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Humilhada e infeliz: As confissões nas cartas de Leopoldina para a irmã, Maria Luiza da Áustria

Desamparada e sem alguém próximo para desabafar sobre seu relacionamento com Dom Pedro I, a imperatriz encontrou um modo de relatar parte de sua rotina

Nicoli Raveli Publicado em 17/05/2020, às 09h00

Maria Leopoldina de Áustria, imperatriz consorte do Brasil
Maria Leopoldina de Áustria, imperatriz consorte do Brasil - Wikimedia Commons

A jovem Carolina Josefa Leopoldina de Habsburgo-Lorena, fazia parte de uma das famílias mais poderosas da Europa. A filha de Francisco I, todavia, teve que deixar o local de seu nascimento aos 20 anos, quando foi prometida em casamento a Pedro de Bragança, um português que sequer havia encontrado antes.

Rumo a terras desconhecidas, Leopoldina chegou ao Brasil seis meses depois para firmar a aliança entre Portugal e Áustria. O matrimônio – que era visto como algo positivo para a garota – logo mostrou sua verdadeira face.

Imperatriz Leopoldina / Crédito: Wikimedia Commons

 

A vida com Dom Pedro I

Em questão de meses, a mulher notou que seu marido dispunha de um gênio forte e vivia de mau humor. Mas o fato não impediu que eles tivessem uma vida feliz nos primeiros três anos de casamento.

Com o passar do tempo, Pedro de Bragança – que já havia se tornado Dom Pedro I - adotou características incomuns. À noite, por exemplo, fazia com que alguns guardas observassem o quarto de sua esposa para que ela não descobrisse suas escapadas noturnas.

Dessa maneira, o monarca não lhe dava a devida atenção e a traía repetidamente. Desamparada, encontrou refúgio na política e tornou-se uma figura de muita importância. Sabendo disso, Dom Pedro tinha segurança em deixá-la ocupar o cargo de regente do país enquanto ele viajava a trabalho.

E foi em uma de suas caminhadas a São Paulo que Leopoldina permaneceu no Rio de Janeiro para comandar o país. Em 2 de setembro de 1822, ela foi até mesmo responsável pela assinatura da Independência do Brasil.

Leopoldina preside o Conselho de Ministros em 2 de setembro de 1822 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Seu marido, por consequência, ficou sabendo do fato somente cinco dias depois, às margens do Rio Ipiranga. Mas a incrível liderança de sua esposa não os aproximou. Pelo contrário, cada vez mais o soberano praticava atos extraconjugais e a humilhava.

Em um deles, fez questão de levar a marquesa Domitila até o Rio de Janeiro, fazendo com que Leopoldina fosse cada vez mais ofuscada. Enquanto ela passava fome – já que Dom Pedro havia cortado sua mesada - a amante do monarca ganhava diversos presentes caros, como joias.

Os relatos da imperatriz

Incrédula com as ações de seu marido e sem alguém próximo para desabafar, a imperatriz decidiu relatar o que acontecia à sua irmã, Maria Luiza da Áustria. Todavia, esse fato foi desconhecido por muitos anos, até que as cartas foram recuperadas por um colecionador do Brasil em um leilão europeu.

Uma vez analisadas, pôde-se ver que a escrita era difícil de ser decifrada e dispunham de diversas interpretações conforme a pontuação, mas isso não impediu que seu sentimento pelo soberano fosse expressado.

Lá, a mulher reclama dos atos de Dom Pedro I ao referir-se sobre um de seus filhos. Segundo ela, seu marido o ensinava todas as desobediências possíveis. “O caráter do meu marido é extremamente exaltado por causa do tratamento contraditório, duro e injusto em relação a todas as mudanças, de modo que tudo que denote levemente liberdade lhe é odioso. Assim só posso continuar observado e chorando em silêncio”, escreveu na carta.

Trecho da carta da Imperatriz Leopoldina / Crédito: Divulgação 

 

Além disso, a soberana aproveitou o espaço para também escrever sobre sua infância real. “Fui criada desde a minha infância para dominar a minha vontade e os meus desejos e para desistir da minha sorte e do meu contentamento se for para o bem comum, assim consigo aguentar todas as lutas e situações difíceis e duras, mas me resta uma certa depressão e tristeza quando penso e fico meditando”, acrescentou.

Não há nenhuma escritura, todavia, sobre seus últimos dias. Sua morte, por consequência, permanece um mistério até os dias de hoje. Porém, o rumor mais conhecido alega que Dom Pedro I deu um chute em sua barriga em meio a uma discussão, o que resultou em um aborto, febres e convulsões.

Mesmo sem saber a exata causa do óbito, a morte da primeira mulher que governou o Brasil causou um profundo impacto na população e em seu marido, que ficou de luto por oito dias. Mas, ainda sssim, logo estava nos braços de outra mulher - com quem já havia traído sua esposa - a Marquesa de Santos.


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