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Jonathan Riches, o homem que processou a Rainha Elizabeth, Michael Jackson e outras 20 personalidades

Conhecido como a pessoa que mais abriu ações judiciais no mundo, ele chegou a assinar cerca de 4 mil processos

Pamela Malva Publicado em 02/10/2020, às 08h00

Jonathan Lee Riches em vídeo postado no Youtube
Jonathan Lee Riches em vídeo postado no Youtube - Divulgação/Youtube

Aqui no Brasil, é comum encontrar processos jurídicos bastante longos, que chegam a demorar anos para se resolver. Mais fácil ainda é identificar alguém que não quer dar início à uma ação por medo do tempo que ela vai demorar para ser analisada.

Para Jonathan Lee Riches, todavia, o período que as cortes demoram para decidir o desfecho de um caso específico nunca foi um obstáculo. Citado até mesmo no Guinness, o livro dos recordes, o homem é conhecido como o "Zeus das ações judiciais".

Com mais de 4 mil ações em seu nome, o norte-americano é a pessoa que mais abriu processos na história. E poucos deles realmente fizeram algum sentido, sendo que muitos foram direcionados à marcas, grupos e até personalidades famosas.

Jonathan Lee Riches sendo questionado por jornalistas / Crédito: DIvulgação/Youtube

 

Vício pela corte

Nascido em meados de 1976, na Carolina do Sul, Jonathan demorou muito tempo para estabelecer seu recorde mundial. Mas tudo começou em 2006, época na qual ele deu entrada em mais de 2,6 mil processos por todos os Estados Unidos.

Daquele ano em diante, o homem assinou centenas de acusações anualmente, desafiando até mesmo a Rainha Elizabeth. Pela fama já reconhecida no universo do judiciário, então, Jonathan também passou a ser chamado de “Johnny Sue-nami”, um trocadilho entre a palavra “processar”, em inglês, e o fenômeno dos tsunamis.

Ainda em 2006, inclusive, ele produziu um documento de 57 páginas, cujo conteúdo acusava diversas personalidades de ofensas aos direitos civis, que ele nunca especificou. Entre os processados estavam George W. Bush, Papa Bento 16, Bill Gates, Google, “vítimas do tsunami”, deuses nórdicos, Pizza Hut, Viagra e Platão.

Rainha Elizabeth II sorri durante evento oficial / Crédito: Getty Images

 

Incansável

Com a chegada de 2007, Jonathan decidiu manter seu ritmo e abriu um processo contra o jogador de baseball Barry Bonds. Os motivos? Vender esteróides a freiras, envenenar Saddam Hussein com gás de mostarda e por obrigá-lo a levantar halteres na frente de seus amigos do trabalho. Pelos “danos”, foram exigidos 42 milhões de dólares.

Mais tarde, em setembro daquele mesmo ano, foi a vez de Elvis Presley entrar na lista de processados. Agora, no entanto, o Rei do Rock foi acusado de roubar as costeletas de Jonathan, além de vender frango contaminado e ter um acordo secreto com Bin Laden.

Não demorou muito para que o Zeus dos processos entrasse em ação contra outras personalidades da música. Acusando Michael Jackson, por exemplo, ele afirmava que o rancho Neverland abrigava um exército de Hitler.

Michael Jackson no clipe Speed Demon / Crédito: Divulgação

 

Ninguém escapava

Poucos meses depois, ele pediu 35 bilhões de dólares para o rapper 50 Cent, que teria roubado todas as suas músicas, mas algo entrou em seu caminho. Um processo contra o próprio Jonathan foi finalmente aberto nos Estados Unidos.

Daquela vez, sentado na cadeira dos acusados, o norte-americano foi indicado por fraude eletrônica sob os termos de um acordo judicial. Identificado como culpado pelas acusações, ele foi detido e condenado a 5 anos de prisão.

Mesmo dentro de sua cela, no entanto, ele não parou com os processos. Em 2009, Jonathan abriu uma ação contra o Guinness. Na época, ele queria que seu nome parasse de ser citado no livro, ainda que ele realmente fosse um recordista.

Mugshot de Jonathan Lee Riches / Crédito: DIvulgação/Youtube

 

Sem paradas

Ainda em meados de 2009, o norte-americano comentou sobre seu currículo de ações na última que assinou. "Eu tenho tantos processos assinados com a minha caneta e mão direita, que tenho artrite nos meus dedos, dormência nos meus pulsos”, escreveu.

Em abril de 2012, Jonathan foi colocado em liberdade condicional, mas foi pego violando a decisão em dezembro do mesmo ano. Assim, ele foi condenado mais uma vez, mas fugiu — teorias sugerem que ele dirigiu da Pensilvânia, onde morava, até Connecticut.

Anos mais tarde, em julho de 2018, já tendo processado o Partido Nacional Socialista de Hitler, Nostradamus, Che Guevara e todos os sobreviventes do Holocausto, Jonathan foi indiciado no Arizona. Mas uma vez, ele era acusado de fraude.

Em novembro do mesmo ano, o homem publicou o livro “Nothing is Written in Stone: A Jonathan Lee Riches Companion”. Na obra, ele fez questão de compilar alguns de seus maiores processos, todos acompanhados por uma autobiografia.


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