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Honra e tradição: Nakano Takeko a samurai que ordenou a própria decapitação

Ao lado de outras guerreiras, a combatente se destacou na Guerra de Boshin e, durante uma das batalhas, levou um golpe fatal

Pamela Malva Publicado em 25/04/2020, às 13h00

Imagem meramente ilustrativa de guerreira samurai
Imagem meramente ilustrativa de guerreira samurai - Wikimedia Commons

Durante grande parte do século 19, o Japão manteve uma de suas grandes tradições: os samurais. Detentoras da força e da honra de verdadeiros guerreiros, essas figuras foram retratadas por diversas vezes na cultura popular.

Independente dos filmes e livros, no entanto, os samurais foram muito mais do que vemos nas telonas. Soldados da nação, tais guerreiros eram profundamente ligados à sua cultura e ao mandante do país e chegavam a jurar sua vida pela causa.

Foi essa a motivação de Nakano Takeko, a guerreira que, durante uma batalha, ordenou a própria decapitação. Forte e determinada, ela ficou marcada na história japonesa como uma das samurais de maior honra de sua época.

Nakano Takeko, a grande samurai / Crédito: Wikimedia Commons

Um futuro promissor

Nakano Takeko nasceu em 1847, na cidade de Edo, hoje conhecida como a grande Tóquio. Filha primogênita do oficial Aizu e samurai Nakano Heinai, ela tinha dois irmãos mais novos e cresceu em uma família muito poderosa.

Como parte da tradição da época, a pequena Nakano passou a estudar já aos 6 anos de idade. Durante uma década, ela recebeu ensinamentos sobre artes marciais, artes literárias e caligrafia, além de estudar clássicos confucionistas chineses.

Nessa época, Nakano foi adotada por seu professor, o sábio Akaoka Daisuke. Seguindo o exemplo do pai adotivo, a jovem começou a dar aulas na escola onde estudava e transmitia todo seu conhecimento para crianças mais jovens.

Uma vez certificada em artes marciais, deu diversas aulas sobre naginata, uma arma branca japonesa. Nakano viajou até Osaka com seu mestre na época, mas acabou voltando à Edo quando fugiu de um casamento arranjado.

Nasce uma guerreira

Em fevereiro de 1868, Nakano colocou seus pés em Aizu pela primeira vez. Trabalhando como instrutora de naginata, a guerreira dava aula para mulheres e crianças no castelo de Aizuwakamatsu.

Naquele mesmo ano, envolveu-se na Guerra de Boshin, ao lado de outras guerreiras samurai. No conflito, Nakano lutou em defesa do shōgun Tokugawa Yoshinobu e se destacou por usar uma arma branca, enquanto seus rivais dispunham de pistolas.

Nakano e suas companheiras do grupo conhecido como Jōshitai, o exército feminino, entraram no campo de batalha de forma autônoma e, mesmo assim, ganharam território. Elas chamaram atenção por sua forma de combate e por sua garra letal.

Foi durante uma defesa na ponte Yanagi, em Fukushima, que as Jōshitai fizeram história. Enquanto avançavam, o exército adversário percebeu que a frente era composta por mulheres e decidiu por cessar fogo.

Percebendo o erro dos rivais, as guerreiras samurai se aproximaram e empunharam suas naginatas. Com a arma tradicional em mãos, as Jōshitai deixaram centenas de motos antes que os inimigos percebessem seu erro e voltassem a atirar.

Nakano Takeko (em pé) ao lado de outra samurai / Crédito: Wikimedia Commons

 

O fim de uma samurai

Enquanto avançava sobre o exército rival, Nakano Takeko matou cerca de cinco guerreiros com uma fúria singular. Em determinado momento, entretanto, foi atingida pelo tiro de uma espingarda.

Orgulhosa, a samurai temia que seu corpo fosse usado como troféu de batalha pelos inimigos e ordenou que sua irmã, Yūko, a decapitasse. Mesmo que tenha morrido em combate, Nakano queria ser enterrada de forma honrosa.

Assim, ainda em campo de batalha, enquanto outras Jōshitai lutavam para defender seu território, o pescoço de Nakano foi cortado e Yūko levou a cabeça de sua irmã até o templo Hōkai da família. Dessa forma, a grade samurai finalmente voltou para casa.


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