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Insalubridade, execuções e símbolo do autoritarismo de Stalin: 5 fatos sobre os Gulags

Apesar de ter sido implementado por Lenin, os campos de trabalho forçado soviéticos só se estabeleceram após a posse de Stalin e, por lá, milhares de pessoas foram mortas

Fabio Previdelli Publicado em 08/06/2020, às 17h28

Imagem colorida de um Gulag
Imagem colorida de um Gulag - Divulgação

O Gulag era um sistema de campos de trabalho forçado de criminosos, presos políticos ou qualquer cidadão em geral que se opusesse ao regime. Estabelecido durante o longo governo do ditador Josef Stalin, líder da União Soviética, o nome dado ao espaço é um acrônimo para Glavnoe Upravlenie Lagerei (ou Administração do Campo Principal).

As notórias prisões, que encarceraram cerca de 18 milhões de pessoas ao longo de sua história, operaram desde a década de 1920 até logo após a morte de Stalin, em 1953. No seu auge, a rede Gulag incluía centenas de campos de trabalho que continham de 2.000 a 10.000 pessoas em cada um.

Prisioneiros nos Gulags, os campos de trabalho forçado / Crédito: Domínio Público

 

As condições no Gulag eram brutais: poderia ser necessário que os prisioneiros trabalhassem até 14 horas por dia, geralmente em condições climáticas extremas. Muitos morreram de fome, doença ou exaustão — outros foram simplesmente executados. As atrocidades do sistema tiveram um impacto duradouro que ainda permeia a sociedade russa hoje.

Confira 5 fatos sobre a cruel vida nos campos da morte.

1. De Lenin a Stalin:

Após o início da Revolução Russa, em 1917, Vladimir Lenin, fundador do Partido Comunista Russo, assumiu o controle da União Soviética. Entretanto, quando ele morreu, em 1924, Stalin viu um caminho aberto para se tornar um ditador.

Porém, antes mesmo dessa troca de poder, os Gulags já haviam sido implantados no país, em 1919. Dois anos depois, em 21, o sistema já tinha 84 campos. Mas foi só no governo de Stalin que a população das prisões alcançou números significativos.

O líder soviético Josef Stalin / Crédito: Wikimedia Commons

 

De 1929 até 1953, os campos passaram por uma expansão, afinal, o ditado comunista via o local como uma maneira eficiente de impulsionar a industrialização da União Soviética e, assim, acessar recursos naturais valiosos, como madeira, carvão e outros minerais.

O Gulag se tornou um destino para as vítimas do Grande Expurgo de Stalin, uma campanha para eliminar membros dissidentes do Partido Comunista e qualquer pessoa que desafiasse sua autoridade.


2. Os prisioneiros

O primeiro grupo de prisioneiros no Gulag incluía principalmente criminosos comuns e camponeses prósperos, conhecidos como kulaks — que foram presos após se revoltarem contra a coletivização.

Quando Stalin lançou seus expurgos, uma grande variedade de trabalhadores, conhecidos como "presos políticos", foram transportados para o Gulag.

Além do mais, o local alocou membros opostos do Partido Comunista, oficiais militares e funcionários do governo. Mais tarde, pessoas instruídas e cidadãos comuns —como médicos, escritores, intelectos, estudantes, artistas e cientistas — foram enviados ao Gulag.

Prisioneiros trabalhando no Gulag / Crédito: Reprodução

 

Qualquer um com laços anti-stalinistas poderia ser preso, até mesmo mulheres e crianças sofriam duras condições nos campos. Sem aviso prévio, algumas vítimas foram apanhadas aleatoriamente pela polícia de segurança do NKVD de Stalin e levadas às prisões sem julgamento ou direitos a um advogado.


3. O cotidiano nos Gulags

Os prisioneiros de lá foram forçados a trabalhar em projetos de construção, mineração e industriais em larga escala — o tipo de indústria dependia da localização do campo e das necessidades da área. As equipes de trabalho Gulag trabalharam em vários empreendimentos soviéticos, incluindo o Canal Moscou-Volga, o Canal do Mar Báltico-Branco e a Rodovia Kolyma.

No entanto, para isso, os encarcerados recebiam ferramentas grosseiras e não dispunham de quaisquer equipamentos de segurança. Alguns trabalhadores passavam os dias cortando árvores ou cavando em terra congelada com serras manuais e picaretas. Outros extraíam carvão ou cobre e muitos tiveram que cavar a terra com as próprias mãos.

Prisioneiros de um campo do gulag no trabalho / Crédito: Wikimedia Commons

 

O trabalho costumava ser tão cansativo que os prisioneiros cortavam as mãos com machados ou colocavam os braços em um fogão a lenha para evitá-lo. Além de tudo isso, os presos costumavam sofrer brutalidade, às vezes enfrentando temperaturas abaixo de zero.

As rações alimentares eram reduzidas e os dias úteis eram alongados. Se não completassem suas cotas de trabalho, eles receberiam menos comida. Como consequência, muitos morreram de exaustão — os historiadores estimam que pelo menos 10% da população total das prisões de Gulag foi morta a cada ano.


4. Termos e Liberação da Prisão

Os prisioneiros dos Gulags recebiam sentenças e, se sobrevivessem ao prazo estipulado, podiam sair do campo. Por exemplo, familiares de uma pessoa acusada por traição recebiam uma sentença mínima de entre 5 e 8 anos de trabalho, mas se eles se esforçassem e superassem suas cotas, poderiam se qualificar para uma libertação antecipada.

De 1934 até 1953, entre 150 mil e 500 mil pessoas foram libertadas dos campos de trabalho a cada ano.


5. O fim do Gulag

O sistema do Gulag começou a enfraquecer imediatamente após a morte de Stalin, em 1953. Com isso, milhares de pessoas foram libertadas em poucos dias. O sucessor do déspota, Nikita Khrushchev, era um crítico ferrenho dos campos, dos expurgos e da maioria das políticas de Stalin.

Prisioneiros trabalhando na construção do Canal do Mar Branco / Crédito: Wikimedia Commons

 

Entretanto, alguns gulags não desapareceram completamente, mas foram reestruturados e serviram de prisões para criminosos, ativistas democráticos e nacionalistas antissoviéticos durante as décadas de 1970 e 1980. Somente em 1987, o líder soviético Mikhail Gorbachev, neto das vítimas de Gulag, iniciou oficialmente o processo da eliminação completa dos campos.


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