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José Bonifácio de Andrade e Silva: Há 256 anos nascia o patriarca da Independência do Brasil

Estadista e estudioso, José Bonifácio foi um dos principais nomes do Brasil no século 19 e essencial para a formação do Estado Brasileiro

André Nogueira Publicado em 13/06/2019, às 12h00

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- Câmara Municipal de São Paulo

Nascido em 1763 numa família rica da cidade brasileira de Santos, José Bonifácio foi um dos grandes nomes na Nação Brasileira, de fundamental importância no desenvolvimento do Estado Monárquico no país.

Estudando na Universidade de Coimbra, ganhou destaque não só na política, mas também na área de mineralogia, descobrindo quatro minerais novos.

Aos 59 anos, retornou ao Brasil sonhando abrir fábricas no país e dinamizar a mineração nacional. Porém, nessa época, ele começa sua carreira política, tornando-se deputado da província de São Paulo nas Cortes Constitucionais de Lisboa.

Bonifácio era Grão-Mestre da Maçonaria. Por isso, constantemente se encontrava em círculos secretos compostos de críticos do domínio português católico na América. Nesse período, fundou o Apostolado, que visava promover a independência do país e fundar um único governo.

Leopoldina e Bonifácio na assinatura da independência / Crédito: Reprodução

 

José Bonifácio era contra as rebeliões populares que tentavam criar independências de maneira fragmentada. Ele via na figura do Príncipe-Regente Pedro, filho de D. João VI, um possível elemento de integração nacional contra um Brasil do populacho. Ao mesmo tempo, defendia que Pedro era a chave para impedir o estouro de uma guerra civil de independência no interior do país.

Ele também era defensor de um projeto econômico de abolição progressiva da escravidão negra e integração compulsória dos indígenas à sociedade como principal forma de mão-de-obra. Como liberal conservador, defendia a monarquia constitucional como forma de manter o território unido e o pulso firme do poder executivo.

Com a independência, Bonifácio se tornou elemento importante do círculo do poder monárquico. Tornou-se Ministro de Negócios Estrangeiros, negociando acordos de reconhecimento internacional entre as nações amigas, e, junto com D. Leopoldina, integrou o Conselho de Estado e tentou impedir o retorno de Pedro I a Portugal.

Bonifácio idealiza a bandeira imperial / Crédito: Eduardo Sá

 

Com a Constituinte, na década de 1820, Pedro I e José Bonifácio tiveram fortes divergências políticas, principalmente quanto à continuidade da escravidão, que Pedro I não impediu, e também quanto ao equilíbrio dos três poderes, que Pedro destruiu com a instauração do Poder Moderador. Por isso, Bonifácio foi exilado na França em 1823.

Quando D. Pedro I abdicou, Bonifácio é chamado para retornar ao Brasil e é nomeado tutor dos filhos do Imperador, incluindo o pretendente ao trono, Pedro de Alcântara.

Doente e enlouquecido, Bonifácio se retira para Niterói, onde morre em 1838.