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Incêndio da boate Kiss completa 7 anos sem o julgamento dos réus e pagamento de indenização para vítimas e familiares

Neste dia, em 2013, 242 pessoas morreram e outras 363 ficaram feridas na segunda maior tragédia no Brasil em número de vítimas num incêndio

Fabio Previdelli Publicado em 27/01/2020, às 10h55

Homenagem as vítimas feita na frente da Boate Kiss
Homenagem as vítimas feita na frente da Boate Kiss - Getty Images

Em 26 de janeiro de 2013, entre 500 e 1.000 estudantes — dos cursos de Pedagogia, Agronomia, Medicina Veterinária e Zootecnia — da Universidade Federal de Santa Maria, se reuniram para uma festa na Boate Kiss, na rua dos Andradas, 1925, no centro da cidade, que fica a 300 quilômetros de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. A festa seria marcada pela apresentação de duas bandas.

Por volta das 2h30 da manhã do dia 27, foi a vez do grupo Gurizada Fandangueira subir ao palco. Além das músicas, a apresentação prometia agitar os estudantes com um show pirotécnico.

Entretanto, um desses artefatos acabou atingido a espuma improvisada que foi utilizada no revestimento acústico da boate. Integrantes da banda e seguranças tentavam apagar as chamas com água e extintores, sem sucesso.

Em pouco menos de três minutos, uma fumaça espessa se espalhou por todo o lugar. Ao queimar o revestimento, a espuma isolante liberou um material chamado cianeto — apontado pelo laudo técnico como a causa da morte dos estudantes.

De início, não houve uma comunicação entre os seguranças que estavam no palco com os que verificavam o pagamento das comandas na saída da Kiss. Por conta disso, muitas pessoas foram impedidas de sair do local.

Homenagem as vítimas feita na rua da Boate Kiss / Crédito: Wikimedia Commons

 

Além do mais, a boate não apresentava nenhuma saída de emergência, e muitos estudantes acabaram presos no banheiro, pensando que a porta daria acesso para a rua lateral. Em consequência disso, a perícia contatou que noventa por cento dos corpos foram encontrados depois dessa porta.

Ao todo, 242 pessoas perderam suas vidas e 636 firam feridas naquela que é a segunda maior tragédia no Brasil em número de vítimas em um incêndio. Marcado pela imprudência e más condições de segurança do local, o incêndio da Boate Kiss completa hoje 7 anos, e além da dor dos familiares, o único sentimento que fica é o da impunidade.

Isso porque, após todo esse período de luto e cicatrizes que nunca serão completamente curadas, nenhum dos mais pedidos de indenização foi pago, segundo informou o periódico GaúchaZH.

Além do mais, o primeiro júri sobre o incêndio só está marcado para o próximo dia 16 de março. Os réus enfrentaram o júri em duas etapas: na primeira delas, no próprio dia 16, serão julgados o empresário Mauro Hoffmann e o músico Marcelo Santos. A outra parte está marcada para 27 de abril, com o julgamento de Elissandro Spohr e Luciano Bonilha.


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