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Quando Stalin fez sucesso no Tinder, ou quase isso

Em episódio recente, um repórter quis ver se o jovem tirano conseguiria um date com alguém

Vinícius Buono Publicado em 14/09/2019, às 08h00

Josef Stalin jovem
Josef Stalin jovem - Reprodução

O que pouca gente sabia até pouco tempo (quando a Internet descobriu), é que, na juventude, Josef Stalin ainda não parecia, bem, um ditador sanguinário. A foto de Stalin com pinta de galã chegou a viralizar nas redes no começo do ano.

O bigode, ainda em tamanho normal, vem acompanhado de uma bem feita barba e o cabelo levemente desgrenhado forma um topete moderno. Pensando nisso, o repórter alemão Paul Schwenn, da VICE, teve uma ideia inusitada: resolveu criar um perfil no Tinder como se fosse o jovem ditador.

Colocando as poucas fotos remanescentes da época em que Stalin ainda não parecia um ditador sanguinário e modificando levemente algumas frases dele para falarem de temas mais aprazíveis como amor e relacionamentos (“Hitlers vêm e vão, mas a Alemanha e o povo alemão permanecem” se transformou em “Relacionamentos vêm e vão, mas o amor permanece”), ele lançou a isca no gigantesco mar do aplicativo.

Inicialmente, não deu resultados. Schwenn resolveu apelar. Pagou o Tinder Plus, que concede certas vantagens como likes ilimitados, e expandiu seu escopo ao abrir o perfil para homens, também.

Em uma hora, 15 matches. Ele tentava usar frases de Marx, Lenin e do próprio Stalin, transformando-as em cantadas. Entre as pessoas que combinam com o jovem ditador, algumas apenas o elogiam, outras não percebem e um terceiro grupo, ainda, é de stalinistas e de pessoas que conhecem história. Ninguém parece estranhar o fato de que o repórter está usando o perfil de um tirano.

Dentre os matches, está Sofia. A moça de 30 anos diz, em seu perfil, prezar por uma boa conversa antes de rolar qualquer coisa. Ela chega fazendo duas perguntas, ambas em russo: se ele está vivo e se trará o comunismo de volta.

Papo vai, papo vem, ela garante que não é uma espiã. Ligeiro, Paul responde que para garantir, precisa olhá-la nos olhos. E, assim, como no enredo de um filme da Sessão da Tarde, o ditador consegue um encontro.

Tudo corre razoavelmente bem, considerada a situação. Não dá em nada, mas a moça também não vai embora antes da hora ou o estapeia gritando “Viva Trotsky!” ou “America!”. Ele revela sua identidade real e qual o sentido daquilo tudo. Ela mantém uma conversa agradável. Enquanto isso, diversas notificações do aplicativo continuam chegando no celular do rapaz.

Porém, o perfil dele foi denunciado por conteúdo ofensivo e um número russo começou a ligar incessantemente. Sem saber se era ou não a KGB, Paul deletou a conta, encerrou a saga do jovem Stalin no século 21. Mas não sem antes enviar seu número real para Sofia.