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Investigador vê semelhanças entre os casos 'Corumbá' e Lázaro Barbosa: 'São pessoas que não têm cura'

Ex-chefe de investigações do DHPP, hoje aposentado, após mais de 34 anos de carreira, fala sobre as buscas por Lázaro: “Aquela região é realmente complicada”

Fabio Previdelli Publicado em 26/06/2021, às 00h00

Lázaro em imagem capturada por câmera de segurança
Lázaro em imagem capturada por câmera de segurança - Divulgação/ Polícia Civil

As buscas por Lázaro Barbosa, acusado de chacina no Distrito Federal, já duram mais de duas semanas. Conforme a equipe do site do Aventuras na História vem relatando nos últimos dias, as investigações já alteraram a rotina de moradores do estado de Goiás, onde o foragido está sendo caçado.  

Desde então, diversos registros detalham os momentos de terror que as pessoas por lá vivem, principalmente aquelas que cruzaram o caminho do procurado ou as que tiveram suas casas invadidas e saqueadas — provavelmente por Lázaro.  

Em entrevista exclusiva à equipe do site Aventuras na História, o ex-chefe de investigações do DHPP, Robson Feitosa, hoje aposentado, após mais de 34 anos de carreira, comentou sobre as buscas. “Pelo que tenho visto, o terreno onde o Lázaro está se escondendo é de muito difícil acesso”.  

O investigador Robson Feitosa/ Crédito: Arquivo Pessoal

 

“Um segundo ponto, é que os policiais que estão trabalhando no caso não tiveram um contato com o Lázaro em si e tudo o que está sendo passado para eles são informações do dia a dia”, completa, ponderando que tudo o que tem conhecimento sobre o caso são as informações que vê pela televisão e lê nos jornais, dizendo não saber afundo como está sendo a estratégia das investigações e de detalhes do inquérito. 

“Já tive a honra de trabalhar com a polícia de Goiás e considero o trabalho deles extremamente competente, além de serem muito dedicados”, comenta. Além disso, Feitosa explica que em casos como esse, qualquer minuto pode mudar os rumos das investigações. “São coisas que não tem como prever”. 

O caso Corumbá 

Em 2004, recorda Robson, ele esteve na cidade histórica de Pirenópolis, que fica a cerca de 40 quilômetros de Cocalzinho de Goiás, onde parte das buscas por Lázaro Barbosa acontecem. Na ocasião, o investigador colhia informações sobre o desaparecimento da turista Katryn Rakitov

O investigador Robson Feitosa segurando um cartaz sobre o desaparecimento de Katryn/ Crédito: Fabio Previdelli/Aventuras na História

 

Sumida por mais de oito meses, a russo-israelense de 29 anos havia vindo ao Brasil para participar do casamento de uma amiga brasileira, a qual conheceu em Londres. “Já trabalhei com eles [Polícia de Goiás] no caso do Corumbá, onde as buscas aconteceram por aquela região, que realmente é extremamente complicada”.  

Apesar de considerá-los muito detalhistas e ótimos profissionais, salienta que cada caso é um caso, e acredita que o mais importante para terem sucesso é determinarem quais deficiências precisam suprir.  

“Esse tipo de investigação, numa mata, é competência de uma unidade que conheça esse tipo de serviço, não adianta só pegar um policial que faz patrulhamento, em bairros e na cidade, e colocá-lo para trabalhar no meio do mato. Ele não tem conhecimento daquilo. Isso não faz parte de seu cotidiano e ele não foi treinado para essas situações”, explica.  

Robson acredita que, por conta disso, o apoio de outras corporações possa ser de grande ajuda. “Em São Paulo, por exemplo, a Polícia Militar do Estado possui uma unidade, criada nos anos 1970, que se chama COE (Comando de Operações Especiais). Então, eles são especialistas nesse tipo de serviço, um dos melhores grupos que existem no Brasil para trabalhar em casos assim”. 

“Então, talvez fosse de interesse do Estado de Goiás pedir um pequeno destacamento para ajudá-los. Apesar disso, vejo que estão trabalhando com muita dedicação e temos que parabenizá-los por isso, já que é um trabalho que não é nada fácil”, completa. 

As buscas estão demoradas? 

Para o ex-chefe de investigações do DHPP, um ponto que precisamos entender sobre esse assunto é que nenhuma investigação existe prazo definido para ser iniciada e tampouco concluída. “Cada minuto que se passa, algo diferente e inesperado acontece”.  

“Um fator que contribui com isso é que a polícia de Goiás deve estar recebendo centenas de ligações a todo instante, e muitas delas podem ser denúncias falsas. Então, não tem como saber, já que é uma demanda inimaginável. Ainda mais com o caso ganhando a repercussão da maneira que está sendo”, completa.  

Carros dos policiais que buscam por Lázaro, em 2021/ Crédito: Divulgação/ Polícia Militar

 

Sendo assim, Feitosa diz que não há como dizer se o caso está demorando muito ou não, embora ressalte a importância de capturar Lázaro o quanto antes. “Em investigação não existe prazo. O que podemos exigir é dedicação total”. 

Corumbá x Lázaro 

Recordando sua experiência nas investigações sobre os assassinatos de José Vicente Matias, o Corumbá, que matou seis mulheres entre os anos de 1999 e 2004, Robson Feitosa enxerga algumas semelhanças entres os crimes.  

“Comparando os casos, o Corumbá é uma pessoa muito fria, assim como o Lázaro parece ser. Além disso, por ser andarilho, conhecia muito bem a região de Goiás, o que facilitava ele não ser descoberto. Foi uma pessoa que andou por todas essas localidades onde agora buscam por Lázaro”, diz.  

Além disso, relembra que Corumbá demonstrou ser muito cruel e brutal com suas vítimas, apesar de jamais deixar transparecer sua real face. “Um ponto curioso é que o Corumbá parecia um pessoal ‘normal, que se você se sentasse para conversar com ele e tudo mais, ele lhe enganaria facilmente”. 

Mapa feito com a ajuda de Corumbá que ajudou Robson a localizar o corpo de Katryn/ Crédito: Fabio Previdelli/Aventuras na História

 

Assim como Lázaro, José Vicente Matias era um exímio conhecedor da mata goiana, e justamente usava essa vantagem ao seu favor. “Ele levava suas vítimas para uma região de mata fechada, com cachoeiras e tudo mais, e lá cometia seus crimes. Corumbá tinha o conhecimento do que precisaria fazer para ocultar as coisas que fez". 

“Essas são algumas semelhanças que vejo: ele andava sozinho, comia sozinho e na época também chegou a se especular sobre a participação em rituais, coisa que eu nunca acreditei muito”, completa. 

Para Robson Feitosa, ex-chefe de investigações do DHPP, que possui mais de 34 anos de carreira, e que hoje está aposentado, o comportamento mental de Lázaro é muito semelhante com o de Corumbá, algo que lhe chama a atenção. “São pessoas que não têm cura. Não tem como fazê-lo parar de cometer crimes, é o 'eu' dele: a maldade”.


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