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Isolamento e reclusão: A vida íntima de Greta Garbo, a atriz que detestava holofotes

Uma das mulheres mais famosas da Era de Ouro de Hollywood foi, na realidade, um ser humano reservado

Penélope Coelho Publicado em 11/07/2020, às 08h00

Greta Garbo em 1930
Greta Garbo em 1930 - Wikimedia Commons

Considerada uma das maiores artistas da história, Greta Garbo era avessa a qualquer tipo de exposição e raramente aparecia em público. Nascida em Estocolmo, na Suécia, em 18 de setembro de 1905, desde muito nova a menina já demonstrava sinais de melancolia.

A atriz que iniciou sua carreira no cinema mudo foi indicada três vezes ao prêmio mais importante do audiovisual norte-americano, o Oscar. Entretanto, ela nunca compareceu à premiação. Mesmo com sua personalidade reclusa, Greta foi uma das mulheres mais fotografadas do mundo.

Anos iniciais

Greta Lovisa Gustafsson foi a terceira e mais nova filha de Anna Lovisa e Karl Alfred Gustafsson. Garbo, seus dois irmãos e os pais viviam de maneira simples em um pequeno apartamento localizado num bairro operário de Estocolmo, considerado como parte da periferia.

Quando criança, a menina sonhava alto, no entanto, nunca gostou de estar rodeada de pessoas, por isso, consequentemente, detestava a escola e costumava passar a maior parte do tempo sozinha inventando as próprias brincadeiras. Desde nova amava interpretar.

Aos 13 anos, entrou para o teatro amador onde encontrou seu verdadeiro objetivo de vida: ser atriz. A jovem não chegou a concluir o ensino médio e posteriormente quando se tornou artista, sentiu na pele às consequências e julgamentos. Em 1920, a menina sofreu uma grande perda em sua família quando seu pai faleceu em decorrência da Gripe Espanhola.

Fama e mistério

Garbo em 1925 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Greta começou a chamar atenção no cinema sueco no ano de 1924, com papeis secundários. Mesmo não sendo a atriz principal, sua performance chamou atenção dos diretores de Hollywood que fizeram uma proposta para a artista.

Quando se mudou para os Estados Unidos, Greta fez diversos filmes: Torrent (1926), Carne e o Diabo (1927), e em 1930 estrelou sua primeira obra falada, Anna Christie, tornando-se verdadeiramente uma celebridade internacional.

Mesmo realizando seu sonho, a fama e o interesse do público por sua vida pessoal, não foi algo agradável para Garbo. Rumores sobre sua sexualidade e seus relacionamentos começaram a surgir, todavia, ela nunca respondeu a nenhum dos questionamentos.

Por ser uma mulher que nunca se casou e também não teve filhos, a mídia especulava constantemente sobre sua vida íntima, fazendo com que Greta fosse ainda mais contrária aos holofotes.

Sua relação com os fãs também era distante, ao longo de sua carreira, a estrela optava por não dar autógrafos e nem responder às inúmeras cartas dos admiradores. Além de evitar quase todas as funções publicitárias da indústria do cinema.

Garbo raramente aparecia em público, sendo vista na maioria das vezes somente nas telonas. A atriz dificilmente dava entrevistas — já que a sua relação com a imprensa não era muito boa. Na rara ocasião em que a mulher decidiu falar, ela comentou sobre a sua inerente necessidade de privacidade: "Desde que me lembro, queria estar sozinha. Detesto multidões, não gosto de muitas pessoas", afirmou.

Seu lado mais calado e as poucas aparições renderam à mulher o título de Esfinge Sueca, o resultado foi o contrário do que era desejado pela artista: o silêncio constante fez com que cada vez mais as pessoas tivessem curiosidade sobre sua vida pessoal.

Aposentadoria feliz

Greta assinando seus papéis de cidadania americana, em 1950 / Crédito: Wikimedia Commons

 

Depois de atuar em 28 filmes, fazer fortuna e realizar o sonho de sua vida, Garbo decidiu que era hora de parar. Mesmo depois de se aposentar, a atriz recebeu inúmeras propostas para retornar às telonas, todas foram recusadas.

Depois da decisão de se retirar da vida pública, a intérprete conseguiu finalmente viver em paz. A mulher adorava colecionar arte e esse foi um de seus grandes prazeres na aposentadoria.

A imprensa costumava rotular Greta como uma mulher solitária, no entanto, ao contrário do que era dito, a atriz teve muitos amigos — inclusive famosos — com quem viajava e passava boa parte de seu tempo. Os maiores problemas para a sueca naturalizada norte-americana foram os holofotes, fama e a exposição.

Apesar de reclusa da grande mídia, a atriz deixou um enorme legado para o cinema norte-americano e foi uma das maiores intérpretes da Era de Ouro de Hollywood. Em seus anos finais, Greta sofreu com algumas doenças terríveis, sem nunca comunicar o ocorrido para a imprensa.

Poucas pessoas sabiam que a estrela batalhou contra um câncer de mama no início da década de 1990. Apesar de curada da enfermidade, faleceu em 15 de abril de 1990, aos 84 anos, com diagnóstico de pneumonia e insuficiência renal. Sua sutileza e naturalidade nunca foram esquecidas e a atriz tornou-se uma eterna referência para os amantes do cinema.


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