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Kathe Heusermann, a desgraça da mulher que ajudou a confirmar a morte de Hitler

A mulher que foi peça chave para que a morte do tirano nazista fosse declarada, passou anos na cadeia e quase não sobreviveu à prisão

Penélope Coelho Publicado em 07/10/2020, às 16h56

Fotografia em plano retrato de Adolf Hitler
Fotografia em plano retrato de Adolf Hitler - Wikimedia Commons

“Estes são os dentes de Adolf Hitler”, essa frase foi dita pela assistente de dentista Kathe Heusermann. Através dessas palavras a mulher alterou não só os caminhos de sua trajetória, mas, também do mundo. Já que a partir da seguinte informação estava verdadeiramente confirmada a morte do tirano que comandou um dos confrontos mais sangrentos e insólitos do século 20, a Segunda Guerra Mundial.

Quem foiKathe Heusermann

Nascida em 15 de julho de 1909, em Liegnitz, Silésia, Kathe Heusermann foi uma mulher alta e loira que começou a trabalhar no ramo da odontologia na década de 1930, assistente do dentista judeu Dr. Bruck.

Fotografia de Kathe Heusermann ao lado de imagem de Adolf Hitler / Crédito: Divulgação / New York Post

 

Contudo, em decorrência da Guerra e da perseguição ela passou a ser a assistente do Dr. Blaschke, conhecido por cuidar dos dentes excepcionalmente ruins de ninguém menos que Hitler. No consultório, Kathe seguia a rotina de ajudar no monitoramento dos dentes do líder nazista. Nesse mesmo período, ela costumava auxiliar seu velho amigo Bruck fornecendo alimentos quando conseguia.

No ano de 1945, com o declínio da Alemanha e o sumiço de Hitler, os comandos anti-nazistas estavam certos de que somente com a confirmação da morte do tirano o Terceiro Reich teria um fim.

Na mesma época, o Exército Vermelho da Rússia chegou ao nome de Kathe sabendo que ela foi auxiliar do dentista do Führer. Não demorou muito para que ela fosse encontrada a fim de identificar uma arcada dentária que os oficiais retiraram de um corpo carbonizado encontrados por eles. Existiam desconfianças de que aqueles dentes fossem de Hitler, o que foi confirmado pela assistente.

Por seus anos de experiência cuidando da saúde bucal do nazista Heusermann não teve dúvidas ao observar as coroas dentais de ouro e um maxilar inferior completo. A mulher levou a intérprete russa Elena Rzhevskayaaté um escritório que o Dr. Blaschke mantinha dentro de bunker da Chancelaria do Reich. Lá, ela mostrou raios-X do tirano, o que foi considerado uma "evidência irrefutável de que Hitler estava morto", como escreveu posteriormente Rzhevskaya, em seu livro de memórias.

A intérprete Elena Rzhevskaya em meados de 1942 / Crédito: Centro Mundial de Lembrança do Holocausto

 

Consequências

Contudo, o auxílio na identificação da arcada dentária de Adolf não foi o suficiente para que Kathe não fosse condenada por ter auxiliado no cuidado da saúde bucal.

De acordo com o NY Post, em 13 de maio de 1945 ela foi presa pelo serviço secreto da URSS, sendo levada para a Sibéria por um caminhão de transporte de gado. Seu destino seria a brutal vida nos Gulags. 

Durante seis anos, Kathe foi mantida em confinamento solitário, sem julgamento, o que só aconteceria 1951. Em decorrência do período em que passou na cadeia, Heusermann ficou muito fraca e desnutrida, por pouco ela não faleceu no cárcere. 

“Em agosto de 1951, finalmente fui acusada”, relatou ela. “Com minha participação voluntária no tratamento dentário de Hitler, (eles disseram) eu ajudei o estado alemão a prolongar a guerra.”

Em 1955 a assistente de dentista foi solta e pôde voltar à Berlim, mas, a vida que ela tinha deixado para trás 10 anos antes definitivamente já não era a mesma. O homem com quem ela iria se casar já estava em um relacionamento com outra mulher.

Porém, mesmo com os inúmeros problemas que Kathe tinha arrumado por causa da odontologia, essa era mesmo sua vocação, por isso, ela continuou trabalhando nesse ramo até o dia em que faleceu, em 14 de fevereiro de 1993.

De acordo com Elena Rzhevskaya, Heusermann foi uma peça fundamental para a finalização dessa história, porém, o sofrimento ao qual a mulher foi submetida não foi algo que ela concordou: “Se não tivéssemos encontrado Kathe, Hitler, como queria Stalin, teria permanecido um mito e um mistério”, revelou Rzhevskaya.


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