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Horrores do século 17: Elizabeth Ridgeway a fria envenenadora da Inglaterra

Ridgeway dizia escutar ordens de um espírito para colocar veneno em caldos e bebidas, finalizando desentendimentos de uma vez por todas

Vanessa Centamori Publicado em 27/04/2020, às 18h05

Imagem meramente ilustrativa de mulher envenenando drink
Imagem meramente ilustrativa de mulher envenenando drink - Divulgação

Elizabeth Ridgeway era uma garota reservada, vivia na Inglaterra, em uma fazenda de Lei∣cester, em pleno século 17, quando finalmente deixou a casa dos pais, aos 29 anos. A moça certamente já tinha alcançado a maturidade. Porém, o motivo para deixar seu lar cristão não foi sua independência, mas sim, um instinto assassino: ela havia matado a própria mãe, envenenada. 

O motivo do crime era chulo - uma mera discussão no ambiente doméstico. E o modus operandi se repetiu, quando Ridgeway passou a trabalhar como empregada, um ano depois, em 1682. Foi nessa época que ela assassinou um de seus pretendentes, que trabalhava em uma casa ao lado. O nome do homem apaixonado era John King. Ele morreu tragicamente após ingerir arsênico. 

Casado com a morte 

No dia 1 de fevereiro do ano seguinte, a jovem se casou com outro rapaz, um rico alfaiate chamado Thomas Ridgeway. O casal pareceu manter um relacionamento feliz por três semanas, até que, um dia, enquanto o marido estava na Igreja, a esposa colocou arsênico na bebida do cônjuge. 

Arsênico / Crédito: Wikimedia Commons 

 

As suspeitas caíram sob Elizabeth Ridgeway. Ela também tinha tentado envenenar dois homens conhecidos do marido: William Corbet, um recém-chegado de Londres, e George Ridgeway, irmão do falecido. Todos claro, com arsênico. 

Mas a verdade só veio à tona quando um garoto, que era servo de Thomas, ficara desconfiado após encontrar uma substância suspeita sob a louça que o mestre havia usado. Esse detalhe é citado no livro Death and the Early Modern Englishwoman (2003), de Lucinda Becker. 

Segundo a obra, o pequeno aprendiz foi o único dos servos de Thomas que depôs contra Ridgeway. O garoto foi quase que mais uma vítima da assassina: Elizabeth Ridgeway tentou envenená-lo servindo um caldo à criança. Mas, por sorte, o menino negara o alimento.

Em resposta àquilo, a criminosa tentou subornar o garotinho, para que ele ficasse em silêncio. "Isso coloca o caso dela em senso comum com muitas outras instâncias, particularmente quando assassinas são capazes de alto nível de articulação, enquanto simultaneamente têm medo do discurso de crianças que as condenam", afirmou Lucinda Becker, em sua obra. 

Lei∣cester, cidade onde vivia Elizabeth Ridgeway / Crédito: Divulgação / Youtube 

 

Motivação 

Segundo uma dissertação da Universidade de Warwick, da Inglaterra, Elizabeth Ridgeway não era só cruel, como tinha interesse material em matar Thomas. De acordo com o documento, o marido da moça tinha uma dívida de vinte libras, que estava devendo para a irmã.

O pagamento do dinheiro, que era uma quantia significativa na época, foi exigido logo após Thomas se casar. Isso então frustrou as expectativas do casamento dele com Ridgeway. Entre vários motivos, os tumultos financeiros do matrimônio fizeram a esposa cogitar suicídio - mas ela optou por matar o marido, que afinal era quem originara as dívidas. 

Julgamento e morte 

Elizabeth Ridgeway foi forçada a colaborar com a investigação sobre a morte de Thomas. Teve que tocar o corpo do marido, pois existia a crença na época que quando o assassino entrasse em contato com o cadáver da vítima, o corpo sangraria espontaneamente. 

E foi justamente isso que aconteceu, segundo um documento de 1684, que detalha o caso. De acordo com o relato, assim que Ridgeway chegou ao tribunal, o corpo de Thomas "enxurrou no nariz e na boca, sangrando, de modo tão fresco como se tivesse acabado de ser morto". 

Apesar disso, Elizabeth Ridgeway não confessou a culpa. Foi sentenciada à fogueira pelo juiz, que só deu um último desejo à criminosa: ela pôde conversar com um clérigo local, John Newton, antes de morrer.

Ilustração de Elizabeth Ridgeway na fogueira / Crédito: Divulgação 

 

Na noite anterior à sua execução, porém, a assassina não quis se redimir com Deus. Diziam boatos que ela contou várias mentiras para o clérigo. Na manhã seguinte, no entanto, admitiu finalmente que havia envenenado a mãe, John King e o marido.  

Além disso, a mulher fez uma afirmação assustadora. Assumiu que, ao longo de oito anos, vinha sendo visitada por um espírito, que a convencera a envenenar todos que a ofendiam - por pouco, quase que também não a convenceu a cometer suicídio utilizando arsênico. Porém, ela mal esperava que o veneno, mesmo que indiretamente, acabaria a matando de qualquer modo: as acusações pelos crimes de envenenamento fizeram Ridgeway arder em chamas. 


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