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A inesperada inspiração de Meryl Streep para viver Miranda

Entenda como a norte-americana construiu sua performance, e como isso se relaciona com filmes de bangue-bangue

Ingredi Brunato, sob supervisão de Thiago Lincolins Publicado em 02/12/2021, às 18h27

Imagem de divulgação do filme
Imagem de divulgação do filme - Divulgação / 20th Century Fox

"O Diabo Veste Padra" é um filme icônico que, embora tenha sido lançado no ano de 2006, mantém sua relevância na cultura pop até os dias atuais. 

Um dos grandes motivos por trás da popularidade da produção é, é claro, a impressionante performance da atriz Meryl Streep, que interpretou a imponente Miranda Priestly

Retratada no longa como um misto de antagonista e mentora da jovem protagonista, Miranda é editora de uma revista de moda fictícia (a "Runaway"). A personagem é, no entanto, uma clara alusão a Anna Wintour, editora-chefe da edição norte-americana da famosa Vogue. 

O livro de mesmo nome no qual o filme foi baseado, inclusive, é uma obra que se propõe a recontar as experiências da autora durante seu período na marca.

As inspirações de Streep para o papel, no entanto, vão muito além da editora da Vogue ou do próprio mundo da moda. 

Cabelo inusitado

Originalmente, o cabelo da personagem Miranda não seria branco, até porque ele poderia ser confundido com fios grisalhos. Quem teve a ideia para a aparência inesperada foi a própria Meryl, conforme repercutido pela Vogue em 2016. 

"Eu queria um cruzamento entre Carmen Dell'Orefice e a elegância e autoridade incontestáveis ​​de Christine Lagarde,", contou a atriz estadunidense. 

Fotografias de Carmen Dell'Orefice / Crédito: Divulgação/ Instagram/ @carmen_dellorefice

Os responsáveis pela direção do filme a princípio não pareciam que iriam aceitar a proposta da artista, porém quando a viram no papel não questionaram mais. 

Felizmente, o produto final entre os penteados da famosa modelo veterana e da economista francesa (que, aliás, é atualmente a presidente do Banco Central Europeu) sem dúvida agradou as audiências, tornando-se mais uma das características memoráveis de Miranda Priestly

Tom de voz imperioso

Uma outra escolha intuitiva de Streep que se provou certeira foi na maneira de enunciar suas falas. Ao contrário do que se esperaria de uma figura autoritária típica, que não tem problema em gritar com as pessoas ao seu redor, a atriz passou o filme inteiro praticamente sussurrando. 

Conforme Meryl revelou em uma entrevista à Entertainment Weekly no aniversário de 15 anos do lançamento da produção, sua inspiração para esse aspecto de sua performance foi, de forma inesperada, o ator e cineasta Clint Weastwood, que construiu seu nome em Hollywood através de seus papeis em filmes de faroeste. 

Três Homens em Conflito (1966) / Crédito: Divulgação/ Youtube/ Movie Clips

“Foi um roubo direto da maneira como vi Clint comandar um set. Ele é alguém que os caras realmente respeitam. E ele nunca levanta a voz, nunca mesmo", contou a atriz. 

Para explicar melhor o efeito que ela pretendia buscar, a norte-americana também buscou uma metáfora de quando fazia aula de teatro. 

"Na escola de teatro, meu professor disse: ‘Como você interpreta o rei não tem nada a ver com você. Você é apenas você. É como todos os outros na sala agem quando você entra que faz de você o rei'. E isso está perfeitamente correto. Cabia a eles ter essa reação. E eu poderia apenas falar e ser um pouco mais desagradável do que normalmente sou", concluiu Streep ao veículo. 

Na mesma entrevista, Anne Hathaway, que deu vida à protagonista de "Diabo Veste Prada", a jovem Andy Sachs, também comentou sua surpresa em relação à voz de sua colega de set. 

“Eu só me lembro que, na primeira leitura (...), eu esperava que você viesse dizendo ordens imperiosas, altas e barulhentas. Mas você disse sua primeira fala em um sussurro. E quase caí da minha cadeira", contou.