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Joseph McCarthy: Caçador de comunistas

Senador destruiu centenas de carreiras nos anos 1950

Cláudia de Castro Lima Publicado em 15/04/2019, às 13h00

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Wikimedia Commons

Não foi só o perigo de um iminente confronto contra a União Soviética o pavor dos cidadãos americanos na década de 1950, durante a Guerra Fria. Nos Estados Unidos, centenas sentiram na pele a fúria de um senador do estado de Wisconsin que perseguiu, acusou sem provas, julgou e até executou pessoas ao menor sinal de alguma ligação delas com o comunismo. Ele era Joseph Raymond McCarthy, e a cruzada anticomunista que promoveu levou a alcunha de macarthismo.

O filme Boa Noite e Boa Sorte, de 2005, mostra como Edward R. Murrow, apresentador de See It Now, da CBS, peitou McCarthy ao exibir matérias criticando o senador – e deu um pontapé para que o político começasse a perder seu poder.

A chamada “caça às bruxas” começou em 1950. Apenas entre 1953 e o começo de 1954, à frente do Subcomitê de Investigações Permanentes do Senado, McCarthy vigiou 653 pessoas acusadas de “perigosas ao convívio social” – e levou dezenas a julgamento.

Joseph McCarthy / Reprodução

Um dos casos analisados no See It Now foi o de Milo Radulovich, expulso do Exército por se recusar a denunciar a irmã e o pai como comunistas. Milo foi reintegrado depois, mas a mesma sorte não tiveram outras vítimas, como o historiador Herbert Aptheker. Membro do Partido Comunista, Aptheker entrou para a “lista negra” e ficou anos sem conseguir emprego.

“Minha infância foi profundamente marcada por isso”, diz a professora universitária Bettina Aptheker, filha de Herbert, morto em 2003. “Me lembro da execução de Julius e Ethel Rosenberg – eles eram amigos da família Eu era criança, mas já era consciente da vigia do FBI, dos grampos telefônicos que eram colocados em casa.”

O Wikileaks revelou um massivo esquema para a escuta de celulares nos EUA. Para a historiadora Ellen Schrecker, especialista em macarthismo da Universidade Yeshiva, em Nova York, os Estados Unidos não aprenderam nada com o episódio. “Hoje, o medo do terrorismo guia a repressão política como o medo do comunismo fez antes”, diz. “Políticos e jornalistas continuam permitindo a violação dos direitos humanos.” 

Fim da história

O casal Rosenberg / Reprodução

Em 1954, o Senado condenou Joseph R. McCarthy por abuso de poder. Ignorado, passou a beber e morreu de hepatite, em 2 de maio de 1957, aos 48 anos. Já Edward R. Murrow, saiu da CBS em 1961 para assumir a Agência de Informação dos Estados Unidos. Morreu em 27 de abril de 1965, de câncer de pulmão.

O casal Julius e Ethel Rosenberg foi acusado de ser espião da União Soviética, e acabou morto na cadeira elétrica em 19 de junho de 1953. E Milo Radulovich foi reintegrado ao Exército, trabalhou para o Serviço Nacional de Meteorologia até 1994. Morreu em 2007.