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Joaquim Sebastião Gonçalves: O macabro caso da represa Billings

Um dos mais intrigantes e assustadores casos de suposta abdução alienígena no Brasil permanece um mistério até hoje

M. R. Terci Publicado em 01/11/2019, às 13h00

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- Masticentral

Em 1972, o astrônomo norte-americano J. Allen Hynek criou três categorias para classificar os possíveis encontros entre seres humanos e entidades alienígenas. Assim, o simples avistamento de um OVNI passou a ser identificado como Contato Imediato do Primeiro Grau,  enquanto casos onde os OVNIs deixaram marcas de sua passagem ou rastros de pouso eram chamados de Contatos Imediatos do Segundo Grau, sendo que os avistamentos de extraterrestres fora do ambiente de sua nave eram classificados como Contatos Imediatos do Terceiro Grau.

Essa última categoria foi bastante popularizada pelo diretor Steven Spielberg, em 1977, com o longa metragem homônimo, cujo roteiro narrava a história do primeiro contato dos terráqueos com seres extraterrestres benévolos.  Entretanto, os supostos casos de avistamento de objetos ou entidades alienígenas nem sempre ocorriam de maneira pacífica como no filme de Spielberg.

Assim, uma nova categoria foi acrescentada à lista de Hynek, uma na qual a testemunha do avistamento não saía ilesa. Venham comigo, pelos caminhos mais escuros da história, conhecer um dos mais intrigantes e macabros casos de suposta abdução alienígena no Brasil.

MORTE DE JOAQUIM SEBASTIÃO GONÇALVES

Era um dia claro de primavera, Joaquim Sebastião Gonçalves acordou cedo, com intenção de tirar o dia para pescar na Represa Billings. Tomou o ônibus até o Jardim Recanto do Sol, na região do Grajaú em São Paulo. Chegando ao local, o pescador se embrenhou por uma das trilhas e logo deu com um dos braços da Represa Billings.

Represa Billings / Crédito: Wikimedia Commons

 

Longe da vista de outras pessoas, o pescador se despiu, como usualmente fazia, ficando apenas de cueca. Dobrou cuidadosamente as roupas e escondeu no meio da mata. Entrou na água rasa portando apenas seus apetrechos de pescaria, atravessou os 80 metros que o separavam da outra margem da represa e, ali, passou o dia pescando. No dia seguinte, familiares deram falta de Joaquim.

Durante aquela semana, um garoto local que caminhava a esmo pela mata, caçando passarinhos com seu estilingue, avistou um cadáver em uma ilhota repleta de urubus. Fugiu aos tropeços de lá, avisou moradores nas proximidades que imediatamente acionaram a polícia.

Após comparecerem ao local, agentes da 25ª Delegacia de Polícia de Santo Amaro requisitaram auxílio ao corpo de bombeiros para remoção do corpo da represa com o auxílio de um barco. A princípio, dado o estado do corpo e a ausência de documentos que o identificassem, foi dado como indigente.

Somente algumas semanas depois o corpo foi identificado. Informações adicionais dos familiares deram conta de que Joaquim tinha 53 anos de idade, sofria de epilepsia, tomava remédio controlado, mas lamentavelmente bebia muito. Tanto o relatório oficial da Polícia Civil, como o laudo do Instituto Médico Legal de São Paulo concluíam o mesmo. A mistura do medicamento com álcool, fez com que a vítima sofresse um mal súbito, desmaiado, sem ninguém para socorrê-lo em meio à mata, ficou a mercê de ratos e aves de rapina e foi parcialmente devorado pelos predadores.

Erroneamente, registraram, ainda, que o corpo havia sido localizado na Represa Guarapiranga. À época, talvez, por se tratar de pessoa desconhecida, alguns dos mais intrigantes aspectos do caso passaram despercebidos pela imprensa e não foram devidamente esclarecidos. Dada sua estranheza e o desinteresse dos familiares, os responsáveis legais opinaram por finalizar a investigação. 

MISTÉRIO SEM SOLUÇÃO

E assim o caso permaneceu encerrado até setembro de 1993, quando a Revista UFO, em sua edição nº 25, publicou o estranho caso da Represa Guarapiranga como uma temida sequência das mutilações de animais investigadas pela pesquisadora Encarnación Zapata Garcia. Um ano depois, na edição 32 da revista, um novo artigo da pesquisadora vinha levantar dúvidas sobre alguns dos pontos mais inverossímeis e controversos dos laudos oficiais.

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Cadáver de Joaquim / Crédito: YouTube

O caso foi noticiado posteriormente pelo Jornal Notícias Populares em abril de 1997, e na revista Extra, em agosto do mesmo ano, fato que, não obstante o sensacionalismo exagerado dos semanários, levantou perguntas ainda mais intrigantes. Poucas foram devidamente elucidadas. O primeiro esclarecimento, contudo, veio em outubro de 1997, quando o pesquisador e jornalista Saulo Gomes, que também investigou o Caso Guarapiranga, anunciava em primeira mão, que a insólita ocorrência sucedera na Represa Billings e não na Represa Guarapiranga.

O que jamais foi explicado tanto pela perícia legal como pela casuística ufológica, está fartamente documentado e registrado nos laudos do IML, com fotografias coloridas, tão hórridas quanto intrigantes e que desafiam e constrangem as mais abalizadas opiniões. O corpo de delito descreve que o cadáver de Joaquim foi encontrado vestido apenas com a cueca, não obstante, com diversas mutilações e que a causa mortis foi hemorragia e múltiplos traumatismos.

O cadáver estava sem os olhos, orelhas, lábios, saco escrotal, sem o ânus, bem como todo sistema digestivo e alguns órgãos. Todos os ferimentos e mutilações estavam cauterizados. Segundo o laudo, “é sugestiva de modus operandi a incisão em partes moles e em orifícios naturais mediante aspiração”, ou seja, de acordo com o legista, algum instrumento mecânico foi enfiado pela barriga e aspirou os órgãos internos, enquanto a pele e tecidos moles foram extraídos com cortes cirúrgicos precisos. 

Cadáver de Joaquim / Crédito: YouTube

 

O mais alarmante de tudo é que o corpo apresentava sinais de reações vitais; Joaquim ainda estava vivo enquanto tudo acontecia. Dadas às cauterizações, não houve perda de sangue e o laudo do exame químico toxicológico sangue não revelou traços de qualquer substância alcoólica ou tóxica.

Segundo algumas das autoridades envolvidas, Joaquim pode ter desmaiado por estar na região da fulminação de um raio, o que explicaria as queimaduras. Sobre as mutilações do cadáver, as mesmas autoridades creditam a animais selvagens. Contudo, nada explica as pequenas incisões e a precisão cirúrgica e muito específica com que pele, tecido dos lábios, da mandíbula e alguns dos órgãos foram retirados. Um mistério que permanece sem resposta até hoje.


M.R. Terci é escritor e roteirista; criador de “Imperiais de Gran Abuelo” (2018), romance finalista no Prêmio Cubo de Ouro, que tem como cenário a Guerra Paraguai, e “Bairro da Cripta” (2019), ambientado na Belle Époque brasileira, ambos publicados pela Editora Pandorga.


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