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Juneteenth: entenda a real data que marca a abolição da escravatura nos Estados Unidos

Ocorrida após a libertação do último estado rebelde, ela é celebrada há 155 anos, mas é pouco falada nos livros de História

Victória Gearini Publicado em 19/06/2020, às 08h38

Retrato tirado após a abolição da escravidão
Retrato tirado após a abolição da escravidão - Biblioteca Pública de Austin

O dia 19 de junho de 2020 é marcado pelo 155º aniversário do fim da escravidão nos Estados Unidos. A data ficou conhecida como Juneteenth, e passou a ser celebrada quando o último estado rebelde, o Texas, aboliu a escravidão.

Libertação do último estado rebelde

Em 1º de janeiro de 1863, o ex-presidente Abraham Lincoln assinou oficialmente a Proclamação de Emancipação. No entanto, foi somente no dia 19 de junho de 1865 que o major-general da União, Gordon Granger, chegou a Galveston, no Texas, avisando que a Guerra Civil havia terminado. Ao lado do seu exército, o major-general libertou 250 mil escravos no estado. 

O Texas foi o último estado em rebelião, após o fim da Guerra Civil e a Proclamação da Emancipação. Embora o general Robert E. Lee tenha se rendido, em abril de 1865, quando Granger e as forças da União chegaram no Texas eles foram fortes e cumpriram com as ordens executivas de Lincoln.

Major-general Gordon Granger / Crédito: Wikimedia Commons

 

“O povo do Texas é informado de que, de acordo com uma proclamação do Executivo dos Estados Unidos, todos os escravos são livres. Isso envolve uma absoluta igualdade de direitos pessoais e de propriedade entre ex-senhores e escravos, e a conexão até então existente entre eles se torna a que existe entre empregador e trabalho contratado. Os libertos são aconselhados a permanecer em silêncio em seus lares atuais e trabalhar por salários. Eles são informados de que não poderão coletar postos militares e que não serão apoiados na ociosidade lá ou em outro lugar”, disse Granger em seu discurso de libertação no dia 19 de junho de 1865.

A partir de então, a data passou a celebrar, anualmente, o aniversário da libertação da escravatura no território estadunidense. As comemorações são regadas por muita música, churrasco, oração e outras atividades culturais que homenageiam os povos antepassados. Esta tradição se espalhou, ainda, por todo o território dos Estados Unidos, quando os negros passaram a migrar do Texas para outras regiões do país.

Comemorações da Juneteenth

No entanto, por conta das forças econômicas e culturais do início do século 20, a celebração recebeu menos apoio financeiro, causando um declínio nas comemorações fora do Texas. Além disso, nas escolas e nos livros de História, pouco se fala na ordem do general Granger, e a data foi esquecida pela sociedade. 

Comemoração do Dia da Emancipação em Richmond, na Virgínia, em 1905 / Crédito: VCU Libraries

 

Com o avanço do movimento dos Direitos Civis, ocorrido durante as décadas de 1950 e 1960, a Juneteenth ressurgiu com mais força, mais especificamente logo após a Marcha dos Povos Pobres para Washington, DC, ter sido interrompida em 1968. 

Nos anos seguintes, com o crescimento da luta pelos direitos civis, o interesse pela Juneteenth continuou a crescer dentro da comunidade negra dos Estados Unidos. Os membros do movimento resistiam e lutavam contra o racismo e opressão da sociedade, por meio da cultura — algo muito recorrente até os dias atuais. 

Através do legislador estadual afro-americano, chamado Al Edwards, o Texas se tornou o primeiro estado a tornar a Juneteenth um feriado oficial, em 1980. Atualmente, quase todos os estados, e o Distrito de Columbia, realizam esta comemoração memorável.


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