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John Waters: 75 anos do diretor que mudou a história do cinema trash

Responsável por idealizar Hairspray e a personagem Divine, seu status cult foi cravado na História

Wallacy Ferrari Publicado em 22/04/2021, às 17h44

John Waters durante premiação
John Waters durante premiação - Wikimedia Commons

Em 22 de abril de 1946, nascia em Maryland o pequeno John Samuel Waters Jr., nome pouco conhecido aos menos entusiastas da sétima arte — mas venerado pelos amantes da cultura trash.

Responsável por criações transgressivas, o diretor fez escola ao compreender que o espaço do cinema poderia ser ainda mais abrangente para temas menos genéricos, historinhas de caubóis e heróis, passando para ideias mais provocadoras, colocando minorias em destaque.

Sete décadas e meia depois, o resultado dessa mistura de bizarrices com elementos extravagantes presentes no nosso cotidiano resultou em criações que fazem parte da memória popular mundial, além de compor referências em musicais da Broadway, grandes produções cinematográficas e até na música.

A primeira obra

Porém, se engana quem acredita que tratou-se de um almejo profissional; o cinema entrou na vida de Walters enquanto estava na Universidade de Nova York, como informa a Rolling Stone.

Com apenas uma presença em aulas e expulso do dormitório por uso de maconha, sua amizade com um dono de laboratório cinematográfico e um conhecido que fornecia equipamentos resultou em sua primeira obra, 'Hag in a Black Leather Jacket', lançada em 1964.

Waters autografa fã em convenção no ano de 1990 / Crédito: Wikimedia Commons / Davidphenry

 

 

Apesar de ter sido feito com apenas 30 dólares, a recepção positiva fez com que admiradores se juntassem a ele para formar a companhia Dreamland, com artistas performáticos prontos para estrelar suas próximas produções — entre eles Harris Glenn Milstead, co-criador da personagem Divine, a primeira figura drag queen mundialmente conhecida.

Foi com ela que o diretor alcançou o mundo com o filme "Pink Flamingos", capaz de chocar os mais conservadores por cenas bizarras, como consumo de fezes, closes explícitos em um ânus real e até zoofilia.

Contudo, o choque serviu de vitrine para a quebra de padrões estéticos ao demonstrar coisas que realmente estão presentes na civilização — mas eram varridos para baixo do tapete em Hollywood.

Por outro lado, a projeção de Waters possibilitou chamar a atenção da indústria em suas criações seguintes, como nos clássicos Hairspray, de 1988, e ’Quem Não Chora Não... Ama’, em 1990.

“Eu fiz filmes de exploração para cinemas de arte [...] E, não importa o que vocês pensem deles, eu, definitivamente, fui a primeira pessoa que fez isso”, afirmou o diretor em entrevista ao portal IndieWire.

A personagem Divine (esq.) e parte do elenco original de Hairspray (dir.) / Crédito: Divulgação

 

Legado da obra

Se por um lado John passou a ser considerado o “Papa do lixo”, por outro serviu de inspiração para dezenas de obras desde então; a personagem Divine, criada junto com o intérprete, foi uma das principais inspirações da personagem Úrsula, como registrou o portal Vírgula; trata-se de uma representação visual e comportamental de uma figura extravagante.

‘Hairspray’ também continha tais elementos e se tornou alvo da indústria cultural, sendo replicado em uma prestigiada peça na Broadway, além de ser receber um remake em 2007, contando com Zac Efron, John Travolta e Queen Latifah. ‘Quem Não Chora Não... Ama’, que também é um musical, impulsionou as carreiras de Johnny Depp e Willem Dafoe.

Por fim, John completa 75 anos com orgulho de suas obras — apesar de sentir que, nos dias atuais, não surtiriam com o mesmo efeito: "Eu acho que depois de Trump, nada é tão bom quanto ruim. Ele arruinou a palavra 'ruim'. Não há nada que seja 'bom gosto ruim', tudo é apenas 'gosto ruim'", afirmou ao BFI.


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