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Howard Hughes e o medo de germes, segundo pesquisa: "Ele estava convencido de que seria contaminado"

No final de sua vida, o magnata e aviador chegou a até mesmo queimar roupas caso alguém de seu convívio ficasse doente

Isabela Barreiros, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 07/03/2021, às 08h00

Howard Hughes, magnata estadunidense
Howard Hughes, magnata estadunidense - Wikimedia Commons

Magnata, aviador, engenheiro, diretor de cinema e muito mais. Howard Hughes atuou em áreas distintas, sendo tanto um grande produtor de cinema quanto uma importante figura na indústria da aviação. No entanto, embora tenha tido tanto sucesso durante a vida, ele a terminou de maneira infeliz.

Isso porque, ao longo de toda sua vida, Hughes teve comportamentos considerados excêntricos, com alguns de reclusão. A verdade é que ninguém entendia direito o que se passava com o magnata que, no final de sua vida, passou a ficar isolado em camas de hotéis.

Conforme explicado pela Associação Americana de Psicologia (American Psychological Association) em uma matéria publicada em 2005, um estudo realizado dois anos depois da morte do aviador em 1976 investigou a vida e os motivos pelos quais o homem poderia ter desenvolvido tais comportamentos.

Investigando Howard Hughes 

Howard Hughes na capa da revista Time, em 1948 / Crédito: Wikimedia Commons

 

O escolhido pelo advogado de Hughes para desenvolver a pesquisa foi Raymond D. Fowler, professor e chefe do departamento de psicologia da Universidade do Alabama, também ex-CEO da Associação Americana de Psicologia. Ele foi responsável pela 'autópsia psicológica' do magnata.

O objetivo do estudo era entender a condição mental e emocional de Hughes em seus últimos anos de vida, para, finalmente, descobrir o que poderia ter causado tamanhos transtornos. O final da vida do estadunidense foi melancólica: ele ficava nu em cama em quartos de hotel totalmente no escuro.

Alguns de seus hábitos eram sempre se alimentar da mesma comida no jantar, colocar caixas de lenços de papel em seus pés, queimar suas roupas caso alguém de seu convívio ficasse doente, entre outros. Ele apenas acreditava estar a salvo quando tinha tudo sob seu controle, completamente em reclusão.

Depois da autópsia psicológica, Fowler utilizou outros meios para entender a vida do diretor de cinema por inteiro. Isso foi feito lendo reportagens, cartas escritas pela mãe de Hughes, depoimentos judiciais, e transcrições de ligações telefônicas, e, inclusive, entrevistando a ex-equipe do aviador. 

Foi na infância do engenheiro que o pesquisador encontrou o que acreditou ser a origem de todos os seus comportamentos particulares. “Gradualmente surgiu a imagem de uma criança que estava praticamente isolada e não tinha amigos, e de um homem que se preocupava cada vez mais com sua própria saúde”, explicou Fowler na época.

Por meio da leitura das cartas da mãe do americano, o especialista percebeu o constante medo da mulher de seu filho pegar alguma doença. Segundo Fowler, ela receava que seu filho pegasse poliomielite ou entrasse em contato com germes de maneira geral. Isso chegou ao ponto de a mulher examiná-lo todos os dias.

Howard Hughes, engenheiro, piloto e diretor de cinema / Crédito: Wikimedia Commons

 

Era apenas o começo de um transtorno que seria desenvolvido ao longo de toda sua vida. Um episódio importante na vida de Hughes aconteceu na sua adolescência, quando ficou paralisado por inúmeros meses. O pesquisador afirmou que isso não teve nenhuma justificativa física, provavelmente sendo uma consequência psicológica de seu estresse.

O final da vida do magnata, portanto, não é injustificado. O diagnóstico de Fowler foi que os comportamentos do homem eram sintomas de um transtorno obsessivo-compulsivo (TOC). Essas atitudes tinham como objetivo protegê-lo de possíveis vermes, em decorrência da sua fobia.

"Por exemplo, ele escreveu um manual do pessoal sobre como abrir uma lata de pêssegos - incluindo instruções para remover o rótulo, esfregar a lata até que ficasse de metal, lavando-a novamente e despejando o conteúdo em uma tigela sem tocar na lata para a tigela", descreve o artigo.

Ele também tinha problemas com codeína, o que fez com que estivesse em constante isolamento e totalmente irreconhecível. "Ele não acreditava que os germes pudessem vir dele, apenas de fora", relatou Fowler. "Ele estava convencido de que seria contaminado de fora."

O aviador morreu no dia 5 de abril de 1976. Ele estava dentro de uma aeronave, indo da cobertura no Acapulco Fairmont Princess Hotel no México até o Hospital Metodista, em Houston.


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