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Homem do Machado de Nova Orleans, o serial killer que poupou a vida dos amantes de jazz

Sanguinário e misterioso, o assassino amedrontou os moradores da cidade motivado por racismo e xenofobia

Fabio Previdelli Publicado em 11/05/2020, às 18h00 - Atualizado às 19h00

Foto ilustrativa de uma pessoa segurando um machado
Foto ilustrativa de uma pessoa segurando um machado - Creative Commons

Em 19 de março de 1919, o som do jazz ecoava por todos os cantos de Nova Orleans como nunca havia se ouvido antes. Todas as danceterias e bares estavam lotados e as bandas tocavam em festas em dezenas de casas espalhadas por toda a cidade.

Entretanto, apesar de ser conhecida como o berço daquele gênero musical, a cidade seguia o ritmo dos saxofones não por prazer, mas por medo. Tudo começou três dias antes, quando o jornal local The Times-Picayune publicou uma carta aberta escrita pelo famoso serial killer conhecido como O Homem do Machado de Nova Orleans. O cruel assassino já havia matado antes e ameaçou fazê-lo novamente no dia em questão, às 12h15, caso descobrisse alguma casa que não tocasse jazz.

Como o próprio nome já sugere, o machado era sua arma favorita para cometer seus atentados, embora ele nunca usou o mesmo instrumento. Muitas vezes, o maníaco utilizava uma machadinha, navalha ou que estivesse à disposição, como uma faca de açougueiro.

Um mapa com imagens de onde o Homem do Machado teria atacado suas vítimas / Crédito: Wikimedia Commons

 

Embora ele tenha atacado cerca de uma dúzia de pessoas com esses instrumentos ao longo de um ano e meio, o serial killer nunca foi pego. Mas várias pessoas suspeitavam quem ele era e descreveram o agressor como um homem de “pele escura”, “corpulento” e que usava um chapéu “virado para baixo”.

Essas vagas descrições obrigaram as autoridades a lançarem uma ampla rede de investigações de suspeitos. Inúmeras pessoas enfrentaram interrogatórios, e até algumas das próprias vítimas se tornaram suspeitas de serem o Homem do Machado, como foi o caso de Louis Besumer. No entanto, cada caso investigado era derrubado ladeira abaixo por falta de evidências.

Os crimes

Na noite de 22 de maio de 1918, o dono da mercearia italiana Joseph Maggio e sua esposa Catherine foram descobertos deitados na cama em uma poça de sangue. Os irmãos de Joseph, que moravam ao lado, foram os que encontraram os corpos. O casal teve suas gargantas cortadas com uma lâmina de barbear enquanto dormiam. Suas cabeças foram então esmagadas com um machado. O pescoço da mulher estava tão cortado que quase se separou do resto do tronco.

Ilustração do Homem do Machado / Crédito: Creative Commons

 

O assassino havia entrado na propriedade cinzelando um painel de madeira mais baixo na porta dos fundos. Após o assassinato, o machado foi deixado no banheiro e a navalha distribuída no jardim do vizinho. Nenhum item valioso foi tomado para eliminar o roubo como motivo.

A única pista que deixara era uma mensagem enigmática escrita com giz, na calçada a uma curta distância da cena do crime, que dizia: "A sra. Maggio vai se sentar hoje à noite, assim como a sra. Toney".

A polícia teorizou que esta mensagem se referia a senhora Tony Schiambra, que era uma das várias donas de mercearias de descendência italiana que foram mortas após serem atacadas durante o período entre 1911 e 1912. A maioria daquelas vítimas havia agredido um homem, que empunhava um machado, que havia entrado em suas propriedades à noite batendo um painel na porta dos fundos. Aquele podia ser um esboço do que estava por vir anos depois.

Um mês após a morte dos Maggio, o Homem do Machado supostamente atacou novamente. Em 27 de junho, o padeiro John Zanca foi fazer uma entrega no supermercado de propriedade de Louis Besumer. Percebendo que algo não estava certo, Zanca foi até a porta nos fundos da loja, onde sabia que Besumer e sua amante Harriet estavam morando. Foi então que ele encontrou o Besumer coberto de sangue, mas ainda muito vivo. Novamente os padrões do crime anterior se repetiam. E novamente suspeitos foram investigados, mas todos liberados por faltas de provas.

O próximo ocorreu em agosto daquele ano, desta vez com uma mulher grávida chamada Sra. Schneider. Depois de um longo dia de trabalho, o marido voltou para casa e encontrou a esposa coberta de sangue. Seu couro cabeludo havia sido cortado e alguns dentes arrancados, mas ela ainda estava viva. Felizmente, ela recuperou a consciência, mas foi incapaz de identificar o criminoso.

As motivações do Homem do Machado de Nova Orleans

Apesar da brutalidade que exercia contra suas vítimas, o real responsável por esses crimes parecia longe de ser descoberto e suas práticas foram se tornando mais recorrentes com o passar do tempo.

Finalmente, o serial killer só parou sua ira após ameaçar a cidade inteira com a fatídica carta que divulgou. Quando o relógio bateu 12h15 do dia 19 de março, a cidade de Nova Orleans estava viva e barulhenta. Um compositor local, Joseph Davilla, até criou uma música para aquela noite, intitulada 'The Mysterious Axeman's Jazz'. O som foi um enorme sucesso.

O clima parece ter agradado o criminoso, afinal, nenhum crime foi registrado naquela noite. Posteriormente, ele voltaria a tacar outras três pessoas: Steve Boca, um dono de mercearia, no dia 10 de agosto; a jovem Sarah Laumann, de 19 anos, na noite de 3 de setembro de 1919; e Mike Pepitone, na noite de 27 de outubro de 1919. Este seria o último dos ataques do Homem do Machado.

Assim como o jazz parece tê-lo acalmado, preconceitos raciais podem tê-lo irritado. Uma teoria sustenta que os ataques foram motivados racialmente, já que a maioria das vítimas eram imigrantes ítalo-americanos, que estavam enfrentando uma onda geral de fanatismo nos EUA durante aquela época.

Uma arte de capa para partituras escritas em resposta aos assassinos cometidos pelo Homem do Machado / Crédito: Wikimidia Commons

 

Sob essa ótica, os investigadores também questionaram se os crimes não podem estar relacionados à máfia. No entanto, esse ponto de vista nunca pode ser provado verdadeiramente.

Entretanto, apesar das teorias, a identidade do Homem do Machado de Nova Orleans permanece um mistério até hoje, retratado em diversos momentos da cultura pop como em American Horror Story e no romance Haunted de Chuck Palahniuk, o personagem deixou de ser somente um ser desconhecido passou a fazer parte do folclore norte-americano.  


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