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A intrigante e esquecida história da mulher que decifrou códigos nazistas

Considerada a primeira criptoanalista dos Estados Unidos, Elizebeth Friedman desmascarou espiões e traficantes durante anos

Pamela Malva Publicado em 21/01/2021, às 08h00

Fotografia de Elizebeth S. Friedman
Fotografia de Elizebeth S. Friedman - Wikimedia Commons

Durante a Segunda Guerra Mundial, os códigos eram uma das formas mais eficazes de se passar uma mensagem sem que seu inimigo compreendesse o conteúdo dos textos. Com isso, diversos sistemas criptográficos foram criados, por ambos o Eixo e os Aliados.

Tamanha era a montanha de números e letras que poucos realmente conseguiam decifrar as centenas de mensagens enviadas todas as semanas. Os complexos textos codificados pelas máquinas alemãs, por exemplo, eram quase impossíveis de ler.

Criadas pelo sistema Enigma, as mensagens do Eixo teriam passado despercebidas se não fosse por uma única mulher. Conhecida como a primeira criptoanalista da América, ElizebethS. Friedman foi a responsável pela tradução de diversos textos nazistas.

Imagem meramente ilustrativa de livro de códigos / Crédito: Wikimedia Commons

 

Uma trajetória esquecida

Autor da obra “A Mulher que Esmagou Códigos”, o jornalista Jason Fagone afirmou, em entrevista à Time, que Elizabeth “foi uma heroína e nunca recebeu o que merecia”. Isso porque, apesar de seu papel na Segunda Guerra, a mulher nunca foi reconhecida.

Foram apenas nos últimos anos, inclusive, que a brilhante trajetória da criptoanalista passou a fazer parte dos registros. Em 2019, por exemplo, o Senado norte-americano assinou uma nova resolução em homenagem à mulher que mudou tudo no passado.

Segundo Fagone, Elizabeth foi “eliminada dos livros de história” durante muito tempo. Tendo atuado durante o período da Lei Seca, além das Primeira e Segunda Guerras Mundiais, contudo, a profissional merece ter um capítulo só seu.

Fotografia de Elizebeth e seu marido, William Friedman / Crédito: Wikimedia Commons

 

Uma fazendeira genial

Filha de John e Sophia Smith, a pequena Elizebeth dividiu sua infância em uma fazenda com seus oito irmãos mais velhos. Desde muito jovem, no entanto, ela já demonstrava interesse em matérias incomuns para crianças e certo fascínio pela linguística.

Em 1915, aos 23 anos, a jovem apaixonada por poesia formou-se em Literatura Inglesa e passou a escrever seus próprios textos. No ano seguinte, ela começou a trabalhar no Riverbank Laboratories, onde aprendeu a criptografia, sob influência de seu chefe.

Ainda na empresa, que era pioneira na tradução de códigos, Elizebeth conheceu o homem que viria a ser seu maior companheiro. Em meados de 1917, então, a jovem se casou com William Friedman, com quem dividiu a vida até o fim.

Fotografia de William Friedman quebrando um código / Crédito: Wikimedia Commons

 

Uma mulher sem limites

Segundo a historiadora Amy Butler Greenfield, foi neste trabalho que Elizebeth descobriu uma habilidade pouco usual. “Ela era extraordinária em reconhecer padrões e fazia o que pareciam ser suposições que logo se revelaram corretas”, conta.

Naquela época, a decodificação não era tão conhecida e, por isso, Elizebeth sequer sofreu com o machismo presente em diversas outras áreas. Isso porque, segundo Fagone, a mulher era uma dos muito poucos profissionais em quebra de códigos no país.

Com a chegada da Primeira Guerra Mundial, contudo, a comunicação por rádio tornou-se comum e, com ela, as codificações tornaram-se cada vez mais necessárias. Assim, a procura por criptoanalistas cresceu rapidamente.

Fotografia de Elizebeth e William Friedman / Crédito: Wikimedia Commons

 

Um casal arrebatador

Especialistas no assunto, os Friedman passaram a chefiar uma equipe de decifradores de códigos e ainda treinavam militares norte-americanos a traduzir mensagens secretas. O casal, inclusive, chegou a criar seus próprios sistemas de codificação.

Ao final da guerra, então, os dois foram convidados a trabalhar para o governo dos Estados Unidos. Na década de 1920, Elizebeth tornou-se a primeira mulher a dirigir a própria unidade criptanalítica, a fim de monitorar redes de contrabando.

No total, enquanto dirigia os especialistas, Elizebeth movimentou 650 processos criminais e ainda testemunhou como perita em mais de 30 casos contra traficantes. Com tamanho sucesso, ela foi convocada para a Segunda Guerra Mundial.

Retrato de Elizebeth S. Friedman / Crédito: Divulgação/George C. Marshall Foundation

 

Um furação em saltos

Mesmo irritada com o FBI, que era bastante sexista na época, e com o fato de ter de responder a um homem, a mulher decidiu servir aos EUA. Dessa forma, ela foi capaz de decodificar mensagens trocadas entre países da América do Sul e os alemães.

No final, Elizebeth desmascarou toda uma rede de espionagem nazista, revelando identidades e codinomes desconhecidos. Depois da descoberta, países como Argentina, Bolívia e Chile romperam laços com o Eixo e passaram a simpatizar com os Aliados.

Toda a conquista, no entanto, foi ofuscada por J. Edgar Hoover, que reivindicou o trabalho de Elizebeth. A criptoanalista faleceu em outubro de 1980, aos 88 anos, sem nunca ser reconhecida pelo papel crucial que desempenhou contra os nazistas.

Hoje, autores e jornalistas como Jason Fagone tentam reviver sua memória e seus muitos feitos. Amy Butler Greenfield, por exemplo, escreveu a biografia de Elizebeth, intitulada “The Woman All Spies Fear”, a fim de imortalizar a lendária criptoanalista.


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