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James Randi, o curioso caso do homem que desmascarou dezenas de charlatões paranormais

O mágico dedicou metade de sua vida a praticar ilusionismo — e dedica segunda metade a acabar com pessoas que se dizem sobrenaturais usando ilusionismo

Wallacy Ferrari Publicado em 28/03/2020, às 08h00

James Randi em evento
James Randi em evento - Divulgação

Randall James Hamilton Zwinge nasceu em 1928, mas se tornou O Incrível Randi aos 18 anos, sendo o maior mágico e escapista dos Estados Unidos nas décadas de 1950 e 1960, aprimorando números impressionantes de Houdini, mas com a possibilidade de televisionar nacionalmente seus atos.

Muito carismático, educado e talentoso, Randi era convidado frequente de programas de entrevistas, onde, além de apresentar seus números, rendia excelentes conversas sobre mágica e ilusão, além de seu ateísmo livre de qualquer crença, motivado por uma filosofia de plenitude completa.

Porém, conforme ia envelhecendo, compreendia que continuar com a prática da mágica poderia colocar sua vida em risco. Randi decidiu então se aposentar aos 60 anos, mas antes, lançou um desafio de um milhão de dólares: cansado de ver pessoas se intitulando paranormais para tomar vantagem de pessoas leigas, daria o prêmio para alguém que apresentasse qualquer característica sobrenatural.

Na época, diversos personagens se tornaram famosos mundialmente com o advento da televisão, provando terem poderes completamente impossíveis de serem executados por um humano normal. Uri Geller, um bonito jovem israelense era um deles; viajava o mundo entortando garfos e consertando relógios com o poder da mente.

Misto de showman com paranormal, foi a primeira oportunidade de Randi lançar seu desafio. Uri estava sendo entrevistado no Tonight Show with Johnny Carson quando recebeu alguns garfos para realizar sua performance, porém, não conseguiu “concentrar seus poderes”, de acordo com ele. Os garfos entregues pela produção, na verdade, eram diferentes dos que Uri trouxe e haviam sido escolhidos por Randi, que trocou os garfos de gálio por garfos reais de aço.

Uri Geller surpreso ao não conseguir executar (à esq.) e Randi explicando o truque (à dir.) / Créditos: Divulgação

 

Logo, em diversos programas, Randi contou com a ajuda de físicos e químicos para analisar qualquer manifestação paranormal. Foi o caso de James Hydrick, que afirmou que poderia mover objetos leves por telepatia, como canetas e passar páginas de livros. Em um programa de auditório, Randi colocou, em volta de seus objetos, uma espuma hipersensível, revelando seu simples truque: ele assoprava os objetos.

Porém, outros truques, mais elaborados, eram o principal foco do desafiante, pois estes serviam para enganar pessoas. Diversas vezes foi convidado a fazer apresentações simulando falsas na homeopatia e nas cirurgias espirituais. Sempre muito didático e bem humorado, explicava que esse tipo de encenação não pode ser usado com pessoas que realmente sofrem de patologias que precisam de acompanhamento médico.

É o caso de Peter Popoff, um televangelista que arrecadava milhões de dólares na década de 1980 identificando problemas do seu fiel apenas por mensagens divinas. Ao reunir os seguidores em sua igreja, em certo momento, apontava para pessoas aleatórias e, além de acertar seus nomes em meio a multidão, acertava a doença e aplicava ali mesmo a cura.

Em uma longa investigação, Randi fez uma análise de sintonia, estacionando uma van em frente a enorme igreja de Popoff e, rapidamente, descobriu seu moderno truque: ao coletar dados dos fieis na entrada, sua esposa passava as informações do setor, vestimenta que usava e características do fiel via rádio em um ponto eletrônico. Após a denúncia, Peter declarou falência poucos anos depois.

Na televisão japonesa, chegou a desmistificar o mundialmente famoso “homem-imã”, que afirmava grudar em objetos de qualquer constituição material em seu corpo. Randi então solicitou, após uma demonstração do rapaz, que fosse passado talco em seu corpo. Sem o atrito, nenhum objeto se manteve no corpo do rapaz.

James Randi com Neil deGrasse Tyson (à esq.) e com Bill Nye (à dir.) / Créditos: Divulgação / Facebook

 

Desde a década de 1980, Randi se dedica integralmente a provar que não existe paranormalidade no mundo, realizando palestras e dinâmicas contestando desde a astrologia até conspirações malucas. Com medo de serem desmascarados, diversos paranormais recusaram seu desafio de um milhão, incluindo Thomaz Green Morton, brasileiro que ficou famoso como “o homem do rá”, que chegou a ter seguidores como Tom Jobim.

Sendo uma inspiração a grandes comunicadores da ciência, como a dupla Penn and Teller, o apresentador de Eureca Bill Nye e o astrofísico Neil deGrasse Tyson, Randi faz questão de divulgar o ceticismo de maneira que o mesmo não seja considerado algo ruim e, sim, algo que lhe dá maior conforto e tranquilidade sobre onde vivemos.


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