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Humilhações e privações: a triste saga de Catherine, esposa de Charles Dickens

Cartas revelaram que a mãe dos dez filhos do famoso escritor, por pouco, não foi internada em um sanatório pelo próprio marido

Penélope Coelho Publicado em 15/07/2020, às 16h16

Retrato de Catherine Dickens
Retrato de Catherine Dickens - Wikimedia Commons

A vida de muitas mulheres durante a Era Vitoriana foi marcada pelo desempenho de diversos papéis que eram cobrados pelos homens: ser uma boa mãe, excelente esposa, cuidar de todos os afazeres domésticos e etc. A lista é grande e a realidade não foi diferente para Catherine Dickens.

Mesmo sendo esposa de Charles Dickens, um dos mais conhecidos romancistas de sua época, a mulher enfrentou problemas sérios com o marido, que ao contrário das obras que escrevia, não era nada romântico.

Antes de se casar com o escritor, a jovem era conhecida como Catherine Thomson. Ela nasceu em Edimburgo, na Escócia, no ano de 1815. Os seus maiores interesses sempre foram a escrita e atuação.

Sua vida se cruzou com a de Charles em 1835, após o homem convidá-la para sua festa de aniversário. Foi uma paixão avassaladora. Assim, se casaram em 2 de abril de 1836, na ocasião, o autor escreveu que nunca seria tão feliz quanto estava naquele momento em sua nova vida com Catherine, mas, aparentemente a felicidade não durou muito.

Fotografia de Charles Dickens / Crédito:  Wikimedia Commons

 

Problemas

Ter filhos estava nos planos da Senhora Dickens, entretanto, ela não esperava que fossem tantos, dez no total. Na tentativa de lidar com todas as obrigações ao mesmo tempo, Catherine conseguiu abrir uma brecha para realizar uma de suas paixões: a escrita.

Assinando pelo pseudônimo de Lady Maria Clutterbuck, a mulher escreveu um livro de culinária com inúmeras receitas. No entanto, no auge de sua independência pessoal, Kate — como era chamada —, enfrentou uma enorme perda com a morte de sua filha Dora, aos 8 meses de idade.

A relação de Catherine com seu marido também estava cada vez mais distante. O escritor julgava que a mulher havia se descuidado de sua aparência e para ele, os dez filhos do casal eram os culpados pelos problemas financeiros que os Dickens enfrentavam.

Era fato que o relacionamento conturbado chegaria ao fim, no entanto, a verdade sobre essa decisão só se tornou pública anos depois, quando John Bowen — um professor de literatura — descobriu as cartas que Catherine trocava com seu vizinho, o jornalista Dutton Cook.

O fim

Para evitar que o casal tivesse mais filhos, Charles ordenou que eles dormissem em camas separadas e colocou uma estante de livros entre eles. De acordo com as cartas, na tentativa de se livrar da esposa, o escritor ainda tentou diagnosticá-la com uma doença mental, com o objetivo de internar em um hospício uma mulher perfeitamente sã.

As crueis tentativas de Dickens deram errado, então, ele decidiu se separar. O que de fato aconteceu em maio de 1858. Apesar de negar veementemente as acusações, sabe-se que o homem mantinha relações extraconjugais antes do fim do casamento.

Catherine Dickens / Crédito:  Wikimedia Commons

 

Abandono

O casal se separou em 1858. A decisão causou polêmica na sociedade da época, e para evitar mais burburinhos, Charles tentou botar panos quentes na situação. Sem pensar duas vezes, negou que havia traído a esposa. Contudo, nas cartas entre Kate e Cook, a mulher contou que havia sido deixada já que o escritor estava desinteressado por ela e mantinha um novo caso com uma jovem atriz.

Mais julgamentos foram atribuídos à Catherine, quando a maioria de seus filhos permaneceu na casa oficial dos Dickens. A mulher se mudou somente com um deles, Charles Jr, para Gloucester Crescent, em Camden Town. Seus filhos então ficaram sob os cuidados de Georgina Hogarth, irmã de Kate — que ficou ao lado de Charles na separação.

Depois do fim do casamento, o antigo casal praticamente já não se falava mais, contudo, apesar de todas as circunstâncias, a escritora permaneceu apaixonada pelo ex-marido até os últimos dias de sua vida.

A mulher enfrentou uma batalha contra o câncer, no entanto, acabou não resistindo e faleceu em 1879, aos 64 anos. Em seu leito de morte, fez um último apelo e entregou para sua filha — também chamada Kate—, a coleção de cartas que Dickens escrevera para ela e pediu: “Entregue-as ao Museu Britânico, para que o mundo saiba que Charles me amou uma vez". 


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