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Homicídio ou corrupção policial? A bizarra chacina da Família Pesseghini

Em agosto de 2013, cinco pessoas foram assassinadas na mesma casa. Anos mais tarde, a teoria sobre uma possível queima de arquivos da Polícia Militar ainda intriga o país

Pamela Malva Publicado em 24/11/2020, às 18h30

Fotografia de Andreia Regina, Luis Marcelo e Marcelo Eduardo, respectivamente
Fotografia de Andreia Regina, Luis Marcelo e Marcelo Eduardo, respectivamente - Wikimedia Commons

Em agosto de 2013, o Brasil conheceu um dos crimes mais revoltantes que já ocorreram no país. Na tarde do dia 5 daquele mês, a chacina da família Pesseghini gerou um sentimento nacional de puras indignação e injustiça.

Isso porque, mesmo anos mais tarde, muitas pessoas ainda acreditam que a solução do caso não é verdadeira. Para os que acreditam em teorias da conspiração, o caso do assassinato dos Pesseghini é um prato cheio de mistério e muitas pontas soltas.

Nesse sentido, muitos defendem até hoje que o crime é cercado por corrupção e esquemas criminosos orquestrados pela Polícia Militar de São Paulo. Por esse motivo, inclusive, o caso foi levado para a Comissão Interamericana de Direitos Humanos.

Fotografia da família Pesseghini / Crédito: Divulgação/Youtube

 

O crime que chocou o país

Tudo começou na tarde de 5 de agosto de 2013, quando a polícia foi chamada para investigar um assassinato, às 18h daquele dia. Segundo a denúncia, cinco pessoas da mesma família teriam sido mortas na própria casa, em São Paulo.

Além de Benedita Oliveira Bovo, de 65 anos, e sua irmã, Bernardete Oliveira da Silva, de 55, um casal de policiais também foi encontrado sem vida, ao lado do filho de 13 anos. Eram a cabo da Polícia Militar Andreia Regina, o sargento da ROTA Luis Marcelo e o jovem Marcelo Eduardo.

Logo que chegaram na casa da família, por perto das 19h, no entanto, os policiais perceberam que a cena do crime não estava em estado idôneo (preservado para os oficiais). Ainda mais, cerca de 200 pessoas entraram e analisaram o local naquele dia.

Fotografia pessoal da família Pesseghini / Crédito: Divulgação/Youtube

 

As faces de um mesmo crime 

Pouco depois que as investigações do crime começaram, os profissionais já descartaram a teoria de que os assassinatos tenham sido algum tipo de ataque específico ao casal de policiais. Assim, nasceu a hipótese de um crime familiar.

Não demorou muito até que os dedos fossem apontados para Marcelo, o menino de 13 anos. Para os investigadores, o garoto teria matado toda a sua família e cometido suicídio logo em seguida. Assim, ele se tornou o principal suspeito.

A fim de analisar a saúde mental do garoto, então, exames psicológicos póstumos foram realizados no cérebro de Marcelo. Além dos resultados, o laudo ainda contou com depoimentos de familiares do menino e declarou que ele sofria de falta de oxigenação no cérebro, o que teria causado um “delírio encapsulado”.

Fotografias de Marcelo com seus pais / Crédito: Divulgação/Youtube

 

Um garoto nos olhos da mídia

Na época do caso, muitos jornais apontaram o gosto de Marcelo pelo videogame Assassin´s Creed, citado pelo psiquiatra no laudo médico. Tamanha foi a repercussão, que a empresa desenvolvedora do jogo até publicou uma nota, afirmando que sua produção nada tinha a ver com o assassinato, já que ela não incitava violência.

Em meados de outubro, a Polícia Civil, o Ministério Público e o Tribunal de Justiça de São Paulo concluíram que o Marcelo teria sido o responsável pelo crime. A Polícia Militar (PM), por sua vez, seguiu investigando o caso. 

De repente, os assassinatos tomaram conta da mídia internacional. Veículos como os britânicos Daily Mail e Daily Mirror e o espanhol Telecinco criticavam o fato de que, na época da chacina, a mãe de Marcelo estava movendo uma denúncia contra corrupção.

Fotografia do jovem Marcelo com seu pai / Crédito: Divulgação/Youtube

 

Um mistério assustador

Acontece que, segundo o deputado estadual Major Olímpio, “a cabo Andreia foi convidada por colegas para participar do furto de caixas eletrônicos". Após ter recusado a oferta indecorosa, ela passou a denunciar o esquema de corrupção dentro da PM.

Foi assim que o caso de crime familiar logo se tornou uma possível queima de arquivo. Ainda que não houvessem registros de que Andreia estava sendo ameaçada, as pessoas começaram a duvidar da polícia — e, para piorar, a investigação iniciada pela cabo assassinada foi interrompida pela Justiça Militar, que sequer criou um inquérito.

Como se, para muitos, já não fosse suficiente a ideia de um crime de vingança, diversas provas surgiram, sugerindo que Marcelo realmente não cometeu os crimes. Análises mostraram que o menino não tinha pólvora nas mãos e marcas em seus braços sugeriram que Marcelo teria lutado em legítima defesa antes de ser morto.

Após o fechamento misterioso do caso, diversos pedidos de reabertura foram protocolados, apontando quase 15 provas de que a solução estava equivocada. Nenhum deles foi aceito pelo Superior Tribunal de Justiça ou pelo Supremo Tribunal Federal.

Indignada, a família das vítimas levou o caso para a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA), nos Estados Unidos, em 2018. Caso o recente pedido seja aceito pelo órgão, uma nova comissão será enviada ao Brasil, com o objetivo de investigar a misteriosa chacina dos Pesseghini.


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