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Khajuraho: Os templos de sexo da Índia Central

Ornamentados com esculturas eróticas, os templos registram a sexualidade como forma de arte na Índia Antiga

Joseane Pereira Publicado em 20/05/2019, às 20h00

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Visitando o estado de Madhya Pradesh, na Índia Central, é possível encontrar um local um tanto quanto curioso: o complexo do templo de Khajuraho, constituído por uma série de edifícios ricamente construídos e ornamentados com esculturas eróticas.  

Reconhecido como Patrimônio da Humanidade pela UNESCO, o complexo contém apenas 25 dos 85 templos originalmente construídos pela dinastia Chandela, entre 900 d.C. e 1130 d.C. Tanto fora quanto dentro dos templos, pode-se entrever esculturas de homens, mulheres e até animais entrelaçando seus corpos em posições sexuais, em explícitas cenas amorosas e orgiásticas diante das feições benevolentes dos deuses.  

Templos na selva  

Os templos foram construídos como dedicação às religiões do Hinduismo e Jainismo, sendo importantes locais de culto em uma época dourada para a Índia Central. Após as invasões muçulmanas, no início do século 13, os templos foram profanados e destruídos em uma política de intolerância a outras religiões propagadas pelo sultanato muçulmano de Delhi.  

 

Crédito: Reprodução

 

Apenas os locais mais isolados conseguiram resistir às dinastias islâmicas que reinaram entre os séculos 13 e 18. No ano de 1838, o explorador britânico T.S. Burt empreendeu uma expedição às florestas do interior da Índia, a partir de rumores da existência de um templo com esculturas sexualizadas.  

Erotismo explícito  

Não há consenso na academia sobre o propósito dessas esculturas, embora seja aceito que o ideal dos templos era celebrar todos os aspectos da vida humana — incluindo a atividade sexual. Somente 10% das esculturas presentes são de natureza sexual, embora sejam o foco de atração do público que visita o local hoje em dia. Lá estão manifestações de Shakti e Shiva, os princípios divinos da Feminilidade e Masculinidade segundo o hinduísmo, assim como figuras humanas entrelaçadas em diferentes Mithunas (termo em sânscrito usado no Tantrismo, que descreve a união sexual em contexto ritualístico).  

Tantra e sexualidade na Índia  

Para seguidores do Tantrismo, os governantes de Chandela teriam criado os templos com o objetivo de promover o equilíbrio entre as forças masculina e feminina, expressos através da união sexual. Alguns especialistas afirmam que as esculturas celebram o poder feminino, por mostrarem mulheres que apreciam o prazer sexual: “Considera-se que estes templos são uma celebração do feminino na representação de esculturas de mulheres, quadris largos e seios generosos, muito ornamentados, adornando as paredes do templo”, afirma o pesquisador Cunningham.  

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Tais imagens contrastam com o papel delimitado às mulheres em diversas outras culturas, inclusive a do Islã. O prazer sexual masculino e feminino era, para as religiões que floresciam na Índia do século 13, uma forma de arte a ser praticada e aperfeiçoada por ambos os sexos — daí vem a importância do Kama Sutra.  

"O hinduísmo tem tradicionalmente considerado o sexo como uma parte essencial da vida, o que poderia ser a razão pela qual as estátuas eróticas são casualmente intercaladas com outras que mostram atividades tão variadas quanto a oração e a guerra. O fato de serem expostas a olho nu, e não escondidos em um canto escuro, sugere que seus criadores queriam que elas fossem vistos por todos”, afirma o pesquisador indiano Ramadurai.