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Humilhada e abandonada: A vida infeliz da princesa Leopoldina no Brasil

Após chegar no território brasileiro, a imperatriz se decepcionou com sua própria realidade

Nicoli Raveli Publicado em 24/04/2020, às 08h00 - Atualizado em 19/11/2020, às 18h28

Maria Leopoldina Josefa Carolina de Habsburgo, primeira imperatriz brasileira
Maria Leopoldina Josefa Carolina de Habsburgo, primeira imperatriz brasileira - Wikimedia Commons

A primeira imperatriz brasileira, Maria Leopoldina Josefa Carolina de Habsburgo, atraiu a atenção de Dom Pedro I, seu marido, em diversos aspectos, como sua vasta inteligência nos campos da educação e boas maneiras. 

Maria, que nasceu na Áustria, uma das cortes mais ricas da Europa, dava mais valor as coisas mais simples da vida, como seu fascínio pela natureza e pelos animais.

A jovem imperatriz Leopoldina / Crédito: Wikimedia Commons

 

Todavia, ela sempre tentava agradar seu marido, por isso participava de festas e noitadas que Dom Pedro I tanto amava. Com o passar do tempo, Leopoldina se decepcionou com sua própria vida e com todos que estavam ao seu redor.

A infância de Leopoldina

Os primeiros anos da princesa foram destinados a servir o Estado, ou seja, ela aprendeu que sua função era engravidar e oferecer frutos saudáveis para os príncipes, reis e imperadores.

Além disso, seus dias eram completamente rigorosos e calculados com orações, aulas particulares, exercícios de leitura, trabalhos no jardim, encontros com familiares, visita a teatro e a museus.

Não obstante, sua família enfrentava momentos de tensão naquela época, já que Napoleão comemorava suas primeiras vitórias contra a família Habsburgo. Os anos seguintes também foram marcados por perdas e, em uma ocasião posterior, seus familiares tiveram que fugir da Europa às pressas.

A vinda ao Brasil

O casamento de Leopoldina e Dom Pedro I não passava de um ato arranjado por altos interesses. Com a queda de Napoleão, Dom João VI procurava uma forma de construir um laço entre a coroa portuguesa e os Habsburgo. Da mesma maneira, a Áustria também tinha interesse em dar ênfase a monarquia na América. Não obstante, Maria não questionou sobre o casamento e aceitou seu destino.

Chegada de Leopoldina nas cortes brasileiras / Crédito: Wikimedia Commons

 

Ela já estava casada no papel antes mesmo de deixar Viena. Em 1817, a imperatriz chegou ao Rio de Janeiro, mas esperava um local completamente diferente. Ao ler diversos livros sobre o local, Leopoldina acreditava que estava a caminho de uma terra mágica. Entretanto, ao chegar no Brasil, encontrou um sol escaldante e bichos peçonhentos.

A vida com Dom Pedro I

Em poucos dias de convivência, Leopoldina teve surpresas: seu marido tinha gênio forte.  Apesar de todos os fatos negativos, o casal viveu feliz durante os três primeiros anos do casamento. Todavia, com o passar dos anos, Dom Pedro adotou características um tanto quanto questionadoras.

Na hora de dormir, por exemplo, ele fazia um guarda vigiar o quarto da princesa. De acordo com o historiador Eugênio dos Santos, isso era parte do seu plano para que Leopoldina não descobrisse suas escapadas noturnas.

Pedro I e Leopoldina / Crédito: Wikimedia Commons

 

Quatro anos após o casamento, Maria e o príncipe anunciaram a chegada do primeiro fruto do casal. Entretanto, as gestações seguintes não foram motivo de alegria por muito tempo, já que a mulher havia dado à luz seis herdeiros. Dois deles morreram poucos meses após o nascimento.

Mais tarde, uma de suas filhas morreu aos 10 anos de idade. Não obstante, Maria da Glória, Maria Januária, Francisca Carolina e Pedro de Alcântara foram os únicos que viveram por um longo tempo.

A proximidade da política

Acredita-se que foi no mesmo momento que a mulher ficou cada vez mais próxima da política. Dessa maneira, seus pensamentos estavam muito ocupados para dar espaço às atividades extraconjugais do marido.

Pintura da Marquesa de Santos, amante de Dom Pedro I / Crédito: Wikimedia Commons

 

Em questão de anos, Leopoldina deixou para trás a figura de jovem e percebeu que sua vida não era um conto de fadas. Entretanto, há historiadores que apontam essa mudança como o principal motivo da decadência de sua saúde.

A política passou a fazer parte de sua vida e, posteriormente, Maria foi responsável pelo discurso liberal que deu vida a Independência. Entretanto, a ascensão na política não era o único fator que havia mudado.

Devido ao desprezo causado pelo marido, Leopoldina escreveu uma carta a sua irmã, na qual alegava que estava abandonada no Brasil. “Começo a crer que se é muito mais feliz quando solteira, pois agora só tenho preocupações e dissabores que engulo em segredo. Infelizmente vejo que não sou amada”, escreveu.

Na mesma época, o imperador levou a marquesa Domitila para o Rio de Janeiro. Isso fez com que a Leopoldina fosse ainda mais ofuscada e humilhada. 

A morte da imperatriz

Em 1826, Dom Pedro I foi para o Rio Grande do Sul a fim de acompanhar a Guerra da Cisplatina. Enquanto isso, Leopoldina continuava no Rio de Janeiro e enfrentava seus últimos dias no conselho de ministros.

Leopoldina preside o Conselho de Ministros / Crédito: Wikimedia Commons

 

Após um compromisso público, começou a ter febre e convulsões, o que resultou no aborto do feto de um menino. Ela veio a falecer no mesmo dia, apenas um mês antes de completar 30 anos.