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A impressionante tumba do Faraó Seti I

Encontrada no século 19, a sepultura foi extremamente danificada pela intensa exploração de suas riquezas por europeus

Caio Tortamano Publicado em 24/06/2020, às 07h00

Parede da Tumba do faraó Séti I
Parede da Tumba do faraó Séti I - Wikimedia Commons

Localizado no valiosíssimo Vale dos Reis, no Egito — uma região específica onde os faraós eram todos enterrados em luxuosas e magníficas tumbas —, a tumba KV17 é mais conhecida por seu nome popular: a Tumba de Séti I.

Séti foi um faraó egípcio que comandou o reino, provavelmente, de 1290 a.C. até 1279 a.C., e recebeu seu nome em homenagem justamente ao deus do caos Seti. Pai de Ramsés II, por mais que a sua tumba seja uma das mais bem decoradas que se tem registro, é atualmente fechada para o público para preservar as delicadas pinturas do local.

Descoberta

A primeira vez que a tumba foi encontrada depois de ter sido selada foi pelo explorador italiano Giovanni Battista Belzoni, no ano de 1817. Giovanni era um ricaço que dedicava seus fundos para encontrar e conservar antiguidades egípcias.

Pintura deGiovanni Battista Belzoni / Crédito: Wikimedia Commons

 

O estado do local no primeiro contato dos exploradores com a tumba foi soberba, a tinta das paredes ainda parecia estar fresca, com uma excelente condição. Além disso, itens como resquícios de líquidos coloridos e pincéis utilizados pelos artistas podiam ser vistos pelo lugar.

A primeira teoria sobre a quem pertencia o lugar foi estipulada por Giovanni que, ao se deparar com um touro mumificado, acreditava se tratar de uma oferenda ao touro Apis, sagrado na mitologia egípcia. Assim, o primeiro nome do local foi Tumba de Apis.

Conservação

Tamanha era a qualidade da conservação até ser aberta, que até hoje é possível verificar cores em grande maioria das paredes do local. Com o passar do tempo, o material começou a rapidamente deteriorar, ainda mais sendo explorado em exaustão — por isso o fechamento quase total que existe hoje em dia.

Instalações

São 11 as câmaras e recintos laterais presentes na construção, tendo a mais longa delas 1,37 metros e 90 centímetros. Em todas essas instalações, excluindo apenas duas, estão relevos muito bem preservados, uma das câmaras traseiras é decorada em razão de um ritual para mostrar que as múmias estariam com seus órgãos vitais propriamente funcionando.

Parede da Tumba / Crédito: Divulgação - Tour virtual Tumba de Séti I

 

O ritual, chamado de Abertura da Boca, era considerado um dos essenciais para um faraó levar em seu pós-vida e, envolvia uma movimentação simbólica com ferramentas utilizadas para magicamente abrir a boca da múmia, dando-a vida para respirar e falar.

Um dos túneis do complexo segue pela encosta da montanha a que a tumba está localizada, seguindo diretamente para baixo do local onde o sarcófago estava na câmara funerária. Por mais que se acreditasse que poderia haver uma sala secreta em sua extensão, pesquisadores não encontraram nada, tendo o projeto sido, muito provavelmente, abandonado.

Exploração e danos

O sarcófago onde Séti está foi retirado da tumba em 1824, em nome do cônsul britânico Henry Salt. Agora, a urna mortuária permanece no Sir John Soane’s Museum, em Londres. Esse não foi o único dano sofrido no lugar, em 1829, durante a expedição do tradutor da Pedra de Rosetta, Jean-François Champollion, uma parede inteira foi removida em um corredor que apresentava esplêndidas imagens espelhadas em ambos os seus lados.

Pedra de Rosetta / Crédito: Wikimedia Commons

 

Outras paredes foram removidas em outras expedições lideradas sempre por europeus, e hoje estão expostas em coleções importantíssimas e valiosas no Velho Continente, como no Museu do Louvre, e nos de Florença e Berlim.

Mais recentemente, durante escavações na década de 50 e 60, inúmeras paredes acabaram colapsando também. Essas quedas acabaram resultando em um sério problema para o local, que recebeu uma considerável mudança em sua umidade, afetando as rochas ao redor e tornando o ambiente instável.


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