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A inacreditável fuga e farsa de Henri Charrière

Descoberto em 2019 no Brasil, o homem conseguiu fugir da prisão Ilha do Diabo em 1953, que inspirou a trama do livro Papillon

Daniela Bazi Publicado em 06/01/2020, às 15h26

Papillon também ganhou sua versão nos cinemas
Papillon também ganhou sua versão nos cinemas - Reprodução

Henri Charrière tornou-se reconhecido mundialmente após a publicação de seu livro Papillon, em 1969. Nele, o autor contava sobre sua fuga da Ilha do Diabo, um complexo de presídios mantidos pela França na Guiana Francesa, no ano de 1935.

Entretanto, pouco tempo depois foi descoberto que Charrière era na verdade uma farsa. O verdadeiro autor do livro foi René Belbenoît, outro fugitivo que liderou um grupo de presos, que contava com Charrière, como relata em seu livro A Ilha do Diabo, vencedor do Prêmio Pulitzer de 1938.

Após a fuga, René trabalhava no garimpo de ouro e diamantes na Guiana Inglesa com seus amigos quando, em 1940, decidiram vir para o Brasil após as tropas de Hitler invadirem a França, o que deixou o Reino Unido na mira nazista e preocupou Belbenoît por causa do domínio alemão.

A Ilha do Diabo, por volta de 1900 / Créditos: Getty Images

 

Decididos a vir para território brasileiro, René, Maurice Habert, Joseph Guillermin Marcel, Charrière e Roger atravessaram o rio Demerara de barco e fizeram uma caminhada de 23 dias até chegarem às margens do rio Maú. Ali eles se sentiram seguros e decidiram reiniciar suas vidas.

Com um bom dinheiro guardado que havia recebido com a venda de seus livros nos Estados Unidos, acabou investindo no garimpo de ouros e diamantes, e colaborava com americanos interessados em pesquisa mineral na região.

Enquanto esteve no Brasil, René também se envolveu em crimes. Em 1942, ele comandou um assalto a uma filial da empresa JG Araújo, em Boavista, que foi bem-sucedido. Este caso serviu de inspiração para seu livro publicado anos depois chamado Banco, que também acabou sendo roubado por Charrière.

Belbenoît conseguiu publicar seus livros nos EUA através de sua amizade criada com a escritora americana Blair Niles, ainda na prisão. Os dois haviam criado um acordo onde um dos fugitivos, que o nome não foi revelado, iria para os Estados Unidos assumir a identidade de René Belbenoît. A ideia surgiu como forma de medida de segurança para aqueles que ficariam na América do Sul.

Túmulo de Henri Charrière / Créditos: Getty Images

 

Henri Charrière morreu em 1959, na Califórnia. A cremação de seu corpo foi de grande importância para revelar a verdadeira identidade do autor de Papillon, em 2019 aqui no Brasil.

A verdadeira identidade foi descoberta através da comparação de fotos dos dois, tiradas em 1973. A investigação durou cerca de seis meses até chegarem a conclusão de que o real René Belbenoît era o que morreu e foi enterrado no Brasil.


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Papillon: O homem que fugiu do inferno, Henri Charrière (2015)

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Banco: The Further Adventures of Papillon (English Edition), Henri Charrière (2012)

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In the Shadow of Papillon: Seven Years of Hell in Venezuela's Prison System (English Edition), Frank Kane e John Tilsley (2012)

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