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Juanita: a irmã de Fidel Castro que odeia o comunismo

Apesar de apoiar a Revolução no início, permaneceu as discordâncias políticas e o sentimento de aversão ao regime

Gabriel Fagundes Publicado em 03/03/2020, às 12h42

Juanita (à esq.) e Fidel (à dir.) em montagem
Juanita (à esq.) e Fidel (à dir.) em montagem - Getty Images

Juanita de Castro ou Juana de la Caridad Castro Ruz é a irmã mais nova do ex-político e revolucionário cubano Fidel Castro, falecido em 2016, e de Raul Castro que foi presidente de Cuba de 2008 até 2018. Mas apesar de seu sobrenome, seu estreito laço sanguíneo com os dois homens mais poderosos daquele país não a impediu de contestá-los quando necessário e nem de propagar suas convicções ideológicas frente às injustiças sociais reinantes.

Nascida em Birán, um pequeno povoado cubano que passou a ser chamado de Holguín, foi com seus irmãos, partícipe da Revolução Cubana (1953- 1959), apoiando o Movimento 26 de Julho, formado por Fidel, contra o governo de Fulgencio Batista. Contudo, após o levante sentiu-se decepcionada com rumos que o seu país estava tomando. Cuba estava sobre influência comunista, e seu irmão mais velho procurava dizimar todo e qualquer opositor do regime, o que conduzia fatalmente a ilha para os ideais comunistas.

É nesse momento de descompasso familiar e ideológico que Juanita decide contribuir com a CIA. Passando a utilizar o codinome "Donna" para tentar desmantelar o governo de seu irmão. “Eles queriam falar comigo porque tinham coisas interessantes a me dizer, e coisas interessantes a me perguntar, tais como se eu estava pronta para correr o risco, se eu estava pronta para ouvi-los – eu fiquei chocada, mas disse sim”, conta em entrevista à emissora Univisión.

Juanita Castro denunciando o irmão no Congresso Americano Anti-Comunismo - Créditos: Getty Images

 

Por conta desse fator ela pontua que sua “situação em Cuba ficou delicada por causa da atividade contra o regime”, explicado porque ficou “desencantada quando viu tanta injustiça”. Por isso, passou a ceder sua casa em Havana para os subversivos, os perseguidos por Fidel, durante os anos de 1961 a 1964. Posteriormente, se exilou em Miami sendo proprietária de uma farmácia durante 30 anos. Em 2006 se aposentou.

Mesmo com o passar dos anos deixou de falar com Fidel em 1963, quando sua mãe veio a falecer. Após isso, não mais retomou o diálogo. E quando ele em 2016 veio a óbito, descartou a possibilidade de ir ao funeral.  Mas, apesar da recusa declarou para o jornal El Nuevo Herald: "Como irmã de Fidel, estou vivendo, nesse momento, a perda de um ser humano que teve meu sangue".


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