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Ivan Mishukov, o garoto que fugiu de casa aos 4 anos de idade — e foi criado por cães

Com uma mãe e padrasto alcoólatras, a alternativa encontrada pelo jovem foi tentar a sorte nas ruas de Moscou — porém, acabou desenvolvendo características selvagens

Wallacy Ferrari Publicado em 26/06/2020, às 11h00

Imagem ilustrativa de criança fugindo de casa
Imagem ilustrativa de criança fugindo de casa - Pixabay

Nascido em Reutov, na Rússia, em 6 de maio de 1992, o garoto Ivan Mishukov enfrentava problemas sociais desde a infância, ainda dentro de sua casa. Do nascimento aos quatro anos de idade, sofria com fome, agressões e desamparo de sua mãe, uma mulher alcoólatra. Para piorar, o desconhecimento de sua paternidade e a chegada de um padrasto tornou os episódios ainda mais frequentes.

Em 1996, com distúrbios e incômodos, o garoto encontrou uma maneira de interromper o sofrimento dentro de casa, aos quatro anos de idade. Fugiu de sua residência e passou a repetir os movimentos de moradores de rua, de maneira que pedisse coisas. O garoto fofo foi capaz de chamar a atenção de diversos pedestres, porém, se deu ainda melhor com os animais.

Com o apreço que tinha pelos cães, o pequeno Ivan tinha o hábito de brincar, fazer carinho e acompanhar os bichanos, criando um laço de confiança. Além disso, toda vez que recebia alimentos, compartilhava com os cachorros de rua, transformando os animais em verdadeiros guarda-costas.

A vida com os cães

Acompanhado dos cachorros, o garoto passou dois anos nas ruas, entre os 4 e 6 anos de idade, caminhando até a capital Moscou. Ao invés de desenvolver habilidades sociais em decorrência da comunicação constante com andarilhos, Ivan se tornou mais recluso, pouco comunicativo e mais agressivo, como um animal selvagem.

Retrato fotográfico de Ivan Mishukov ainda na infância / Crédito: Divulgação/Facebook/21.06.2020

 

Com os cães, entretanto, manifestava companheirismo; além de ser defendido quando algum estranho interagia com o garoto, era abraçado por diversos cães ao dormir, criando uma espécie de manta contra o frio russo. De acordo com o jornal britânico The Independent, o comportamento dos animais em relação a Ivan foi biologicamente compreendido como o de um líder de matilha, ordenando e auxiliando.

A defesa e ordens surtiram efeito; de acordo com a polícia russa, em três tentativas de recolhimento da criança para sua identificação e educação apropriada, as autoridades foram atacadas com mordidas e arranhões, enquanto o jovem ágil fugia. Em 1998, a polícia de Moscou definiu um plano para a sua captura, de maneira que o mesmo fosse conduzido para uma avaliação psicológica.

Depois das ruas

Deixando uma isca apetitosa para o bando de cães, a autoridades conseguiram desviar a atenção e recolher Ivan, que resistiu com gritos e agressões, mas falou poucas palavras compreensíveis. Em boa parte do tempo, o garoto rosnava, reproduzindo os sons dos cachorros. O garoto não foi devolvido aos pais biológicos, porém passou a ser acompanhado por educadores e psicopedagogos.

Ivan, no clipe da música 'Ifan', feito pela banda 9Bach em 2018 / Crédito: Divulgação/Youtube/Real World Records

 

Em pouco tempo, retomou a fluência na língua russa e perdeu os trejeitos animais, sendo conduzido a uma escola militar, onde conseguiu se readaptar socialmente. Tornou-se conhecido nacionalmente como “o garoto fera”, sempre apresentando uma feição zangada. Ao chegar à fase adulta, seguiu carreira militar e foi descrito pelo jornal Daily Mail como um rapaz inteligente e bem-humorado.

A história foi usada pela dramaturga britânica Hattie Naylor para escrever a peça “Ivan and The Dogs” (“Ivan e os Cachorros”, em inglês) premiada pela crítica especializada e adaptada no Brasil pela Cia Cor de Teatro, com o nome “Entrecães”. Além disso, o próprio Ivan fez uma participação no clipe da música “Ifan”, da banda russa 9Bach, que conta a história de um garoto guiado pelos animais.


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