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Khatt Shebib, a intrigante muralha de 150 km da Jordânia

Ninguém sabe quando o muro foi construído, quem o construiu nem o porquê, o que continua intrigando arqueólogos

Isabela Barreiros Publicado em 18/12/2021, às 08h00

A muralha conhecida como Khatt Shebib
A muralha conhecida como Khatt Shebib - Divulgação/Arquivo Fotográfico Aéreo para Arqueologia do Oriente Médio

O diplomata britânico Alec Kirkbride foi responsável por documentar, pela primeira vez, em 1948, uma muralha enquanto viajava de avião ao sul da Jordânia. Ele relatou que havia observado uma "parede de pedra correndo, sem nenhum propósito óbvio, pelo país".

No entanto, mais de 70 anos depois, o conhecimento acerca do muro não mudou muito. Embora arqueólogos tenham passado anos estudando fotografias aéreas da misteriosa barreira, tudo o que se sabe sobre ela é o seu novo mapa.

Em 2016, pesquisadores do projeto Arqueologia Aérea na Jordânia (AAJ) investigaram restos da parede por meio de fotos aéreas da região e descobriram a distância pela qual a muralha, conhecida hoje como Khatt Shebib, se estende.

De acordo com os envolvidos no estudo, a parede vai do Norte-Nordeste do país ao Sul-Sudoeste ao longo de uma distância de 106 quilômetros. Mas ela também contém seções, com duas paredes que se estendem, e outras seções com ramificações.

A descoberta dessas estruturas paralelas em alguns setores, como relata o portal Livescience, aumenta a distância pela qual a muralha percorreria ao sul do país e também foi sugerida pelos especialistas.

A muralha na Jordânia / Crédito: Divulgação/Robert Bewley/Arquivo Fotográfico Aéreo de Arqueologia no Oriente Médio

 

“Se somarmos as esporas e a extensão da parede paralela, o comprimento total pode ser de cerca de 150 quilômetros” concluíram David Kennedy, professor da Universidade da Austrália Ocidental, e Rebecca Banks, pesquisadora da Universidade de Oxford, no Reino Unido, na pesquisa publicada no periódico alemã Zeitschrift für Orient-Archäologie.

Durante o estudo, os arqueólogos também identificaram restos dessas torres paralelas, que medem entre 2 e 4 metros de diâmetro. Eles apontam que algumas delas foram erguidas após a construção da própria parede.

Esses setores da muralha podem ter servido para diversas funcionalidades. "Alguns podem ter sido lugares de refúgio — um lugar seguro para passar a noite. Outros podem ter sido [usados] como postos de vigia”, disse Kennedy.

“Alguns, talvez, [eram] lugares onde os caçadores podiam se esconder até que a fauna estivesse perto o suficiente para tentar derrubar”, sugeriu.

Além disso, “mesmo em seu estado original, ele [o muro] pode não ter tido muito mais do que um metro de altura e 50 centímetros de espessura”, escreveram os pesquisadores no estudo.

Perguntas continuam

Desde que sua existência foi relatada pela primeira vez pelo diplomata britânico na Jordânia, a muralha se tornou objeto de uma série de estudos, principalmente na arqueologia. Ainda assim, muitas dúvidas continuam.

Em ruínas nos dias de hoje, o muro levanta muitas questões aos arqueólogos, que querem entender quando o muro foi construído, por quem e qual sua finalidade, mas, até agora, tem poucas informações sobre a antiga construção.

Como destaca o jornal O Globo, a única pista que os pesquisadores têm sobre a possível datação da parede está nas cerâmicas que foram encontradas nas torres e nas proximidades da muralha.

Registro do muro na Jordânia / Crédito: Robert Bewley, Arquivo Fotográfico Aéreo de Arqueologia no Oriente Médio

 

Eles sugerem que o local foi construído no período entre as dinastias de Nabataean, de 312 a.C. a 106 d.C., e Umayyad, entre 661 e 750 d.C.. No entanto, o estudo não sugere que foram os reinos ou impérios que ergueram a muralha.

“É possível que as comunidades locais, vendo o que os vizinhos fizeram e persuadidos de sua utilidade, simplesmente tenham copiado a prática”, escreveram Kennedy e Banks no artigo publicado em 2016.

Quanto ao propósito, ainda não há muita certeza, porém sugere-se que sua finalidade tenha sido a demarcação de terras agrícolas devido à pouca altura e pequena espessura, o que não indica razões defensivas.

A expectativa é que trabalhos de campo sejam realizados no local para revelar os mistérios da antiga muralha. “A arqueologia aérea nunca resolverá essas questões-chave de propósito e data. Para isso, exigimos um trabalho de campo sistemático”, afirmaram os estudiosos.


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