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Incesto em plena Igreja Católica: as possíveis relações consanguíneas na família Bórgia

A família acabou desenvolvendo casos polêmicos, que resultaram até mesmo em uma tragédia

Vanessa Centamori Publicado em 27/03/2020, às 12h22

Cena do filme Os Bórgias
Cena do filme Os Bórgias - Divulgação

O pecado e a santidade são ideias naturalmente opostas, mas para a poderosa Família Bórgia elas se misturavam. A combinação foi frequente, venenosa e muito explosiva. A dinastia dos Bórgia se originou na Espanha e teve um papel muito importante para a Igreja dos séculos 15 e 16. Só que dentro do contexto sagrado, boatos circulavam sobre relações incestuosas múltiplas. 

As histórias de incesto envolvendo os Bórgia tem uma figura central: a belíssima e sedutora Lucrécia, filha de Rodrigo Bórgia, o controverso papa Alexandre VI. Tudo veio à tona em 1493, quando Lucrécia tinha apenas 13 anos de idade. 

Na ocasião, ela estava prestes a se casar com o mercenário italiano Giovanni Sforza, cuja profissão era ser dono de uma milícia, que estabelecia contratos com estados interessados em seus serviços bélicos. 

Retrato de Lucrécia Bórgia / Crédito: Wikimedia Commons 

 

Um casamento perseguido pelo incesto 

O casamento entre Lucrécia e Giovanni Sforza seria acordado meramente por interesse político, já que o papa Alexandre VI acreditava que ter Sforza como aliado o ajudaria a conquistar seus desejos.

Giovanni Sforza era Senhor de Pesaro e Conde de Catignola. Ou seja, Alexandre VI via que o rapaz não só tinha status, como dar a mão da filha à ele era uma forma de agradecimento à família Sforza, que ajudou a eleger o próprio Alexandre VI. 

O papa Alexandre VI / Crédito: Wikimedia Commons 

 

Mas não se sabe ao certo se o casamento entre Giovanni Sforza e Lucrécia Bórgia realmente ocorreu. Um motivo que atrapalhou a união seria o fato de Alexandre VI ter perdido o interesse na aliança com os Sforza. Mas, não era só isso: o mais chocante era que o papa também não queria abrir mão do coração de Lucrécia - com quem ele tinha relações sexuais. 

A moça, impedida de se casar, foi enviada à um convento. Enquanto isso, Giovanni implorou ao papa para ter a sua noiva de volta. Ele recusou, severamente. E os burburinhos sobre o incesto começaram a se fortalecer ainda mais. 

Cena do Filme Os Bórgia, que retrata César e Lucrécia Bórgia / Crédito: Divulgação

 

Um irmão nada santo 

Giovanni teria fortalecido ainda mais as histórias sobre o incesto, revelando que Lucrécia também se relacionava com o próprio irmão, César Bórgia. O irmão era cardeal, cargo que ganhou do pai, aos 18 anos - ou seja, ele também tinha envolvimento com a igreja.

O cargo religioso não impedia que César Bórgia gostasse de sexo: ele não só teria ido pra cama com Lucrécia, como era pai de 11 filhos bastardos e oferecia jantares com mais de 50 prostitutas dançando nuas (informação segundo seu próprio mestre de cerimônias, Johannes Burchard). 

Orgias coletivas eram muito comuns também pela parte do papa Alexandre VI. Só que não só ele participava, como também seus próprios filhos César e Lucrécia, que ficavam no mesmo local onde mulheres nuas circulavam. Quem penetrasse maior número de prostitutas, ganhava um prêmio. 

Polêmica no convento 

Lucrécia teria passado anos enclausurada no convento, sem a companhia do noivo, Giovanni Sforza. Depois que o rapaz faleceu, surgiram rumores escandalosos de que ela estava grávida. 

Aquilo se explicava pois ela teria se relacionado com o jovem espanhol, Pedro (ou Pero) Calderón, o possível pai da criança. A relação amorosa de Lucrécia com Pedro havia começado quando ela tinha completado apenas 17 anos de idade, e não durou muito tempo. 

O fim foi trágico e, mais uma vez, envolveu incesto. O cadáver de Pedro foi encontrado com marcas de esfaqueamento, abandonado no Rio Tibre. O culpado pelo crime teria sido César Bórgia, o irmão de Lucrécia, que por ciúmes incestuoso, teria matado o próprio namorado da irmã. 

A morte do irmão

Godofredo Bórgia / Crédito: Wikimedia Commons

 

Há um relato que diz que César Bórgia também teria matado o próprio irmão, Giovanni Bórgia, por ciúmes dele com Lucrécia. O papa Alexandre VI tinha até a intenção de dar o trono de Naples para Giovanni, mas isso não foi possível, pois o rapaz foi encontrado morto, adivinhe onde - isso mesmo, no Rio Tibre. 

A culpa mais uma vez caiu sob César Bórgia. Só que ele não foi condenado pelo crime, pois Alexandre VI optou por evitar confusão, depositando todo seu afeto em César. Isso mesmo o garoto sendo um verdadeiro assassino. 

Só que pode ter muito mais que incentivou César a matar Giovanni. Os dois não só dividiam a afeição da irmã Lucrécia, como também ambos tinham um affair com Sancha de Aragão, a esposa de outro irmão deles, Godofredo Bórgia - também assassinado e jogado no Rio Tibre (muito provavelmente, por César, por ciúmes). 


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