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John Hartley Robertson: A intensa saga do soldado que passou 44 anos "morto" até ser encontrado vivo no Vietnã

Depois de sumir em combate durante a Guerra do Vietnã, demorou quase meio século para que o sargento fosse encontrado

Caio Tortamano Publicado em 06/03/2020, às 10h00

Sargento J. H Robertson ficou desaparecido depois da queda de seu helicóptero
Sargento J. H Robertson ficou desaparecido depois da queda de seu helicóptero - Wikimedia Commons

Durante a Guerra do Vietnã, a unidade de Green Berets, das forças especiais do exército americano, estava sobrevoando uma área para reconhecimento quando foi abatida pelos guerrilheiros locais, durante uma missão secreta em Laos.

Nenhum homem teria sobrevivido, isso até a história de John Hartley Robertson ficar conhecida. O sargento foi tido como um dos mortos do ataque sofrido nesse dia, mas, na verdade, ele sobreviveu à queda e foi pego pelos vietnamitas, que o torturaram sistematicamente durante quatro longos anos.

Ele estava em uma jaula no meio de uma floresta, passando fome e sofrendo com torturas que faziam o sobrevivente perder a consciência. Essa rotina deixou sequelas físicas e mentais em Robertson, que conseguiu escapar do cativeiro apesar de tudo.

Escondendo-se na floresta, o homem foi encontrado pela viúva de um soldado que lutava pelo governo apoiado pelos Estados Unidos, fazendo com que a mulher tivesse carinho por John. Assim, o americano passou a viver sob a identidade de Dan Tan Ngoc — nome do antigo marido da americana —, com quem teve quatro filhos.

Enquanto isso, nos Estados Unidos, sua mulher e suas duas filhas tiveram apenas a informação de que ele havia se perdido em combate, e foi declarado morto apenas em 1976, sem nunca terem encontrado seu corpo.

Já no Vietnã, Robertson passou 44 anos vivendo como um camponês, acreditando que seria assim para o resto de sua vida. Até que, em 2008, o veterano de guerra Tom Faunce — que vivia procurando soldados americanos perdidos no país — o localizou. A essa altura, John já havia esquecido como falar inglês, e os primeiros sinais de demência começaram a surgir.

O sargento desaparecido foi reconhecido por um de seus antigos companheiros de batalhão que sobreviveu aos horrores da guerra, viajou para o Vietnã e comprovou que a identidade do antigo amigo.

Em 2010, Robertson procurou a embaixada americana no país asiático para identificar a si mesmo como cidadão americano por meio de suas impressões digitais. Para sua surpresa, o reconhecimento foi negado pelos americanos por uma suposta “falta de evidências que demonstrem que ele é John Hartley Robertson”.

A outra maneira mais precisa para se provar a identidade de Hartley seria comparar seu DNA com algum de seus parentes, no caso, a irmã dele, Jean, já que suas duas filhas tinham se recusado a passar pelo procedimento. Porém, isso não foi preciso, uma vez que Jean logo o reconheceu no momento em que se encontraram.


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