Europa, há 45 mil anos”, explicou Tom Booth, principal líder do estudo, em nota.

“Pele mais clara é melhor em absorver radiação ultravioleta, e ajuda com a vitamina D em lugares com menos luz solar”, completou.

No entanto, a pesquisa, cujos resultados foram divulgados em 2018, indica que os genes de pele mais clara provavelmente não eram predominantes na Europa há 10 mil anos, quando o homem de Cheddar viveu.

Supõe-se que eles tenham começado a se difundir mais tarde do que se especulava, há cerca de 6 mil anos, quando pessoas do Oriente Médio começaram a chegar na Grã-Bretanha, que tinham pele clara e cabelo castanho.

Face do homem de Cheddar / Crédito: Divulgação/Youtube/CBS Mornings

 

Outro fator ressaltado pelos pesquisadores é que a origem geográfica não necessariamente era importante para determinar a cor da pele de um indivíduo, como acontece nos dias de hoje.

“Nós não podemos supor coisas sobre a aparência das pessoas do passado com base em sua aparência no presente. As combinações de características que estamos acostumadas a ver hoje não são fixas”, destacou Tom Booth, arqueólogo do Museu de História Natural em Londres, que participou do projeto.

Ainda não há consenso sobre o que pode ter feito a pele mais clara ter se tornado mais comum ao longo dos séculos. Os pesquisadores, no entanto, sugerem que a dieta à base de cereais pode ter causado uma deficiência de vitamina D, que fez com que as pessoas tivessem que processá-la por meio da luz solar.

"Podem haver outros fatores causando menor pigmentação da pele ao longo do tempo nos últimos 10 mil anos. Mas essa é a grande explicação à qual a maioria dos cientistas se fia", afirmou Mark Thomas, geneticista da UCL, que também esteve envolvido na pesquisa.



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