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John Proctor, o primeiro homem a ser condenado por bruxaria durante os julgamentos de Salem

Fazendeiro e dono de propriedades no local, ele acabou enforcado após contestáveis acusações

Fabio Previdelli Publicado em 21/04/2020, às 11h00 - Atualizado às 12h00

John Proctor sendo enforcado
John Proctor sendo enforcado - Wikimedia Commons

John Proctor foi um fazendeiro de sucesso e o primeiro homem a ser acusado e condenado por bruxaria durante os julgamentos das bruxas de Salem, em 1692. Nascido em 9 de outubro de 1631, no condado inglês de Suffolk, imigrou para uma colônia na Baia de Massachusetts com seus pais, Sr. John Proctor e Martha Harper Proctor, logo nos seus primeiros anos de vida.

Na América, seu pai se tornou um fazendeiro yeoman de muito prestígio, afinal, possuía muitas propriedades e era considerado um dos residentes mais ricos do condado de Ipswic. O pequeno John seguiu os passos do progenitor e logo se tornou um homem de negócios, trabalhando com pessoas de todas as castas sociais.

Em 1653, Proctor se casou com Martha Giddens, com a qual teve quatro filhos: John, Martha, Mary e Benjamin. Entretanto, Martha não resistiu ao parto de Ben, que justamente foi o único fruto sobrevivente do casal.

Quase uma década depois, em 1662, Proctor casou-se novamente, desta vez com Elizabeth Thorndike, filha do fundador de Ipswich. Juntos, eles tiveram sete filhos. Quatro anos após a segunda união, ele se mudou para Salem e alugou uma propriedade de 700 acres, conhecida como Fazenda Groton, para Emmanuel Downing, cunhado de John Winthrop.

Em 1668, Proctor obteve uma licença para operar uma taberna, que ele chamou de Proctor Tavern. Esse novo negócio, localizado em Ipswich Road, a cerca de 800 metros ao sul da fronteira de Salem Village, tornou-se muito lucrativo e fez dele um homem rico.

Depois que seu pai faleceu em 1672, John herdou um terço de suas propriedades — o que incluía algumas casas e terrenos em Ipswich. Sua esposa, Elizabeth, também faleceu no mesmo, e ele se casou pela terceira vez: com Elizabeth Bassett, em abril de 1674.

Alguns anos depois, John Proctor testemunhou contra Giles Corey, que estava sendo julgado por espancar o trabalhador rural, Jacob Goodale, até a morte em 1676. Segundo o fazendeiro, Corey admitiu que bateu em Goodale. Apesar do testemunho, Giles só recebeu uma multa, mas a morte acabou para sempre com sua reputação em Salem.

John Proctor e os julgamentos das bruxas de Salem

Quando a histeria da bruxaria começou no vilarejo de Salem, no inverno de 1692, as acusações iniciais foram dirigidas à terceira esposa de Proctor, Elizabeth. Entretanto, ele se tornou um oponente franco dos julgamentos e declarou que muitas das acusações eram fraudulentas e mentirosas. E, por isso, os dedos também foram apontados contra John.

O fazendeiro foi acusado por tentar estrangular sua ex-serva Mary Waren, que afirmou ter sido espancada após apresentar um projeto de oração, e disse que foi forçada a encostar no Livro do Diabo.

Durante o processo, o réu sempre contestou a veracidade das evidências e chegou a levar uma petição assinada por 32 vizinhos que estavam a seu favor nesse processo. Os signatários declararam que Proctor havia vivido uma "vida cristã e que sua família estava sempre pronto para ajudar aqueles que precisavam".

Entretanto, mesmo com os pedidos por piedade, John foi condenado em 5 de agosto de 1692 e sentenciado à morte por enforcamento. Enquanto isso, sua terceira esposa permaneceu na prisão para aguardar o nascimento de seu filho. Mesmo depois de dar à luz em 27 de janeiro de 1693, ela não foi executada — os motivos são desconhecidos.

Elizabeth permaneceu na prisão até maio, quando o governador Phipps libertou os últimos prisioneiros dos julgamentos de bruxas. Fora do cárcere, descobriu que fora despojada de seus direitos legais devido a suas convicções — e também a pedido de John, que esperava que sua esposa fosse condenada junto a ele, e também acreditava que ela não seria capaz de herdar sua propriedade.


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