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Janeiro Branco: Nossa saúde mental está na conscientização da nossa existência

Doutor em Ciências da Saúde nas áreas de neurociência e psicologia, Fabiano de Abreu diz que um dos segredos para uma boa saúde mental, é a consciência de que existimos para sobreviver e que nosso tempo é finito

Redação Publicado em 13/01/2021, às 10h38

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Imagem ilustrativa - Imagem de Free-Photos por Pixabay

Doutor em Ciências da Saúde nas áreas de neurociência e psicologia, Fabiano de Abreu diz que um dos segredos para uma boa saúde mental, é a consciência de que existimos para sobreviver e que nosso tempo é finito.

O ano começa relembrando a importância da saúde mental. Janeiro Branco enfatiza a importância de uma mente sã principalmente em meio ao período que vivemos.

O neurocientista, psicanalista e jornalista Fabiano de Abreu procura despertar na consciência de cada um, o que devemos fazer para alcançar o equilíbrio e, por consequência, viver uma vida mais feliz e tranquila.

"É necessário antes de mais nada saber diferenciar a razão de nossa existência, das fantasias criadas pelo nosso desejo. Nós criamos aplicativos que mostram uma realidade ficcional, se nós publicamos em nossa rede social essa ficção pessoal, ela apenas concretiza nosso desejo secreto. Também almejamos um cotidiano que vai muito além da necessidade, passa pelo conforto, chega ao luxo e atinge a ostentação", alerta Abreu.

O neurocientista relembra que não devemos deixar totalmente a rota para a qual fomos traçados. Esquecer o essencial é adoecer.

Abreu recorda-nos "que, a verdadeira razão de nossa existência é a sobrevivência e a perpetuação da espécie; e a isso estamos condicionados, a rodar um programa impresso em nosso código genético. A prova disso, são as disfunções neuronais que revelam doenças mentais, já que o nosso organismo utiliza as mesmas funções instintivas para as necessidades inventadas por nós, nessa sociedade pós moderna".

Este desfasamento entre o que queremos e o que necessitamos causa uma série de transtornos. "Ansiedade, agonia, transtornos, tristezas, insuficiência, entre outros sentimentos que nos afetam, a maioria, é inventado por nós ou é resultado da falta de capacidade em lidarmos com uma realidade natural", refere o neurocientista.

A conjetura atual foi responsável por nos mostrar a realidade, a nossa verdadeira natureza. Segundo Abreu, "A pandemia nos mostrou isso, mas nem todos ainda conseguem enxergar, não somos máquinas, não somos superiores, não somos nossos objetos. Somos humanos, frágeis e orgânicos. Por isso desenvolvemos a inteligência, pois nosso cérebro foi a melhor ferramenta para sobrevivermos e evoluirmos, já que temos um corpo frágil e, por isso, aproveitamos bem as vantagens de sermos bípedes".

No contexto científico é fácil mostrar a pressão a que estamos sujeitos e o porquê do que nos está a acontecer. "Neste momento, o que temos que perceber é a realidade; e esta advém da razão, que vêm da consciência. Esta que localiza-se no lobo pré frontal, região do uso da inteligência emocional, da Cognição com todas as suas funções executivas. Hoje nossa meta é sobreviver, nosso desafio é ter paciência, sermos racionais e criamos estratégias para o presente, já que o futuro a “Deus pertence”. Não deixando de pensar no futuro, mas criando metas possíveis e logo alcançáveis e liberar a dopamina necessária para produzir o humor que nos impulsiona a seguirmos adiante.", indaga.

Tudo é regido pelo desejo de conquistar, de alcançar. Tudo na vida se move pela recompensa e como nos sentimos diante dela. "Se não tivéssemos a dopamina (hormônio da recompensa), não teríamos o prazer da conquista, então, não buscaríamos seguir adiante para nada, nem mesmo nos alimentarmos. Se não houvesse a ansiedade não nos levantaríamos para buscar a liberação da dopamina. Mas estamos usando esses componentes de forma diferente da necessidade real que é sobreviver e garantir a perpetuação da espécie, liberando todo o tempo com excesso de conquistas, muitas, irrelevantes e aumentando nossa ansiedade para liberar mais dopamina: vício. O que acontece é que nosso organismo não diferencia a necessidade real da criada por nós fabricando nossos componentes químicos da mesma maneira", esclarece Fabiano de Abreu apresenta uma série de soluções para repensar e sair de algumas situações.

"Paciência, inteligência, observação, avaliação, solidariedade, compaixão e muitos outros adjetivos necessários neste momento. Se hoje a sua empresa não vai bem, sua saúde como vai? Sem saúde não há empresa, sem empresa pode haver saúde pois empresa e emprego, há muitos e, se alguém ainda vai bem, é porque você pode ir bem também. O falido se reergue, o falecido não! A questão hoje é se preparar para se reinventar, seja no trabalho ou nos pensamentos. Se recicle, se reinvente, pense com bom humor, se apoie na natureza, no que te faz bem, se alimente bem, faça exercícios, leia bastante, aprenda, absorva conhecimento, faça a neuroplasticidade cerebral para que seus neurônios fortes e saudáveis possam trazer melhores ideias para um melhor futuro", conclui.

Sobre Fabiano de Abreu Rodrigues

Doutor e Mestre em Psicologia da Saúde pela Université Libre des Sciences de l'Homme de Paris; Doutor e Mestre em Ciências da Saúde na área de Psicologia e Neurociência pela Emil Brunner World University; Mestre em psicanálise pelo Instituto e Faculdade Gaio, Unesco; Pós-Graduação em Neuropsicologia pela Cognos de Portugal; Três Pós-Graduações em neurociência, cognitiva, infantil, aprendizagem pela Faveni; Especialização em propriedade elétrica dos Neurônios em Harvard; Especialista em Nutrição Clínica pela TrainingHouse de Portugal.

Neurocientista, Neuropsicólogo, Psicólogo, Psicanalista, Jornalista e Filósofo integrante da SPN - Sociedade Portuguesa de Neurociências – 814, da SBNEC - Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento – 6028488 e da FENS - Federation of European Neuroscience Societies - PT30079.  E-mail: deabreu.fabiano@gmail.com