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João Pedro, o sobrinho-neto de Cândido Portinari que sobreviveu a um ataque de tubarão

Em A Isca, João relata a sua experiência, que nem mesmo um velejador experiente como ele poderia ter imaginado

Caio Tortamano Publicado em 12/08/2020, às 08h00

Ilustração presente na capa do livro (à esq.) o autor (à dir.)
Ilustração presente na capa do livro (à esq.) o autor (à dir.) - Divulgação

Os grandes feitos artísticos de Cândido Portinari são quase inerentes e imortais para todo mundo que visita os maiores museus do país. O pintor foi um dos maiores ícones culturais do Brasil, inspirando muito de seus familiares. Um deles, inclusive, sobreviveu a uma experiência inacreditável. 

Águas bravas

O sobrinho-neto do artista plástico, João Pedro Portinari Leão cresceu em uma família muito ligada ao mar. João Pedro já comandava um barco sozinho aos 8 anos de idade, tendo como referência a família de sua mãe que praticava caça submarina, e a de seu pai que era apaixonada por pesca.

Na vida adulta, se tornou praticante de windsurf, uma modalidade esportiva que consiste em uma espécie de vela acoplada a uma única prancha, conduzida exclusivamente por uma única pessoa. Foi praticando esse esporte que viveria a grande aventura de sua vida.

Em 20 de abril de 1997, em uma praia na costa de Búzios, no Rio de Janeiro, João acabou se afastando muito da costa. Quando decidiu voltar, sua prancha acabou ficando gradativamente com menos velocidade e começou a afundar. Ele não se desesperou, afinal, era um surfista experiente que já havia passado por situações como essa anteriormente, mas quando isso aconteceu, sentiu uma batida forte em sua perna.

Ele tinha ideia do que estava acontecendo: um tubarão havia acabado de se deparar Portinari, que foi puxado para a profundeza. Em entrevista à GQ, João Pedro afirma que tinha certeza que iria morrer, “Vou morrer a morte mais horrível, sangrando e agonizando”.

João Pedro Portinari Leão sobreviveu a um ataque de tubarão e transformou história em livro / Crédito: Divulgação / Youtube

 

Isso se repetiu na cabeça do homem durante 40 minutos, tempo necessário para que ele voltasse ao litoral pela prancha. A dor era suprimida pela necessidade de sobrevivência, a anestesia natural foi a suficiente para que Portinari alcançasse a praia, sendo resgatado por um casal em seguida.

"Não fiquei assustado ou desesperado. Foi matemático, como um mais um é igual a dois. Tive certeza de que iria morrer. Seria rápido e sem sofrimento. O tubarão veio de baixo para cima, do fundo do oceano, e abocanhou minha perna, segurando-a com seus dentes e rasgando minha pele. Em seguida, deu um golpe de corpo, mudando sua direção em 180 graus (...) Vi um pedaço do seu dorso passando na velocidade de uma bala bem na minha frente. Em seguida, sua nadadeira, saindo da água, bateu na minha vela que, ainda nas palmas das minhas mãos, caía sobre nós. Pude ouvir o estrondo da batida — levado pelo tubarão, parti para o que acreditei ser meu último mergulho”, relatou Portinari na obra A Isca, lançada recentemente. 

Depois disso, só consegue se lembrar de ter sido levado para um hospital. Os médicos passaram mais de duas horas apenas limpando o sangue e costurando os enormes rasgos que foram feitos em sua perna — quase todos os músculos foram dilacerados com o ataque.

Recuperação e trauma

Depois de muito tempo de recuperação, a fisioterapia de João seria na piscina. Portinari conta no seu livro de memórias que foi uma sensação assustadora, uma vez que depois de um ataque de tubarão, sua relação com a água nunca mais poderia ser a mesma.

Esse medo irracional — mas justificável — só foi solucionado em uma noite que, determinado a acabar com esse temor, invadiu a piscina e somente saiu dela quando sentisse que aquele problema do “tubarão fantasma” estava resolvido em sua mente.

Mudança de ares

A experiência, por mais que nunca tenha sido esquecida, foi deixada para trás, tanto que, depois de se mudar para Tuamotu, na Polinésia Francesa e abrir em uma fazenda de pérolas, ele mergulhava todo dia em águas que constantemente tinham tubarões. A fazenda tinha sido construída e era administrada pelo próprio Portinari.

“Hoje, entendo porque fui atacado por um tubarão-branco no quintal de casa. Invadi o território dele (...). Não respeitei o mar. Achava que era dono dele. Aprendi que não sou dono do mar. Os verdadeiros donos são os peixes”, afirmou o sobrinho-neto de Portinari.

De volta ao Brasil, com a própria família constituída, o sobrevivente não se nega a uma aventura em sete mares com seus filhos, levando-os sempre para a água no dia 20 de abril, data em que João nasceu de novo. 


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