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Juventude assassina: o triste caso de Liana Friedenbach e Felipe Caffé

Em meados de 2003, o casal foi acampar no interior de São Paulo, mas teve sua viagem interrompida pelo cruel Champinha

Pamela Malva Publicado em 12/01/2021, às 18h00 - Atualizado às 23h20

Fotografia de Liana Friedenbach e Felipe Caffé
Fotografia de Liana Friedenbach e Felipe Caffé - Wikimedia Commons

Quando tinha cerca de 16 anos de idade, a estudante Liana Friedenbach estava apaixonada por Felipe Caffé, um jovem de 19 anos. 

Nascida em maio de 1987, a jovem decidiu viajar com o namorado. Como o relacionamento era recenete, Liana, em outubro de 2003, avisou sua família que iria para Ilhabela com um grupo de amigos da escola. Já Felipe disse que iria acampar, contudo, o pior estava por acontecer. A aventura, no entanto, logo se tornou o pior pesadelo do jovem casal, que não contava com a crueldade de um terceiro adolescente.

Fotografia de Liana Friedenbach na época dos crimes / Crédito: Divulgação/Youtube

 

Raiva incontrolável

Natural de Embu-Guaçu, o jovem Roberto Aparecido Alves Cardoso estava mais acostumado a ser chamado de Champinha. Diferente de todos os outros meninos da região, contudo, ele já demonstrava sinais de psicopatia desde muito pequeno.

Com cerca de 16 anos em 2003, ele e seu braço direito, Paulo César da Silva Marques, ou Pernambuco, cruzaram com Liana e Felipe no meio da mata. Aquele foi o primeiro momento de uma sequência de crimes e de um terror alucinante.

Fotografia de Champinha / Crédito: Wikimedia Commons

 

Destino traçado

No dia 31 de outubro, poucas horas antes de cair na estrada, o jovem casal ficou esperando pelo horário de seu ônibus no famoso vão livre do MASP, em São Paulo. Às 5h do dia 1º de novembro, então, eles foram até o Terminal Rodoviário Tietê.

De lá, Liana e Felipe desembarcaram em Embu-Guaçu e, em seguida, foram para o lugarejo de Santa Rita, onde armaram seu acampamento. Naquela mesma noite, foram encontrados por Champinha e Pernambuco, que resolveram assaltar o casal.

O que os ladrões não esperavam, contudo, era que os jovens não tinham qualquer dinheiro consigo. Assim, os comparsas tiveram de improvisar. Ao perceberem que Liana não era uma garota comum, decidiram sequestrar o casal.

Noites de terror

Logo na primeira noite do sequestro, os jovens foram levados até a casa de Antonio Matias de Barros, outro criminoso amigo dos assaltantes, e Felipe foi jogado em um quarto. No cômodo ao lado, Liana foi estuprada por Pernambuco.

Já no dia 2 de novembro, os comparsas perceberam que Felipe não faria muita diferença para o plano. Assim, enquanto Champinha levava Liana para outro cativeiro, Pernambuco carregou o garoto para um matagal, onde atirou em sua nuca. Ao longe, a menina escutou o disparo que matou seu namorado. O assassino fugiu em seguida.

Uma vez na casa de Antônio Caetano da Silva, Champinha já não se preocupava mais com o resgate de Liana. Com a menina em suas mãos, ele começou a estuprá-la. Foi apenas no terceiro dia do desaparecimento dos jovens que, preocupado, o pai da garota decidiu acionar o Comando de Operações Especiais.

Champinha já preso, na época dos crimes / Crédito: Divulgação/Youtube

 

Procura sem fim

Em busca de Liana e Felipe, as autoridades encontraram os celulares, carteiras e peças de roupa dos jovens no matagal. Nesse meio tempo, aos amigos que chegavam no cativeiro, Champinha apresentava Liana como sua namorada.

Ainda no terceiro dia, o jovem criminoso e mais dois comparsas, Antônio Caetano e Aguinaldo Pires, estupraram Liana coletivamente. Mais tarde, percebendo um certo movimento da polícia na região, o irmão de Champinha decidiu avisá-lo.

Sob o pretexto de que levaria a suposta namorada para a rodoviária, o adolescente guiou Liana até o meio do mato e a executou ali mesmo, no dia 5 de novembro. Foram dezenas de facadas até que a jovem finalmente parasse de respirar.

Todos os criminosos do caso já presos na delegacia / Crédito: Divulgação/Youtube

 

O fim de uma história de horror

Os corpos de Liana e Felipe foram encontrados apenas no dia 10 de novembro, poucas horas antes de Champinha e seus comparsas serem capturados. Em julho de 2006, três dos capangas foram condenados a sentenças entre 124 e 6 anos de prisão.

Em 2007, Pernambuco foi condenado a 110 anos e 18 dias de prisão, pelo assassinato de Felipe. Champinha, por sua vez, foi condenado a três anos na Fundação Casa, por ser menor de idade na época dos crimes — decisão que revoltou a população.

Quando completou a maioridade, no entanto, o jovem passou por uma bateria de exames psiquiátricos, que atestaram uma saúde mental instável. Assim, por apresentar um alto grau de ameaça para a sociedade, Champinha permanece numa Unidade Experimental de Saúde (UES), na Vila Maria, até hoje, onde deve ficar preso por tempo indeterminado.


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