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John Wojtowicz: o homem que assaltou um banco para pagar a cirurgia de mudança de sexo da esposa

O assalto, baseado no roteiro de O Poderoso Chefão, acabou sendo inspiração para o clássico Um Dia de Cão, com Al Pacino

Daniela Bazi Publicado em 14/02/2020, às 08h00

Mugshot de John Wojtowicz
Mugshot de John Wojtowicz - Divulgação

O filme americano Um Dia de Cão (1975), estrelado por Al Pacino, dirigido por Sidney Lumet, se baseia na história real do americano John Wojtowicz, que decidiu assaltar um banco para pagar a cirurgia de troca de sexo de sua esposa.

John nasceu em 1945, na cidade de Nova York. Ao se formar no ensino médio, acabou servindo no Vietnã como militar e, quando voltou, passou a trabalhar no Chase Manhattan Bank, onde conheceu sua primeira esposa Carmen Bifulco. Entretanto, Wojtowicz escondia da mulher sua verdadeira sexualidade.

Porém, o segredo não foi mantido por muito tempo. Em 1969, apenas dois anos após o casamento, eles acabaram se separando e John entrou na Aliança Ativista Gay, começando a se envolver abertamente com inúmeros homens.

No ano de 1971, ele conheceu e começou a namorar Elizabeth Eden, uma mulher transexual, que antes era conhecida como Ernie Aron. No mesmo ano, eles acabaram se casando em uma simples cerimônia não oficial, no dia 4 de dezembro, já que o casamento gay ainda não era permitido.

John Wojtowicz e Elizabeth Eden no dia de seu casamento / Crédito: Divulgação

 

Liz sonhava em passar por uma cirurgia de troca de sexo, porém, inicialmente, John foi totalmente contra a ideia. Quando Eden acabou sendo internado por cometer uma tentativa de homicídio, Wojtowicz percebeu que a esposa precisava do procedimento para se curar da depressão, e decidiu que iria pagar por ela roubando um banco.

Para ajudá-lo no crime, recrutou dois homens que havia conhecido em um bar gay, chamados Bobby Westenberg e Salvatore Naturale. Entretanto, nenhum deles tinha profissionalismo no quesito assalto. O trio passou a, simplesmente, dirigir pelas ruas de Nova York no dia 22 de agosto de 1972, a procura de um banco para cometer o roubo.

Ao pararem na primeira localização, eles conseguiram fazer com que a espingarda caísse no chão e fizesse um disparo acidental, mas acabaram conseguindo fugir. Já no segundo, Bobby acabou encontrando um grande amigo de sua mãe, e o grupo acabou desistindo.

Os três então decidiram ir assistir ao filme O Poderoso Chefão, de Francis Ford Coppola, e basearam o novo assalto no roteiro da obra cinematográfica. O banco escolhido dessa vez foi o Chase Bank em Gravesend, Brooklyn. Ao entrarem no local, deram ao caixa um papel com uma frase parafraseada do filme, onde dizia "Esta é uma oferta que você não pode recusar".

John Wojtowicz na janela do banco / Crédito: Charles Ruppmann

 

Finalmente o assalto foi anunciado e eles renderam todas as oito pessoas ali presentes. Antes que a polícia chegasse, mesmo com o banco estando meio vazio, os cúmplices conseguiram roubar cerca de 175 milhões de dólares em cheques de viagem e US$ 38 milhões em dinheiro.

Após a chegada das autoridades, se passaram mais de 14 horas de operação. O crime se tornou um show, contando com a presença de agentes do FBI, atiradores de elite posicionados nos prédios ao redor, policiais, jornalistas e mais de 2.000 espectadores acompanhando ao vivo o desenrolar da trama.

John Wojtowicz assumiu o papel de líder da operação, e exigiu pizzas para alimentar os reféns, pagando o entregador com alguns maços do dinheiro que havia acabado de roubar, além de jogar mais um pouco para a multidão que estava presente, incluindo sua mãe. Westenberg foi o único que conseguiu fugir antes de tudo acontecer.

Sua atitude fez com que até as pessoas que havia rendido passassem a gostar dele e a ter menos medo. Shirley Ball, caixa do banco, disse "Percebi que ele era amigável... tinha um propósito de roubar o banco... ele achava que entraria e sairia". Entretanto, o que aconteceu não foi tão fácil quanto imaginado.

O homem confrontou os policiais durante o assalto / Crédito: Dan Cronin

 

As negociações finalmente chegaram ao fim quando o FBI disse aos criminosos que aceitavam levá-los ao Aeroporto Internacional Kennedy, para que pudessem pegar um voo internacional e fugir. Entretanto, tudo não passava de uma tática. Ao chegarem no local, haviam outros agentes a espera dos ladrões.

Uma intensa troca de tiros foi iniciada, resultando na morte de Naturale e na prisão de John. Ele acabou sendo condenado a 20 anos de prisão, porém acabou cumprindo apenas cinco e acabou sendo libertado no ano de 1978. Wojtowicz acabou assistindo ao filme inspirado em sua trama, lançado em 1975, enquanto ainda estava na prisão acompanhado de um guarda.

Consequentemente, o homem acabou não gostando muito de como sua história foi retratada na obra e enviou uma carta para o editor de cultura do The New York Times, onde retratou diversas críticas ao filme.

Segundo ele, o longa-metragem "Não mostrava toda a verdade, e o pouco que mostrava era constantemente distorcido e distorcido. Sugeriu muito dramaticamente que eu fiz algum tipo de acordo para trair meu parceiro, Sal… Isso não é verdade e não existe um ser humano baixo o suficiente neste mundo que deixe o FBI matar seu parceiro para ele sobreviver”.

Al Pacino como John Wojtowicz em Um Dia de Cão / Crédito: Divulgação

 

John também disse que não havia gostado de como sua ex-esposa foi representada. “Parece horrível, e deduz que eu a deixei e acabei nos braços de um homem gay por culpa dela. Isso é completamente falso, e sinto muito pela atriz por ter desempenhado um papel tão horrível”.

Wojtowicz nunca se mudou de Nova York, e passou seus últimos anos trabalhando como assistente social. Ele morreu em 2006 decorrente de um câncer.


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