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Júlio César já foi sequestrado por piratas – e não teve piedade ao ser libertado

Durante o sequestro, o líder romano exigiu ser tratado com reverência pelos seus algozes, que tiveram um trágico fim

Joseane Pereira Publicado em 01/09/2019, às 08h00

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- Crédito: Reprodução

Entre as várias histórias da vida de Júlio César, uma é muito difícil de acreditar. Em 75 a.C., o líder romano que contava com 25 anos foi sequestrado por piratas de uma região chamada Cilícia, na Turquia moderna. Censurando e ameaçando os seus captores, César acabou ganhando respeito entre eles.

O sequestro

O jovem romano tinha uma coragem desmedida: ao escutar que o valor de seu resgate seria 20 talentos de prata, ele riu de seus captores e exigiu um valor mais adequado a um homem de sua estatura. Durante 38 dias, César expressou grande valentia em seu cativeiro, recitando poesias, discursando e repreendendo a equipe analfabeta pelo desinteresse nas apresentações.

Seu desdém era manifestado na forma como os tratava: César considerava-os seus subordinados, ameaçando vingar-se pelo sequestro e exigindo o tratamento merecido. Ao contrário do que poderíamos esperar, ele conquistou respeito e admiração de seus captores.

Após receberem o dinheiro, os piratas libertaram César - que não perdeu tempo em organizar uma frota para capturá-los e crucificá-los. Retornando à Cilícia, ele recuperou o valor do resgate e os prendeu. Não oferecendo piedade alguma, ordenou que todos tivessem suas gargantas cortadas e fossem crucificados em público.

Em 67 a.C., a pirataria no Mediterrâneo foi exterminada por uma frota de 500 navios liderados por Pompeu, o Grande. Tratados de forma mais piedosa que os Cilicianos de César, eles tiveram uma segunda chance sendo estabelecidos por Pompeu como proprietários de terras da República Romana, contribuindo com impostos ao invés de pagarem pelos crimes com suas vidas.