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Igreja de Satã: Por dentro de uma Missa Negra

Propagado por Anton LaVey, o ritual satânico possui uma origem muito mais antiga — que remonta à Antiguidade

Alana Sousa Publicado em 17/11/2019, às 17h00

Baphomet, parte da celebração da Missa Negra
Baphomet, parte da celebração da Missa Negra - Getty Images

Nascido em Chicago, em 1930, Anton Szandor LaVey foi responsável pela fundação da primeira Igreja de Satã, em 1966. Três anos depois, em 1969, LaVey escreveu a Bíblia Satânica. O livro chocou o público na época, que acusavam seus membros de praticarem Missas Negras. No entanto, LaVey apenas retomou os ensinamentos de uma seita muito antiga.

Os primeiros relatos da realização de uma Missa Negra datam da Roma Antiga, no ano 200. Anton resgatou a prática de documentos romanos e descreveu para seus seguidores em sua bíblia, escrevendo em sua obra que “uma missa negra é essencialmente uma paródia do serviço religioso da Igreja Católica Romana, mas pode ser aplicada livremente a uma sátira em qualquer cerimônia religiosa”.

Na França, entre os séculos 16 e 19, há exemplos de Missas Negras. O historiador francês Jules Michelet foi um dos primeiros a tentar compreender o ritual e, escreveu suas teses no livro Satanismo e Bruxaria, lançado em 1862.

Gravura simbolizando a Missa Negra / Crédito: Wikimedia Commons

 

Os eventos reais ainda não são totalmente conhecidos e rodeados de rumores escandalosos, tais como o envolvimento de violência e sexo durante a cerimônia.

O RITUAL

Para a realização do ritual é preciso que ele ocorra em locais subterrâneos, podendo ocorrer também em bosques ou florestas, em última ocasião. A decoração inclui animais mortos — que simbolizam sacrifício —, e ainda, imagens do ídolo pagão, que entrou para o imaginário popular em meados do século 19, Baphomet.

O pentagrama tem destaque na Missa Negra, cujo três pontas viradas para baixo representa a aversão à trindade católica (Deus, Jesus e Espírito Santo). O crucifixo colocado de cabeça para baixo também pode estar presente. Os valores do cristianismo são usados como sátiras e rejeição do que simbolizam para a Igreja Católica.

Ídolo pagão Baphomet / Crédito: Wikimedia Commons

 

O ritual é regido principalmente em latim, mas pode conter cânticos franceses e gregorianos, assim como citações do famoso ocultista britânico, Dennis Wheatley. Boatos de sacrifícios humanos sempre rodearam o mistério que é a Missa Negra, mas o hábito nunca foi confirmado, ou negado, pelos seguidores da religião. Os rituais terminam com a expressão em latim: “Ave, Satanas” (Salve Satanás).

Ao contrário da missa católica, a Missa Negra busca aceitar o lado profano da humanidade. Enquanto o satanismo promove princípios contrários do cristianismo, a Igreja de Satã enxerga o diabo como uma força humana — e não como uma figura mística, como Deus —, pregando liberdade individual e celebração do prazer carnal e da vida em si.


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