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Infância humilde e racismo na escola: a história real por trás de Todo Mundo Odeia o Chris

Série que narra momentos da vida talentoso comediante Chris Rock é adorada pelo público brasileiro. Conheça o que é verdade e o que foi adaptado na produção televisiva

Fabio Previdelli Publicado em 10/07/2020, às 09h00 - Atualizado em 11/07/2020, às 09h00

Todo Mundo Odeia o Chris
Todo Mundo Odeia o Chris - Divulgação/ CBS Television Distribution

Personagens carismáticos, bordões marcantes e um enredo engraçado com pitadas de críticas sociais. Foram esses alguns dos fatores que tornaram Todo Mundo Odeia o Chris uma série tão querida e assistida pelo público brasileiro.

Ao longo de quatro temporadas, acompanhamos a vida da família de Chris Rock, um menino negro novaiorquino que se muda para o bairro da Bed-Stuy (aonde só doido vai), na década de 1980.

Personagens de Todo Mundo Odeia o Chris / Crédito: Divulgação/ CBS Television Distribution

 

Vindos de um conjunto habitacional, o personagem que dá nome a série é primogênito do casal Julius e Rochelle, além de ser o irmão mais velho de Drew, um garoto popular e atlético que sempre se dá bem com as garotas, e da caçula e mimada Tonya, assídua fãs do cantor Billy Ocean.

Entretanto, por mais que a série tenha passado por vários anos na televisão aberta, nem Todo Mundo sabe que ela foi inspirada na vida de um grande ator e comediante americano. Sendo assim, conheça a verdadeira história de Chris.

A narrativa é inspirada nas memórias da infância do talentoso Christopher Julius Rock III, popularmente conhecido como Chris Rock, que foi o dublador da zebra Martyn de Madagascar e também apresentou o Oscar de 2016.

Além de sua vida servir como roteiro para a série, ele também participa da produção sendo o narrador dos episódios — que nem sempre foram tão fiéis assim a sua biografia.

A família de Chris

Um ponto que é extremamente fiel a vida de Chris Rock é que seu pai realmente se chamava Julius (Christopher Julius Rock II para ser mais preciso), e que ele era realmente seu filho mais velho. Entretanto, ao contrário do que é contado na série, Chris não teve somente dois irmãos, mas sim seis: Brian, Kenny, Andi, Jordam, Andrew e Tony — sendo que esses dois últimos foram serviram de inspiração para Drew e Tonya, respectivamente. Sim, Tonya na vida real era um homem.

Chris Rock (de preto ao centro), junto com sua mãe algum dos seus irmãos / Crédito: Arquivo Pessoal/ Divulgação ABC

 

Com tantos membros na família assim, não é de se espantar que Julius realmente precisasse ter dois empregos, trabalhando, assim como na série, de caminhoneiro e entregador de jornais.

Já Rochelle, sua mãe na ficção, é na verdade Rosaline Rock, mas apesar da mudança no nome, Chris garante que a personalidade explosiva e espalhafatosa da matriarca condiz com sua representação televisiva. Só nos restando saber se ela era realmente apaixonada por cortes de cabelo diferentes e chapéus um tanto quanto exóticos.

Outro ponto parecido com a realidade era a simplicidade a falta de dinheiro da família. “A festa de 16 anos de Rock foi um refrigerante e água com corante”, relembra o amigo Chris Sealy.

Diante da falta de grana, em diversas ocasiões o ator quase acabou cometendo atos criminosos. De acordo com seu amigo David Waters, o comediante já apanhou da polícia depois que usou uma arma de brinquedo para amedrontar inimigos.

Chris, Julius, e Rosaline Rock / Crédito: Wikimedia Commons e Arquivo Pessoal/ Divulgação ABC

 

O próprio ator fez uma revelação sobre seu passado em uma entrevista para a revista Details. “Nunca fumei crack, mas, num verão, eu e um amigo chegamos bem próximo de traficar”. Com isso, não fica nem um pouco difícil de imaginar sua mãe lhe dando uma bronca ao questionar: “Você não tava vendendo drogas né moleque? Senão eu vou ter que te bater até você virar branco”.

Racismo e a escola para brancos

Outro ponto que não teve que ser adaptado foi o fato de Chris ter que realmente se matricular em um colégio em uma vizinhança branca, onde sofreu diversos episódios de preconceito racial.

“Aos 17 anos, tivemos que tirá-lo de lá, senão ele seria morto”, revelou sua mãe em entrevista à Fox News. Porém, uma diferença da realidade é que o colégio se chamava James Madison e não Corleone — que é apenas uma referência ao personagem de Dom Vito Corelone de O Poderoso Chefão.

Ao contrário da série, Chris não foi o único aluno negro de seu colégio, mas era um dos poucos. Apesar de nem todos o odiarem como aparentava ser, é fato que desde esse tempo ele cultiva uma amizade de longa data: David Moskowitz, que na ficção ganhou o nome de Greg Wuliger.

Greg, Chris e Caruso na vida real / Crédito: Divulgação ABC

 

Questionado sobre como foi a primeira vez em que assistiu a série sobre momentos de sua vida, Chris Rock respondeu: "Foi estranho", disse em entrevista coletiva. "Eu estava assistindo e dizendo 'Sim, isso aconteceu. Eu realmente comi um pedaço grande de frango'", uma referência ao episódio piloto em que Chris, com apenas 13 anos, come parte do jantar destinado a seu pai.

Entretanto, apesar das lembranças, ele garante que nunca teve a intenção de realmente descrever sua vida com total fidelidade. "Quando eu chego lá [nos estúdios], nem importa o que aconteceu comigo", diz Rock. "Importa que seja engraçado”.


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