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As impressionantes múmias de leões do Egito Antigo

Até o ano passado, apenas uma múmia havia sido descoberta no país, mas isso mudou quando, na necrópole de Sacará, foram localizados cinco filhotes embalsamados

Isabela Barreiros Publicado em 08/11/2020, às 07h00

Múmia de leão descoberta no Egito
Múmia de leão descoberta no Egito - Divulgação - Ministério de Antiguidades do Egito

Os antigos egípcios demonstravam uma grande admiração por muitos animais. De gatos, aves, até leões, muitos desses bichos passaram pelo mesmo processo de notórios faraós e membros da realeza depois de sua morte. Naquele período, eles tiveram seus corpos mumificados, e muitos deles ainda estão conservados.

Não faltam descobertas de múmias encontradas no Egito, mesmo na atualidade. No entanto, existem algumas que podem ser consideradas mais raras, especialmente por terem sido achadas em menor quantidade. Múmias de leões, por exemplo, são muito incomuns para os arqueólogos.

Até novembro do ano passado, apenas um corpo mumificado desse animal havia sido identificado por pesquisadores no país. No dia 23 daquele mês, o ministro das Antiguidades, Khaled El Enany, anunciou uma nova descoberta na necrópole de Sacará, perto das pirâmides de Gizé. Eles haviam encontrado mais múmias de leões.

As múmias descobertas / Crédito: Divulgação - Facebook do Ministério de Antiguidades do Egito

 

De fato, eram leões, mas ainda filhotes. Na época, a equipe de especialistas liderada por Mostafa Waziri, secretário-geral do Conselho Supremo de Antiguidades, foi responsável por localizar quase uma centena de estátuas de gatos, touro, falcão, íbis e outros animais, feitas de madeira e bronze. 

Dentro de algumas dessas esculturas, estavam ainda os restos de algumas dessas criaturas. De uma vez só, egiptólogos identificaram múmias de gatos, cobras, crocodilos e besouros mumificados. Os achados mais impressionantes, claro, foram os pequenos felinos.

As cinco múmias de filhotes de leão foram encontradas dentro de caixas de madeira que possuíam tampas decoradas com textos hieroglíficos, até então não identificados. Segundo análises realizadas, eles estavam com por volta de oito meses quanto faleceram e pertenciam à 26º Dinastia do Egito Antigo, entre 664 e 525 a.C.

Era uma enorme descoberta, "um museu por si só”, como descrito por El-Enany. Mas ela tornou-se ainda mais importante quando foi notado que corpos desses animais em específico eram raramente localizados no Egito.

O leão no Egito Antigo

Crédito: Divulgação/Youtube

 

Em entrevista ao National Geographic, Conni Lord, egiptólogo da Universidade de Sydney, explicou que a figura do leão era muito associada tanto ao sol quanto ao próprio faraó, responsável por comandar a nação. 

“O leão desempenhou um papel tremendo na iconografia do antigo Egito. O leão era um símbolo da autoridade real. A imagem do leão também era usada em objetos da vida diária, como cadeiras e camas. Eles podem ter sido puramente decorativos, mas é provável que houvesse um significado mágico relacionado à proteção”, disse.

Por essa constante presença do elemento desses animais, tanto como caça quanto como animais de estimação icônicos, foi estranho perceber que, ao longo da história, poucas múmias deles já foram descobertas por pesquisadores.

Para Lord, “não há realmente nenhuma razão prática para a falta de múmias de leões”. “Os antigos egípcios eram perfeitamente capazes de mumificar uma criatura desse tamanho. O touro Apis, um animal de culto, foi mumificado usando as melhores técnicas, incluindo a remoção dos órgãos”, explicou.

Múmias de filhote de leão / Crédito: Divulgação - Facebook do Ministério de Antiguidades do Egito

 

Segundo Salima Ikram, arqueóloga da Universidade Americana do Cairo, uma das responsáveis pelo exame dos filhotes descobertos no ano passado, eles poderiam facilmente realizar o embalsamamento dessas criaturas. O processo poderia causar um odor muito ruim, devido ao fato de eles serem carnívoros, mas com certeza poderia ser feito.

Uma das hipóteses para essa ausência de corpos mumificados de leões é que eles não eram associados a nenhuma divindade, nem ao menos parte de cultos específicos. Isso faria com que eles não precisassem ser embalsamados após sua morte.

Outra teoria é que eles apenas não foram encontrados ainda. “É bem possível que, à medida que a escavação de Saqqara prossegue, mais múmias de leões venham à luz. Escritores clássicos falam de leões mumificados no Egito e alguns estudiosos, inclusive eu, estão procurando um cemitério de leões”, disse Ikram.


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